Cynthia Chung publica profunda reportagem sobre relações da CIA/Otan com o fascismo na Ucrânia
“O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui” - William Shakespeare
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Ensaio de Cynthia Chung publicado originalmente no seu site em 8/1/23. Traduzido e adaptado por Rubens Turkienicz com exclusividade para o Brasil 247.
“O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui” - William Shakespeare (A Tempestade, Ato 1, Cena 2)
As 'Joias de Família' da CIA e a Operação Mockingbird
Rapidamente após Guerra Fria ter sido anunciada por Churchill, foi necessário criar um fervor de medo e paranoia dentre o povo estadunidense a fim de que este esquecesse rapidamente que os russos foram os seus maiores aliados tanto durante a Primeira quanto a Segunda Guerras Mundiais. E para substituir esta imagem pela de uma raça de bichos-papões macabros.
Se os estadunidenses se lembrassem que os russos lutaram valentemente contra o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial e pagaram de longe o maior sacrifício, então a divisão da Guerra Fria jamais poderia ter ocorrido. Isto foi algo que não podia ser tolerado por Churchill e o Império Britânico. Assim, o terror foi lançado sobre o povo estadunidense e o Macarthismo teve precedência sobre o direito do povo de questionar e formar conclusões por si próprio. Este tipo de coisa não podia ser tolerada quando o ‘inimigo’ poderia estar em qualquer lugar; ele podia ser o seu vizinho, o professor do seu filho, o seu colega de trabalho… o seu parceiro.
A fim de combater a ‘ameaça’ da ‘propaganda’ soviética entrar nos EUA e seduzir os estadunidenses, foi criada a Operação Mockingbird, como uma forma de controle sobre a disseminação de informações durante o período do Macarthismo. A Operação Mockingbird era um programa da CIA que começou no início dos anos de 1950 para controlar a narrativa dos noticiários. O relatório ‘Family Jewels’ [Joias da Família] da CIA de meados dos anos de 1970 confirmou que o Projeto Mockingbird existiu como uma operação da CIA e que ele era o culpado por fazer escutas telefônicas de jornalistas em Washington.
No topo deste projeto estava ninguém menos que o Diretor da CIA, Allen Dulles, um inimigo de John F. Kennedy, que, no início dos anos de 1950, supervisionou a rede de mídias e teve uma importante influência sobre 25 jornais e agências de notícias. A sua função era que a CIA escrevesse relatórios que pudessem ser usados por uma rede de cooperação de repórteres ‘críveis’. Através da disseminação destes repórteres ‘criveis’, a CIA ditava a narrativa, a qual seria papagaiada por repórteres inconscientes (mockingbirds) e seria criada uma câmara de eco de sucesso em todo o mundo.
Segundo a biografia escrita por Deborah Davis sobre Katherine Graham (a proprietária do Washington Post), o Escritório de Coordenação Política [OPC — Office of Policy Coordination] criou a Operação Mockingbird em resposta ao tratamento da propaganda soviética e incluía membros respeitados do Washington Post, do The New York Times, da Newsweek, da CBS e outros como parte da contingência da CIA.
O relatório ‘Joias da Família’ foi uma investigação feita pela CIA para investigar… a própria CIA, estimulada em resposta ao Escândalo de Watergate e o papel inconstitucional da CIA neste ‘affair’. A investigação da CIA incluiria quaisquer outras ações que fossem consideradas ilegais ou inapropriadas, abrangendo o período dos meados dos anos de 1950 até os anos de 1970.
Nos contam que a maioria do relatório foi desclassificada em 25 de junho de 2007 (30 anos mais tarde), na esperança de que as pessoas houvessem perdido o interesse em toda a confusão. Juntamente com a liberação do relatório censurado, foi incluído um resumo de seis páginas, com a seguinte introdução:“A Agência Central de Inteligência (CIA) violou a sua carta régia durante 25 anos, até que as revelações sobre escutas telefônicas ilegais, vigilância doméstica, conspirações de assassinatos e experimentos realizados em seres humanos levaram às investigações oficiais e às reformas nos anos de 1970”.
Apesar desta violação reconhecida da sua carta régia por 25 anos — o que quer dizer, desde o seu início — os detalhes destas informações forma mantidos em segredo por 30 anos não só do público, como de importantes corpos governamentais. Ainda, foi deixado ao cargo da própria agência julgar como seria melhor “reformar” as suas maneiras de funcionar.
Em 22 de dezembro de 1974, o The New York Times publicou um artigo de Seymor Hersh expondo operações ilegais conduzidas pela CIA, apelidadas de “joias da família”. Estas incluíam ações secretas envolvendo tentativas de assassinato de líderes estrangeiros e tentativas secretas para subverter governos estrangeiros — as quais foram reportadas pela primeira vez. Além disso, o artigo discutia os esforços das agências de inteligência para coletar informações sobre as atividades políticas dos cidadãos estadunidenses.
Em grande parte, como uma reação aos achados de Hersh, a criação do Comitê Church foi aprovada em 27 de janeiro de 1975. O relatório final do Comitê Church foi publicado em abril de 1976, incluindo sete volumes das oitivas do Comitê Church no Senado dos EUA.
