De forma vaga e sem citar racismo, Trump anuncia mudanças na polícia dos EUA

Medida foi anunciada nesta terça (16) após prostestos antirracistas tomarem o país nas últimas semanas

Presidente dos EUA, Donald Trump, participa de reunião em Dallas 11/06/2020
Presidente dos EUA, Donald Trump, participa de reunião em Dallas 11/06/2020 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)


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Lu Sudré, Brasil de Fato - O presidente Donald Trump anunciou novas medidas e orientações para a polícia dos Estados Unidos nesta terça-feira (16), semanas após massivos e consecutivos protestos contra a violência policial que se espalharam por todo o país. 

O levante antirracista teve início após o assassinato de George Floyd, que morreu asfixiado por um policial em maio, e ganhou força com a morte de Rayshard Brooks, outro homem negro baleado por um policial branco na última sexta-feira (12). 

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Trump declarou que destinará recursos por meio do Ministério de Justiça para treinamentos que "desinstalem a violência" na corporação. A decisão vai na contramão do que tem sido defendido pelo movimento negro e ativistas dos direitos humanos no país, que reinvindicam a diminuição do financiamento do aparato policial, principalmente em meio à pandemia da covid-19.

“Reduzir o crime e aumentar a qualidade (da polícia) não são objetivos opostos. Eles trabalham juntos. E é por isso que assino hoje um decreto que irá encorajar os departamentos de polícia ao redor do país a adotarem os padrões mais elevados para servir suas comunidades. Esses padrões serão os mais altos que existem no mundo”, disse Trump, no jardim da Casa Branca, sem dar maiores detalhes sobre quais seriam tais padrões.

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Com um discurso vago, o republicano não se manifestou sobre como a nova ordem seria executada e se limitou a dizer que irá trabalhar junto ao Congresso para propostas de alterações das forças policiais de uma forma mais sólida. 

De acordo com o jornal The Washington Post, o senador republicano Tim Scott, o único político negro do partido de Trump na Casa Legislativa, é o responsável por desenvolver o texto final sobre as medidas. Conforme divulgado na mídia estadunidense, espera-se que a versão completa do decreto seja publicada na íntegra ainda nesta semana.

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Trump citou que as alterações irão incentivar o uso de novas armas não letais para diminuir o número de vítimas fatais. O presidente disse ainda que a imobilização com o joelho, prática abusiva utilizada na abordagem policial que levou a morte de George Floyd em 25 de maio, será proibida. Com a ressalva de situações em que “o agente esteja em risco de vida”. 

Na opinião de Njimie Dzurinko, ativista do movimento negro e integrante do coletivo Put People First, a “reforma” anunciada por Trump não apresenta, até o momento, alterações necessárias para mudar a polícia estadunidense estruturalmente.

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“[A reforma] É muito leve, não vai longe o suficiente. Ele claramente sente pressão para fazer algo antes da eleição”, critica a ativista. 

O presidente deu destaque para o fato de ter reunido com vítimas da violência policial nos Estados Unidos nos últimos anos e garantiu a elas que “seus entes-queridos não terão morrido em vão”.

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Apesar da declaração, em nenhum momento o republicano utilizou a palavra racismo ou a conectou com ações recorrentes da polícia. 

Segundo estudo da organização Mapping Police Violence (Mapeando a violência policial, em português), pessoas negras têm quase três vezes mais chances de serem mortas pela polícia do que brancos nos Estados Unidos.

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Os atos que reivindicam justiça para o caso de George Floyd ao longo das últimas semanas, assim como protestos em memória de Brooks, denunciam que a ostensividade das forças de segurança americanas contra a população negra é histórica e fundante da própria policia. 

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