Crise ucraniana só será resolvida por acordo entre Rússia e EUA, diz MRE húngaro

Szijjarto também expressou pesar por ter sido único representante da União Europeia a ter realizado reunião com MRE russo, Sergei Lavrov, nas margens da Assembleia Geral da ONU

Joe Biden e Vladimir Putin
Joe Biden e Vladimir Putin (Foto: Reuters)


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Sputnik Brasil - A crise na Ucrânia não será resolvida sem um acordo entre a Rússia e os Estados Unidos, não importa o que os outros países pensam sobre o assunto, disse em uma entrevista à Sputnik o primeiro-ministro húngaro Peter Szijjarto.

"Eu penso – e provavelmente estou errado, já que é uma posição impopular – mas eu na realidade penso que, sem um acordo entre a Rússia e os EUA, sem conversas entre a Rússia e os EUA, a situação nunca será resolvida, não importa se nós gostamos disso ou não. É a nossa posição. Pode ser errada, mas suponho que para resolver esta […] situação é preciso organizar o mais rápido possível o diálogo russo-norte-americano", afirmou Szijjarto, que atualmente está em Nova York para participar da sessão da Assembleia Geral da ONU.

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O chefe da diplomacia húngara também comentou a opção de enviar forças da OTAN para a Ucrânia, visto que a variante tem sido discutida muito na mídia ocidental ao longo dos últimos meses. Segundo salientou o ministro, até hoje os países da aliança têm acordado evitar o envio de forças aliadas para a Ucrânia.

"Gostaríamos que estas decisões continuem em vigor", sublinhou Szijjarto.

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O chanceler húngaro também expressou pesar pelo fato de ter sido o único representante da União Europeia a realizar uma reunião com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, nas margens da Assembleia Geral da ONU. Segundo Szijjarto, deve-se aproveitar cada oportunidade para manter o diálogo com a Rússia.

"Lamento o fato de ter sido o único da União Europeia a conversar com ele, porque, se mais colegas nossos conversassem com Sergei Lavrov, isso poderia nos ajudar na resolução do conflito ou, pelo menos, certamente não reduziria essa probabilidade. Penso que, nas condições atuais, devemos aproveitar cada oportunidade", disse o ministro húngaro à Sputnik.

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Szijjarto salientou que mantém os contatos regulares com Lavrov.

"É por que eu acredito que é preciso seguir com o diálogo, especialmente nas condições atuais, quando as tensões estão se agravando, com o perigo de uma escalada da guerra sendo, infelizmente, real. Se não falarmos uns com os outros, agravaremos ainda mais", acrescentou.

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A Hungria está contra a eliminação do poder de veto na tomada de decisões relacionada com a política externa e segurança da UE, assegurou Szijjarto.

"Eles na realidade querem fazê-lo, mas nós não estamos de acordo. Os nossos colegas costumam falar sobre o respeito aos acordos europeus, o que nós partilhamos. Nestes acordos europeus, indica-se muito claramente que na área da política externa e segurança devem ser tomadas decisões unânimes, e nós seguimos isso", disse o ministro.

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Além disso, conforme o chanceler húngaro, embora a própria Hungria, graças aos fornecimentos da Rússia, possua reservas de combustíveis suficientes, em vários outros países da Europa será impossível sobreviver ao inverno sem o combustível russo.

"Não posso falar por outros países, mas quanto à Hungria, caso o fornecimento do gás russo seja suspenso, nós não conseguiremos superar o inverno. Agora nós podemos, já que temos bastante gás, mas para uma série de países europeus será impossível sobreviver ao inverno sem o gás russo. Mas não sei o que os próprios países da Europa Ocidental pensam sobre o assunto", disse Szijjarto.

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Voltando à crise ucraniana, Szijjarto reiterou que o risco de as tensões em torno da Ucrânia se transformarem em um conflito direto entre a Rússia e a OTAN não desaparecerá até o fim do conflito.

"Ao chegar a Nova York, eu esperava que a Assembleia Geral da ONU trouxesse algumas notícias boas. Contudo, hoje já é sexta-feira [23], e a situação está ainda pior do que na segunda-feira", defendeu Szijjarto, afirmando que "se nós não o pararmos, as consequências serão colossais".

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