O Comitê Church também publicou um relatório temporário intitulado “As Alegadas Conspirações Envolvendo Líderes Estrangeiros” [Alleged Assassination Plots Involving Foreign Leaders] que investigou as alegadas tentativas de assassinatos de líderes estrangeiros. Entre eles, Patrice Lumumba do Congo, Rafael Trujillo da República Dominicana, Ngo Dinh Diem do Vietname, o General René Schneider do Chile e Fidel Castro de Cuba. O presidente dos EUA Gerald Ford tentou sustar o relatório do público, mas fracassou e, relutantemente, promulgou a Ordem Executiva 11905, após sofrer pressões do público e do Comitê Church.
A ordem Executiva 11905 é uma Ordem do Presidente dos EUA assinada em 18 de fevereiro de 1976 por um presidente Ford muito relutante, numa tentativa de reformar a Comunidade de Inteligência dos EUA, de melhorar a supervisão das atividades de inteligência estrangeira e de banir os assassinatos políticos.
Esta tentativa agora é considerada um fracasso e foi desfeita, na sua maior parte, pelo presidente Reagan — que promulgou a Ordem Executiva 12333, que estendeu os poderes e responsabilidades das agências de inteligência dos EUA e ordenou aos líderes das agências federais dos EUA a cooperarem plenamente com a CIA. Foi o arranjo original para que a CIA tivesse total autoridade sobre as operações clandestinas.
Além disso, o Comitê Church produziu sete estudos de caso sobre operações secretas, porém somente um foi liberado, sobre o Chile, intitulada “Covert Action in Chile: 1963-1973” (Ações Secretas no Chile: 1963-1973). O resto foi mantido em segredo a pedido da CIA.
Dentre as revelações mais chocantes do Comitê Church foi a descoberta da Operação SHAMROCK, na qual as maiores empresas de telecomunicações compartilhavam o seu trafego com a NSA [National Security Agency / Agência de Segurança Nacional dos EUA] desde 1945 até o início dos anos de 1970. A informação coletada nesta operação era alimentada diretamente na Lista de Vigilância da NSA. Foi descoberto durante as investigações do comitê que o Senador Frank Church, que estava supervisionando o comitê, estava dentre os nomes proeminentes sob vigilância nesta lista da NSA.
Em 1975, o Comitê Church decidiu unilateralmente desclassificar os detalhes desta operação, contra as objeções do governo do presidente Ford.
Os relatórios do Comitê Church constituem a revisão mais extensiva das atividades de inteligência jamais disponibilizadas para o público. Muitos destes conteúdos eram secretos, porém mais de 50.000 páginas foram desclassificadas sob o Ato da Coleção de Registros sobre o assassinato do presidente John F. Kennedy de 1992.
É muito útil que exista um reconhecimento oficial de que as notícias falsas não só foram encorajadas pela CIA sob a vigilância da NSC durante o período da Guerra Fria, mas que a CIA foi cúmplice disso, efetivamente detalhando a narrativa específica que eles queriam que fosse disseminada, muitas vezes indo tão longe quanto escrever a narrativa e ter o nome de um repórter ‘crível’ carimbado nela.
Porém permanece a pergunta, ‘Será que a Guerra Fria jamais acabou?’ e, se não é o caso, por que nós deveríamos acreditar que o envolvimento da CIA em tais atividades está enterrada no seu passado e que ela ‘reformou’ os seus antigos comportamentos?
Como a CIA Compra Notícias
Antes de entrarmos na situação atual na guerra na Ucrânia, eu gostaria de compartilhar com vocês uma estória muito relevante sobre como a CIA compra notícias.
Udo Ulfkotte era um jornalista alemão muito conhecido e autor de numerosos livros. Ele trabalhou durante 25 anos como jornalista, dezessete dos quais para o Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), incluindo o seu papel como editor. No seu livro de 2014, ‘Journalists for Hire: How the CIA Buys News’ [Jornalistas de Aluguel: Como a CIA Compra Notícias], Ulfkotte relata como a CIA, juntamente com a Inteligência Alemã (BND), foram culpados de subornar jornalistas para escreverem artigos que destorciam a verdade, ou eram completamente fictícios, a fim de promover um viés pró-ocidental, ou pró-OTAN, e que ele era um destes jornalistas comprados.
Numa entrevista, Ulfkotte descreve como e finalmente teve a coragem de publicar o livro, após anos em que o mesmo estava acumulando pó, em resposta à eclosão da crise da Ucrânia em 2014, dizendo:
“Eu senti que era chegado o momento certo de terminá-lo e publicá-lo, porque estou muito preocupado sobre a crise ucraniana e as possíveis consequências devastadoras para toda a Europa e todos nós... Eu não sou pró-Rússia de maneira alguma, mas está claro que muitos jornalistas seguem cegamente e publicam seja o que for que o escritório de imprensa da OTAN lhes fornece. E este tipo de informações e relatórios são completamente unilaterais”.
Em outra entrevista, Ulfkotte declarou:
“Está claro como a luz do dia que agentes de vários Serviços estavam nos escritórios centrais do FAZ, o lugar onde trabalhei durante 17 anos. Os artigos apareceram sob o meu nome diversas vezes, porém não eram produtos intelectuais meus. Uma vez fui contatado por alguém da Inteligência Alemã e da CIA, que me contou que eu devia escrever sobre Gaddafi e relatar como ele estava tentando construir secretamente uma fábrica de armas químicas na Líbia. Eu não tinha informação alguma sobre qualquer coisa dessas, mas eles me mostraram vários documentos; eu só tinha que pôr o meu nome no artigo. Você pensa que isto pode ser chamado e jornalismo? Penso que não”.
