Desesperados, EUA acusam Rússia de hackear sistemas do governo ucraniano

Poucas informações foram dadas até o momento, mas as acusações lembram o caso “Russiagate”



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Juca Simonard, 247 - Desesperados pela Rússia não ter invadido a Ucrânia, como pretendiam com suas provocações para justificar medidas contra o governo de Vladimir Putin, os Estados Unidos acusaram, nesta sexta-feira, 18, o país de realizar ataques cibernéticos contra o Ministério da Defesa ucraniano e grandes bancos.

A principal autoridade cibernética da Casa Branca, Anne Neuberger, afirma que, além de sites de dois grandes bancos, os supostos ataques derrubaram sites governamentais mas com "impacto limitado". Segundo ela, os russos planejam ataques mais destrutivos.

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Neuberger disse ainda que os norte-americanos têm dados que mostram que a infraestrutura conectada à agência militar da Rússia "foi vista transmitindo grandes volumes de comunicação para endereços e domínios IP baseados na Ucrânia". Ela, no entanto, não apresentou os supostos “dados”. 

Autoridades ucranianas classificaram os supostos ataques de negação de serviço distribuídos, conhecidos como DDoS, na terça-feira como os piores da história do país. A Rússia negou qualquer participação, em contato com a agência de notícias Reuters.

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Poucas informações foram dadas até o momento, mas as acusações lembram o caso “Russiagate”, uma das maiores farsas midiáticas dos últimos tempos. A imprensa corporativa norte-americana, com o coro de seus associados internacionais, acusaram o governo russo de ter interferido nas eleições norte-americanas de 2016 para eleger Donald Trump contra Hillary Clinton.

O caso 'Russiagate'

Antes das eleições, Julian Assange anunciou que o Wikileaks publicaria uma série de emails referentes a Hillary Clinton. Se antecipando às denúncias contra Clinton, a Crowdstrike, empresa de segurança cibernética contratada pelo Comitê Nacional Democrata (DNC) iniciou a campanha de que a Rússia havia hackeado os servidores do partido. 

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O objetivo era, primeiro, deslegitimar todas as denúncias de Assange; segundo, impedir a eleição de Trump; e, terceiro, iniciar uma campanha de agressões à Rússia, acusando o país de ter interferido nos assuntos internos norte-americanos, justificando assim medidas dos EUA contra o país. 

A campanha foi baseada majoritariamente em boatos com fontes anônimas e nada foi comprovado — uma espécie de Lava Jato nos EUA. Naturalmente, a grande imprensa, que trabalhava para eleger Clinton, foi a principal propagadora da campanha anti-russa.

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Tensão na Ucrânia

Novamente, após meses alertando sobre uma possível invasão russa à Ucrânia, que não ocorreu, os EUA buscam pretextos para atacar o governo Putin. Após alguns dias de relativa estabilidade, indicando uma possível pacificação entre Rússia e Ucrânia pela via diplomática, os norte-americanos retomam as acusações, agora falando de um suposto ataque cibernético, sem apresentar provas.

Ao mesmo tempo, o governo ucraniano (pró-EUA desde o golpe de Estado de 2014), nesta sexta-feira, 18, violou cerca de 30 vezes o cessar-fogo no território da República Popular de Lugansk, território separatista de maioria russa. Isso fez com que os separatistas iniciassem um processo de evacuação para território russo.

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As medidas revelam uma mudança no posicionamento do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, de extrema direita, que afirmou na quinta-feira, 17, estar disposto a dialogar com a Rússia — que por sua vez já tinha recuado suas tropas militares da fronteira com a Ucrânia.

O Kremlin acusa o presidente dos EUA Joe Biden de alimentar a tensão com falas sobre a invasão russa à Ucrânia.

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A tensão envolvendo a Ucrânia iniciou em novembro do ano passado com a proposta dos norte-americanos de incluir o país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que desagradou os russos. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros Estados do tratado militar passaram a enviar armamentos e soldados para território ucraniano e de outros países da região, como a Polônia. Putin respondeu locomovendo tropas russas para a fronteira com a Ucrânia.

Uma das exigências do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para reduzir as tensões com a Otan no oriente europeu é a redução da presença militar na região pelos Estados Unidos, que têm bases na Polônia e na Romênia, além de controlar o governo ucraniano. Os EUA, no entanto, não querem essa alternativa, e parecem estar mais empenhados em fazer provocações para os russos entrarem em guerra.

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Biden se reúne hoje com líderes do Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Polônia e Romênia, além da União Europeia e da Otan. Já a Rússia anunciou a realização de exercícios nucleares neste fim de semana, com lançamento de mísseis balísticos e de cruzeiro.

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