Cristina pode dar vexame e não entregar a faixa a Macri

Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, decidiu não entregar ao sucessor, o opositor Mauricio Macri, a faixa e o bastão presidenciais; segundo o chefe do serviço secreto de Cristina e ex-secretário da Presidência, Oscar Parrilli, "não estão dadas as condições" para que a presidente participe da cerimônia de posse nesta quinta (10); os dois bateram boca nas redes sociais depois dele ter cobrado 'a tradição de receber a faixa na Casa Rosada'

acto en la bolsa de comercio por la cancelacion deuda boden 2012 02-08-12 CRISTINA Y MACRI EN LA BOLSA DE COMERCIO. FOTO, NESTOR SIEIRA.
acto en la bolsa de comercio por la cancelacion deuda boden 2012 02-08-12 CRISTINA Y MACRI EN LA BOLSA DE COMERCIO. FOTO, NESTOR SIEIRA. (Foto: Roberta Namour)


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247 - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, decidiu não entregar ao sucessor, o opositor Mauricio Macri, a faixa e o bastão presidenciais. 

O chefe do serviço secreto de Cristina e ex-secretário da Presidência, Oscar Parrilli, disse que "não estão dadas as condições" para que a presidente participe da cerimônia de posse de Macri, nesta quinta (10).

Entenda o impasse na reportagem de Monica Yanakiew – Correspondente da Agência Brasil

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O empresário Mauricio Macri – que foi presidente do Club Atlético Boca Juniors e prefeito da capital, Buenos Aires, durante os últimos oito anos – quer prestar juramento no Congresso, como determina a Constituição. De lá, ele quer seguir pela Avenida de Mayo até a Casa Rosada, para receber das mãos de Cristina a faixa presidencial e o bastão de mando (um bastão prateado, fabricado especialmente para cada presidente). Segundo ele, é o que dita a tradição (interrompida na crise de 2001, quando o então presidente Fernando de La Rua renunciou, em meio a protestos nas ruas).

Cristina defende que toda a cerimônia ocorra no Congresso. Foi assim na posse do marido dela, Nestor Kirchner, em 2003 – primeiro presidente eleito pelo voto popular, depois de sucessivos governos interinos, escolhidos pelo Congresso para fazer a transição. Ela sucedeu o marido em 2007 e foi reeleita em 2011, um ano após a morte dele. Nas duas ocasiões, Cristina tampouco fez cerimônia de posse na Casa Rosada.

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Diante da falta de consenso, no sábado (5), Macri divulgou à imprensa um comunicado com o programa da cerimônia de transmissão de cargo. Segundo seus assessores, ele conversou por telefone com Cristina Kirchner para “informar” à presidenta o roteiro da cerimônia: juramento no Congresso às 12h e entrega da faixa e do bastão presidencial na Casa Rosada, às 13h30.

Cristina respondeu pelo Twitter, acusando Macri de ter gritado com ela no telefone e de ter maltratado “uma mulher”. Ela explicou que não queria estender a sua presença na posse porque tinha um voo comercial para Rio Gallegos (no sul da Argentina) às 15h, a fim de participar da cerimônia de posse da cunhada, Alicia Kirchner, como governadora da província de Santa Cruz.

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“Aqui acabou meu amor”, disse Cristina. Ela acrescentou que não tem obrigação de seguir Macri até a Casa Rosada porque não é a “acompanhante” dele; que a cerimônia do dia 10 de dezembro não é a “festa de aniversário” dele, mas da posse do “presidente de todos os argentinos”; e que não vai continuar “tolerando em silêncio o maltrato pessoal e público”, que – segundo ela - tem recebido. Cristina disse ainda que plantou, no jardim da Quinta de Olivos (residência presidencial) flores amarelas – segundo ela, a cor predileta de Macri.

Foi a vice de Macri, Gabriel Michetti, que respondeu à presidenta, dizendo que Macri sempre foi “muito educado” e nunca levantou a voz. “Me da pena ter que responder às mensagens eletrônicas da senhora presidenta da Nação porque é triste que logo ela falte com a verdade”, disse.

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Para dirimir a incógnita sobre quem tem o direito de decidir o quê sobre a cerimônia de transmissão de mando, foi consultado o Escrivão-Geral da Nação, Natalio Etchegaray, que citou o Artigo 93 da Constituição: Cristina Kirchner é presidenta até o momento em que Mauricio Macri prestar juramento perante ao Congresso. A partir dai, quem responde pela Casa Rosada e ele.

Juan Carlos Pallarols – o artesão que desde o retorno do país à democracia, em 1983, fabricou os bastões de mando de 12 presidentes argentinos – disse que se não houver acordo entre a presidenta que sai e o presidente que entra, vai acabar entregando o bastão à Virgem de Lujan (padroeira da Argentina).

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