Ulfkotte declarou publicamente:
“Estou envergonhado disso. As pessoas para quem trabalhei sabiam desde o início sobre o que fiz. E a verdade deve ser revelada. Não se trata apenas do FAZ, é o sistema todo que é corrupto até o fim”.
Udo Ulfkotte faleceu desde então. Ele morreu em janeiro de 2017, com a idade de 65 anos; ele foi encontrado na sua casa, disseram que foi um enfarto. O corpo dele foi rapidamente cremado depois, evitando assim qualquer possibilidade de ocorrer uma autópsia. O livro dele está disponível em inglês sob o título ‘Presstitudes Embedded in the Pay of the CIA: A Confession from the Profession’.A atual situação concernente às reportagens das mídias sobre a Ucrânia não parecem ser muito diferentes das distorções manipulativas controladas pelas agências de inteligência expostas por Udo. Seja como for, elas são muito piores. A fim de reforçar o apoio às forças militares ucranianas, Kiev inventou um fluxo contínuo de propagandas sofisticadas visando instigar a emoção pública para o apoio político e financeiro dos países ocidentais.
A estratégia de propaganda da Ucrânia recebeu elogios de um comandante da OTAN, que disse ao Washington Post: “Eles [a Ucrânia] são realmente excelentes em ‘stratcom’ [strategic communications / comunicações estratégicas] — mídias, ‘info ops’ [operações de informações] e também ‘psy-ops’ [operações psicológicas]”. Em última análise, o Washington Post reconheceu que “as autoridades ocidentais dizem que, conquanto não possam verificar independentemente muitas das informações que Kiev produz sobre a evolução na situação no campo de batalha, incluindo os números das fatalidades em ambos os lados, mesmo assim elas representam um ‘stratcom’ altamente eficaz”.
Dan Cohen escreve para o website Mint Press News:“A chave para o esforço de propaganda é uma legião internacional de empresas de elações públicas trabalhando diretamente para o Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia, para travar uma guerra de informações. Segundo o site de notícias da indústria [de relações-públicas] PRWeek, a iniciativa foi lançada por uma figura anônima que, alegadamente, fundou uma empresa de relações com sede na Ucrânia…
“Segundo a figura anônima, mais de 150 firmas de relações públicas se juntaram à blitz de propaganda.
“O esforço internacional é encabeçado pelo cofundador da empresa de relações-públicas PR Network Nicky Regazzoni e por Francis Ingham, um alto consultor de relações-públicas com laços próximos ao governo do Reino Unido. Ingham trabalhou anteriormente para o Partido Conservador Britânico, faz parte do Conselho do Serviço de Estratégia e Avaliação de Comunicação do governo britânico, é o chefe executivo da Organização Internacional de Consultoria de Comunicações e lidera o corpo de membros dos comunicadores de governos locais do Reino Unido — o LG Comms”
Assim, Ingham — que tem sido um membro do governo do Reino Unido e continua a ter conexões de nível muito alto com o governo britânico — desempenha um papel de liderança em como a guerra na Ucrânia está sendo apresentada ao público.
Dan Cohen provê uma explicação compreensiva sobre como estas ‘firmas de PR’ tem sido responsáveis por reportar e espalhar notícias fabricadas que, mesmo quando se descobre que estas reportagens se revelam conclusivamente serem inverdades, eles continuam usando-as mesmo assim. Estas ferramentas de PR incluem gráficos de propaganda criados para encorajar a radicalização e a promoção da identidade ultranacionalista; usando linguagem xenofóbica e racista (não só contra russos), elogios sem rodeios dos neonazistas ucranianos como heróis, a idolatria ao líder nazista afiliado a OUN-B do líder Stepan Bandera e o encorajamento de atos violentos contra outros indivíduos.
Se você alguma vez se perguntou quem está por trás dos onipotentes ‘verificadores de fatos’, no caso do StopFake que se autodescreve como tal, eles são financiados pelo ‘National Endowment for Democracy’ (NED), pelo Atlantic Council, pela Fundação Renascença Internacional (financiada pela Fundação Open Society de George Soros), pela Embaixada Britânica na Ucrânia, pelo Escritório Britânico para Assuntos Estrangeiros e a Comunidade Britânica e o Fundo Marshall alemão. ‘StopFake’ foi contratado pelo Facebook em março de 2020 para “refrear o fluxo de propaganda russa”, porém foi pego empregando figuras múltiplas proximamente ligadas a neonazistas violentos. No entanto, este fato desconfortável não impediu que o Facebook continuasse a trabalhar com o StopFake.
Ao final das contas, não parece importar quantas vezes esses árbitros da verdade se revelam como errados, porque as autoridades estadunidenses já admitiram que eles estavam literalmente só mentindo ao público sobre o que está ocorrendo na Ucrânia.
Verificando os Fatos dos ‘Fact-Checkers’ sobre a Ucrânia
É interessante notar que o próprio Conselho Atlântico reconhece que o problema neonazista na Ucrânia é bastante sério. Em um artigo publicado em 2018 intitulado “Ukraine’s Got a Real Problem with Far-Right Violence (And No, RT Didn’t Write This Headline)”, escreve Josh Cohen:
“Isto soa como coisas da propaganda do Kremlin, mas não é. Na semana passada, a Radio Hromadske revelou que o Ministro da juventude e do Esporte da Ucrânia está financiando o grupo neonazista C14 para promover ‘projetos de educação nacional-patrióticos’ no país…”
Sim, você leu corretamente, o C14 junto com o Batalhão Azov tem treinado crianças, com encorajamento e financiamento do governo ucraniano via o Ministério da Juventude e do Esporte, sob o título de “projetos de educação nacional-patrióticos”, incluindo exercícios de táticas de terror.
Josh Cohen continua:
“Desde o início de 2018, o C14 e outros grupos de extrema-direita como a ‘National Militia’ afiliada ao grupo Azov, o ‘Right Sector’, o ‘Karpatska Sich’ e outros têm atacado grupos de Romas [ciganos] diversas vezes, bem como manifestantes antifascistas, reuniões de conselhos de cidades, um evento promovido pela Anistia Internacional, exibições de arte, eventos LGBT e ativistas ambientalistas. Em 8 de março, grupos violentos lançaram ataques contra manifestantes do Dia Internacional da Mulher em cidades de toda a Ucrânia. Apenas em uns poucos destes casos a polícia fez alguma coisa para evitar os ataques e, em alguns, ela até prendeu manifestantes pacíficos ao invés dos perpetradores de verdade”.
Após os ataques de 8 de março de 2018 contra os manifestantes do Dia Internacional da Mulher, segundo Cohen, a Anistia Interncional escreveu: “A Ucrânia está afundando em um caos de violência descontrolada executada por grupos radicais e pela sua total impunidade. Praticamente ninguém no país pode se sentir seguro sob estas condições”.
Josh Cohen escreve:
“Para ser claro, os partidos de direita como o Svoboda obtiveram resultados pobres nas enquetes de opinião pública e nas eleições na Ucrânia, e os ucranianos não demonstram desejo algum de serem governados por eles. Mas este argumento é um pouco um ‘harengue vermelho’. Não devem ser as perspectivas eleitorais dos extremistas que devem preocupar os amigos da Ucrânia, mas sim a falta de vontade ou a incapacidade do Estado de confrontar os grupos violentos e terminar com a impunidade dos mesmos”.
No entanto, nós ouvimos diretamente da boca de Yevhen Karas, o líder do grupo neonazista ucraniano C14, que os verdadeiros fatores determinantes da política de poder na Ucrânia, na verdade jamais foram as enquetes de opinião pública nem as eleições.
Como a famosa gravação da conversa de ‘fuck the EU’ [foda-se a União Europeia] de 2014 entre Victoria Nuland e o então embaixador dos EUA na Ucrânia, Jeffrey Pyatt, revelou a um mundo estupefato, na verdade o povo ucraniano não decide quem governa o seu país. Após a chamada ‘Revolução da Dignidade’, na qual os ucranianos literalmente morreram pela ‘democracia’, os EUA seguiram adiante para ‘influenciar’ a lista do recém-formado governo ucraniano — especificamente sobre os membros de grupos neonazistas como Svoboda e Pravyi Sector (Setor de Direita), que detiveram cinco postos sênior no novo governo, incluindo o cargo de vice-primeiro-ministro.
Mas os neonazistas não têm recebido apoio ocidental só na esfera política.
Em outubro de 2021, em reação à sua falida visita diplomática à Rússia, Victoria Nuland, segundo o jornalista francês Thierry Meyssan, foi adiante e ‘impôs’ Dmytro Yarosh ao presidente Zelensky. Em 2 de novembro de 2021, o presidente Zelensky nomeou Dmytro Yarosh (líder do grupo paramilitar neonazista ultranacionalista afiliado ao Setor de Direita, 2013 – 2015) como Conselheiro do Comandante-Chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Valerii Zaluzhnyi. Nuland tem ascendência judaico-ucraniana, portanto o seu atual apoio aos neonazistas no governo e no exército ucraniano desde 2014 é perturbador em múltiplos níveis.
O Setor de Direita tem conexões íntimas com o Trident (Tryzub) e o Patriot da Ucrânia. Estes três grupos são movimentos nacionalistas de ultra-direita, neonazistas e paramilitares, bem como são partidos políticos. Yarosh era o líder do Tryzub desde 2005. O Tryzub liderou a formação do Setor de Direita, do qual Yarosh também era o líder entre 2013 e 2015 e continua a ter um alto grau de influência nestes grupos. Dmytro Yarosh estava na lista de ‘procurados’ da Interpol desde 2014; apesar de ter sido inexplicavelmente retirado da lista internacional dos procurados da Interpol em 2016, ele permanece na seção de ‘pessoas procuradas’ no website da Interpol. A Interpol recusou-se a comentar ao Kyiv Post sobre as razões disto.
É dito aos ocidentais que o Setor de Direita é meramente um partido nacionalista ucraniano preocupado em defender a liberdade do povo ucraniano. Svoboda também é vendido ao Ocidente como um movimento romântico de nacionalistas ucranianos benignos, que também apoiam Stepan Bandera.

Os neonazistas também receberam treinamentos contínuos da CIA, das SAS (Special Air Service) britânicas, bem como de outros países da OTAN — como o Canadá — desde 2014, e isso continua até hoje, como foi confirmado pelo The Times, Ottawa Citizen, CTV News e Radio Canada. O governo canadense tentou negar ter qualquer conhecimento sobre o treinamento dos militantes neonazistas na Ucrânia e alegou que eles não são responsáveis por verificar quem eles efetivamente estão treinando, já que esta é uma responsabilidade do governo ucraniano. No entanto, estas alegações de inocência caíram por terra quando os próprios neonazistas que eles estavam treinando foram adiante e publicaram fotos nas suas contas de mídias sociais, exibindo os seus distintivos, que os identificam como tais durante as sessões de treinamento com as forças canadenses, bem à vista, para todos verem.

No mesmo dia do sinistro tweet da OTAN, no Dia Internacional da Mulher, de um soldado ucraniano com o símbolo oculto do Sol Negro Nazista; as fotos apareceram também no Twitter feed da NEXTA, mostrando o batalhão neonazista Azov recebendo treinamento de instrutores de “países da OTAN’ sobre como usar lançadores de granadas NLAW.


O partido ultranacionalista Setor de Direita também apareceu em campo com os lançadores NLAW fabricados no Reino Unido.

O Secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, contou Câmara dos Comuns em 9 de março que “até hoje, nós entregamos 3.615 lançadores de granadas NLAW às forças ucranianas e continuamos a enviar mais. Dentro em breve, também começaremos a entregar uma pequena consignação de mísseis antitanques Javelin”. Para ver uma lista completa de todos os armamentos enviados à Ucrânia desde 2014 por todos os países envolvidos, refira-se aqui.
Para os especialmente inflexíveis de que os neonazistas não fazem parte ‘oficialmente’ do exército ucraniano, vocês devem ser informados que o Batalhão Azov faz parte da Guarda Nacional Ucraniana portanto, oficialmente, fazem parte das forças militares ucranianas.
Andriy Biletsky, o primeiro comandante do Batalhão Azov e, posteriormente, um parlamentar do Corpo Nacional, liderou a organização paramilitar neonazista ‘Patriot of Ukraine’; uma vez, em 2010, ele declarou que a missão da nação ucraniana era “liderar as raças brancas do mundo numa cruzada final… contra os ‘Untermenschen’ [os subumanos] liderados pelos Semitas”.

Em 2019, o Soufan Center, que rastreia terroristas e grupos extremistas em todo o mundo, advertiu:
“O Batalhão Azov está emergindo como um nó crítico da rede transnacional extremista violenta de direita… [A sua] abordagem agressiva à formação de redes serve a um dos objetivos abrangentes do Batalhão Azov — transformar as áreas da Ucrânia sob o seu controle em um eixo básico da supremacia branca transnacional”.
O Soufan Center descreveu como a “agressiva formação de redes” do Batalhão Azov se estende por todo o mundo para recrutar combatentes e espalhar a sua ideologia de supremacia branca. Os combatentes estrangeiros que se treinam e lutam com o Batalhão Azov depois retornam aos seus próprios países para aplicarem o que aprenderam e para recrutar outros.
Em 2014, a revista Newsweek publicou um artigo intitulado “Ukranian Nationalist Volunteers Commiting ‘ISIS-Style’ War Crimes”. Será que esta é uma indicação de que tanto o Azov quanto o Estado Islâmico receberam os seus financiamentos e treinamentos exatamente das mesmas fontes? Um dos conselheiros do presidente Zelensky, Oleksiy Arestovych, declarou em inúmeras entrevistas a sua aberta admiração pelas táticas do ISIS/ISIL e a sua abordagem dos negócios e da governança.Recentemente, a OTAN foi tão longe ao ponto de fazer um filme honrando os colaboradores nazistas bálticos e os ‘Forest Brothers’ [Os Irmãos da Floresta]. O filme da OTAN celebra os ‘Forest Brothers’, antigos combatentes da Waffen SS que colaboraram voluntariamente com os nazistas, como heróis anticomunistas.

Dovid Katz, um importante historiador e investigador antinazista condenou o filme da OTAN por reescrever a história:
“Ao ir além de fechar os olhos para a adoração das forças pró-Hitler na Europa Oriental… [a OTAN] está cruzando a linha diretamente, para oferecer a sua legitimação moral das forças nazistas, como os Waffen SS da Letônia.”David Ignatius, o colunista do Washington Post e uma confiável voz representativa do aparato de inteligência dos EUA, assinalou que, até antes da invasão russa na Ucrânia, “os EUA e os aliados da OTAN [estavam] prontos para prover armamentos e treinamento para uma longa batalha de resistência.”
Em setembro de 1991, Ignatius escreveu o seguinte para o Washington Post:“
A grande revolução democrática que varreu o globo nos últimos anos foi um triunfo de ação aberta. Os velhos caras da CIA gastaram uma geração fantasiando sobre este tipo de golpe anticomunista global. Porém, quando isto finalmente ocorreu, ficou a descoberto… Trabalhando à luz do dia, os EUA e os seus aliados conseguiram fazer coisas que teriam sido impensavelmente perigosas se tivessem sido feitas nas sombras… Preparando o solo para o triunfo da ação aberta nos últimos meses, estava uma rede de operadores abertos que, durante os últimos 10 anos, estiveram mudando as regras da política internacional silenciosamente. Eles estavam fazendo publicamente aquilo que a CIA costumava fazer em privado… O velho conceito de ação clandestina, que resultou em muito problemas para a agência durante os últimos 40 anos, talvez esteja obsoleto. Atualmente, as ações sensatas para apoiar os amigos dos EUA no exterior (ou para debilitar os seus inimigos) provavelmente são melhor feitas de maneiras abertas. Isto inclui operações paramilitares como o apoio aos combatentes pela liberdade que podem ser gerenciados abertamente pelo Pentágono. E isto inclui operações de apoio político aos ativistas pró-democracia, que podem ser melhor deixadas a cargo da nova rede de operadores abertos.… Os caras das operações clandestinas eram então conhecidos como o ‘Office of Policy Coordination’ [o Escritório de Coordenação Política]. Finalmente, pode haver chegado a hora de dizer-lhes adeus. Eles são obsoletos. Eles foram privatizados. Isto é especialmente verdadeiro no campo daquilo que usava-se chamar de “propaganda”. Frank Wisner, o chefe das operações clandestinas da CIA em meados dos anos de 1950, comentou uma vez que ele poderia tocar os ativos das mídias como ‘um poderoso Wurlitzer’ [um órgão elétrico de alta potência]. Atualmente, o poderoso órgão Wurlitzer efetivamente existe. Ele se chama CNN.
… Allen Weinstein… provavelmente é o decano nos novos operadores abertos. Assim como muitas das pessoas que operam as novas nações da Europa Oriental, ele é um ex-professor universitário… e até trabalhou durante alguns meses escrevendo editoriais para o Washington Post… Agora, com a KGB em retirada desde Praga até Vladivostok [lembrem-se que a União Soviética se dissolveu em 26 de dezembro de 1991], Weinstein agendou uma conferência em Sofia, na Bulgária, sobre o tema de: ‘O papel apropriado das agências de inteligência numa democracia’. Isto pode estar sendo forçado.
… ‘Muito do que nós fazemos atualmente era efetuado clandestinamente pela CIA há 25 anos’ concorda Weinstein. A maior diferença é que, quando tais atividades são feitas abertamente, o potencial de insucesso é próximo de zero. A abertura é a sua própria proteção… Allen Weinstein é apenas um dos muitos operadores abertos que ajudaram a preparar o caminho para os milagres políticos dos dois últimos anos… Vale lembrar mais alguns deles, para mostrar a amplitude deste movimento pela democracia: William Miller, do Comitê Estadunidense para as Relações EUA-Soviéticas; o financista George Soros, da Fundação Soros; John Mroz, do Centro para Estudos de Segurança oriente-ocidente; John Baker, do Conselho Atlântico; e Harriett Crosby do instituto para as Relações Soviético-Estadunidenses. Esta foi realmente uma revolução feita por um comitê. A AFL-CIO [confederação sindical] também merece um saudável tapinha nas costas. Trabalhando na sua maior parte abertamente, ela ajudou a manter vivo o sindicado polonês Solidariedade nos dias obscuros da lei marcial durante o início dos anos de 1980. Como escreveu Adrian Karatnycky, da AFL-CIO, naquelas páginas há dois anos, os sindicatos estadunidenses e o Congresso dos EUA proveram milhões de dólares ao Solidariedade clandestino.
O papai rico das operações abertas tem sido o ‘National Endowment for Democracy, um grupo quase-privado chefiado por Carl Gershman [nota da autora: e Weinstein] que é financiado pelo Congresso dos EUA. Durante o final dos anos de 1980, ele fez abertamente aquilo que uma tinha sido indizivelmente clandestino…
Este fundo também foi ativo na União Soviética. Ele deu dinheiro aos sindicatos soviéticos; ao ‘Grupo Interregional’ liberal no Congresso dos Deputados Populares [Duma]; para uma fundação chefiada pelo ativista russo Ilya Zaslavsky; para um Projeto de História Oral chefiado pelo historiador soviético Yuri Afanasyev; para o movimento ucraniano de independência conhecido como ‘Rukh’ e para muitos outros.
Os financiamentos clandestinos para estes grupos teriam sido o beijo da morte, caso fossem descobertos. Aparentemente, o financiamento aberto tem sido o beijo da vida.
Isto dá uma nova conotação ao slogan do Washington Post, “Democracy Dies in Darkness” [a democracia morre na escuridão]. Quer dizer, escuridão aberta.
Allen Weinstein, um antigo trotskista, é o fundador do National Endowment for Democracy (NED), juntamente com Carl Gershman. Notem como Ignatius menciona a infiltração deles nos sindicatos (AFL-CIO).
Suponho que a NED teve recentemente uma mudança de ideia sobre “a abertura é a sua própria proteção”. Jeremy Kuzmarov escreve num artigo para Covert Action Magazine intitulado “National Endowment for Democracy Deletes Records of Funding Projects in Ukraine” (NED Deleta os Registros de Financiamentos para Projetos na Ucrânia).“O National Endowment for Democracy (NED) — uma derivação da CIA fundada no início dos anos de 1980 para fazer avançar iniciativas para ‘a promoção da democracia’ no mundo — deletou do seu banco de dados ‘Awarded Grants Search’ [Busca de Doações Concedidas] todos os registros de financiamentos de projetos na Ucrânia.
A página web arquivada capturada em 25 de fevereiro de 2022 às 14:53 mostra que a NED doou US$ 22,394,281 na forma de 334 prêmios para a Ucrânia desde 2014 até o presente. A captura de tela às 23:10 do mesmo dia diz ‘Nenhum resultado encontrado’ para a Ucrânia. Até o momento presente, ainda diz ‘Nenhum resultado encontrado’ para a Ucrânia…
A deleção dos registros da NED é necessária para validar a grande mentira do governo Biden — ecoada nas mídias — de que a invasão russa na Ucrânia foi ‘não-provocada’.”
Quem sofrerá mais neste plano de uma longa batalha de resistência? O povo ucraniano. Como declarou recentemente o Senador Lindsay Graham, sobre o seu papel celebratório em aprovar a legislação para enviar bilhões de dólares em ajuda letal à Ucrânia, “gosto do caminho estrutural no qual nos encontramos aqui. Conquanto que ajudemos a Ucrânia com os armamentos que ela necessita e o apoio financeiro, eles lutarão até a última pessoa”. Isto quer dizer, até o último ucraniano.
Se a principal razão de Putin para entrar na Ucrânia é a de ‘desnazificar’ o país e a CIA, a OTAN e companhia estão persistentemente ‘nazificando’ os componentes políticos e militares da Ucrânia, pode-se ver como qualquer esperança de ter um resultado pacífico na Ucrânia se impossibilita.
Você também pode entender como a entrada da Ucrânia na OTAN era inaceitável para a liderança russa, meramente dada a sua localização geográfica (a distância entre a fronteira ucraniana e Moscou é de 450 quilômetros). No entanto, quando se considera que a OTAN também está envolvida na promoção de militantes neonazistas na Ucrânia e que agora, quando estamos escrevendo isto, tanto a Suécia quanto a Finlândia também expressaram o seu desejo de entrar na OTAN (sem qualquer referendo, já que a democracia está oficialmente morta na Guerra Fria 2.0), podemos ver uma tempestade perfeita prestes a tomar forma.

No entanto, isto não é apenas uma ameaça para a Rússia. A realidade da situação é que a Ucrânia está em uma guerra civil nos últimos oito anos (desde 2014), apesar que a maioria das mídias ocidentais se recusam a reconhecer este fato tão importante.
Ivan Katchanovski, Professor de Estudos Políticos da Universidade de Ottawa (Canadá), disse ao MintPress News:
“As pessoas que aceitam o valor de face da cobertura das mídias ocidentais teriam uma percepção muito distorcida do conflito na Ucrânia e a sua origem… Eles omitem ou negam haver uma guerra civil no Donbass, apesar da maioria dos estudiosos que publicaram ou presenciaram este conflito nos foros acadêmicos ocidentais classificam isso como uma guerra civil com uma intervenção militar russa. As mídias ocidentais também omitem que as recentes ‘marchas de unidade’ em Kharkiv e Kiev e o treinamento encenado de civis… foram organizados e chefiados pela extrema-direita, em especial, pelos neonazistas do Batalhão Azov”.
O falecido Robert Parry, do Consortium News, escreveu:
“No domingo, um artigo de Andrew E. Kramer no Times mencionou o emergente papel dos paramilitares neonazistas nos últimos três parágrafos… Em outras palavras, as milícias neonazistas que surgiram na liderança dos protestos anti-Yanukovych… agora foram organizadas como tropas de choque, despachadas para matar russos étnicos no leste [da Ucrânia] — e eles estão operando tão abertamente que até içam uma bandeira neonazista parecida com uma suástica sobre uma aldeia conquistada, com uma população de cerca de 10.000 pessoas.
Esconder esta informação no final de um longo artigo também é típico de como o Times e outros veículos mainstream de notícias nos EUA têm geralmente lidado com o problema neonazista no passado. Quando a realidade é mencionada, isto requer que o leitor saiba muito sobre a história da Ucrânia e leia nas entrelinhas de um relato de notícias dos EUA”.

Na imagem acima, que delineia a distribuição das populações étnicas ucranianas e russas na Ucrânia, você pode entender como uma visão ultranacionalista que identifica somente ucranianos étnicos seria o catalisador para uma guerra civil.
É compreensível que o povo do Donbass tenha pedido a independência da Ucrânia, com os resultados das eleições de 2014 em Donetsk e Lugansk mostrando um apoio massivo à separação. No entanto, o governo ucraniano se recusou a permitir isso e não interviu para encontrar uma resolução pacífica. O que isto significa? Que a guerra só pode terminar quando um lado estiver completamente morto. Portanto, não deveria haver qualquer mistério de porque as regiões predominantemente étnorussas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye votaram para reunificarem-se com a Rússia em setembro de 2022 e não deveria haver qualquer mistério de porque nem Kiev, nem a OTAN, nem os EUA se recusam a reconhecer a legitimidade deste referendo.
O apoio dos EUA e da OTAN aos neonazistas na Ucrânia ficou tão ruim que, em 2018, o Congresso estadunidense teve que proibir que os EUA enviassem mais armamentos para as milícias ucranianas ligadas aos neonazistas, mencionando especificamente o Batalhão Azov. Por alguma razão, esta proibição duraria apenas três anos.
Porém, você pode dizer: e os crimes da Rússia contra o povo ucraniano? Será que eles não são muito piores, ou até mais perversos que os neonazistas? Nominalmente, pelos bombardeios do teatro de Mariupol (16 de março de 2022) e o massacre de Bucha (31 de março de 2022). Minuciosas investigações jornalísticas já foram feitas sobre o primeiro caso, que demonstraram conclusivamente que o bombardeio do teatro de Mariupol foi uma notícia falsa.
Quanto ao massacre de Bucha, não foram apresentadas evidências que provem conclusivamente quem cometeu esta atrocidade. Houve apenas repetidas e recicladas asseverações que sequer chegam próximas a qualquer coisa que se poderia considerar como evidência. Lembre-se que os ataques químicos na Síria também foram sustentados por repetidas asserções de que o governo de Assad fosse o culpado. Em 2013, o jornalista investigativo Seymour Hersh escreveu uma reportagem intitulada “O Sarin de Quem”, o qual provou conclusivamente que as asserções populares que estavam sendo empurradas pelo governo Obama na sua tentativa de incriminar o governo sírio, na verdade eram falsas. Ao invés disso, a investigação de Hersh apontou para o fato que os verdadeiros terroristas que usaram o gás Sarin contra os civis sírios eram aqueles mesmos rebeldes que recebiam financiamento e armas anglo-americanas.
Infelizmente, o tempo é essencial para a investigação de crimes como estes e, apesar dos alaridos sobre a desumanidade de tais eventos, sempre há um pesado arrastar-de-pés, ou mesmo a total rejeição de qualquer tentativa de estabelecer investigações oficiais e neutras de tais cenas de crimes. Por que é assim?
A Rússia pediu ao Conselho de Segurança da ONU que fizesse uma investigação do massacre de Bucha. A China também pediu uma investigação oficial sobre isto e recebeu uma retaliação por suspender a atribuição de culpabilidade até que todos os fatos fossem conhecidos. Por que uma investigação oficial foi repetidamente recusada? Este deveria ser o protocolo oficial para tais assuntos. Ao invés disso, a resposta a isso foi que a ONU suspendeu a Rússia do seu corpo de direitos humanos. Fazendo isso, não só rejeitou a investigação oficial sobre o massacre de Bucha, mas negou à Rússia uma voz para responder sobre o tema.
O elefante perturbador na sala em tudo isso é que o Batalhão Azov já foi considerado culpado de atrocidades similares contra o seu próprio povo ucraniano — o que foi minuciosamente investigado por Max Blumenthal e Esha Krishnaswamy no seu estudo “’One less traitor’: Zelensky oversees compaign of assassination, kindnaping and torture of political opposition”.
O Batalhão Azov também foi considerado culpado de colocar cidadãos ucranianos em perigo de propósito ao posicionarem a sua artilharia e tropas em áreas e em prédios residenciais, incluindo creches e hospitais, os quais até o The Washington Post teve que reconhecer no seu artigo erroneamente intitulado “Russia has killed civilians in Ukraine. Kyiv’s defense tactics add to the Danger” [A Rússia matou civis na Ucrânia. As táticas de defesa de Kiev aumentam o perigo]. No entanto, estas não são simplesmente “táticas de defesa”, elas são flagrantes crimes de guerra reconhecidos como tais pela lei internacional. Estes crimes de guerra são publicamente reconhecidos como estando em andamento, causando mortes de um número significativo de ucranianos. Só para ser clara aqui, durante tempos de guerra, o que o The Washington Post também reconhece, os soldados e os armamentos ucranianos são alvos legítimos para as forças militares russas. Não é a Rússia que está cometendo crimes de guerra aqui, é o governo ucraniano. Eles foram literalmente pegos usando o seu próprio povo como escudos humanos. Será que isso ainda soa como um movimento nacionalista patriótico para o bem-estar e a soberania do povo ucraniano?
Em novembro de 2015, foi proposta pela Rússia uma resolução da ONU condenando a glorificação do nazismo. De um total de 126 estados-membros, 53 países, incluindo os estados-membros da União Europeia, se abstiveram de votar, e quatro países votaram contra a resolução: Canadá. Palau, EUA e Ucrânia.
Na verdade, desde 2014 até o ano corrente (2022), os EUA e a Ucrânia votaram com um retumbante “Não” nas resoluções da ONU que são propostas todos os anos.
Em 1º de janeiro de 2022. Centenas de nacionalistas ucranianos realizaram uma marcha de tochas na capital de Kiev, para marcar o nascimento de Stepan Bandera, um dos líderes da Organização de Ucranianos Nacionalistas (OUN) e a sua unidade paramilitar, o Exército Rebelde Ucraniano (UPA), que lutaram ao lado dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e massacraram dezenas de milhares de judeus e poloneses. Os ucranianos nacionalistas foram vistos ostentando a bandeira de Svoboda e da UPA ‘Sangue e Solo’ na marcha de tochas.
*Cynthia Chung é a Editora-Chefe e cofundadora da ‘Rising Tide Foundation’ e uma escritora e presidenta da ‘Strategic Culture Foundation’, ambas sediadas em Montreal, Quebec, Canadá. Ela publica o seu próprio website na plataforma Substack. Ela palestrou sobre tópicos da Estética de Schiller, tragédias de Shakespeare, história de Roma, a Renascença Florentina, entre outros temas. Ela é uma autora contribuinte da série de livros “The Clash of the Two Americas”. Em 2022, ela publicou o livro “The Empire on Which the Black Sun Never Set: The Birth of International Fascism and Anglo-American Foreign Policy”.
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