Crise no sistema hospitalar português obriga ministra da Saúde a deixar o cargo

A ministra portuguesa da Saúde, Marta Temido, anunciou sua demissão na noite de segunda-feira

Ministra portuguesa da Saúde, Marta Temido, foi elogiada por sua gestão da pandemia de Covid-19, mas não resistiu à crise no sistema hospitalar do país e pediu demissão
Ministra portuguesa da Saúde, Marta Temido, foi elogiada por sua gestão da pandemia de Covid-19, mas não resistiu à crise no sistema hospitalar do país e pediu demissão (Foto: REUTERS/Pedro Nunes)


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Da RFI - Apreciada por sua gestão da pandemia de Covid-19, Marta Temido era um dos membros mais populares do governo do premiê socialista Antonio Costa. Apesar disso, a ministra de 48 anos vinha sendo criticada pela oposição e por representantes dos profissionais da saúde em razão da crise nos hospitais do país, que sofrem pela falta de médicos, principalmente nos serviços de emergência das maternidades.

A mais recente polêmica foi a morte de uma mulher grávida, que não resistiu a uma parada cardíaca enquanto estava sendo transportada entre dois hospitais públicos de Lisboa. A vítima, uma jovem indiana que tinha acabado de chegar no país, havia sido transferida em razão da superlotação da maternidade.

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Segundo a nota divulgada pelo ministério da Saúde, a ministra apresentou sua demissão, pois considera que “deixou de ter condições para se manter no cargo". O primeiro-ministro, que aceitou o pedido, agradeceu Marta Temido por “todo o trabalho” realizado desde sua entrada no governo, em 2018, e ressaltou sua eficiência “durante todo o período excepcional de luta contra a pandemia de Covid-19”. O nome de seu substituto não foi divulgado.

O principal partido de oposição, de centro-direita, estimou que a saída da ministra acontece tarde demais, e acusa o chefe do governo de ser responsável pela crise nos hospitais. O bloco de esquerda, que também critica a falta de investimentos no sistema de saúde pública, declarou que “mudar de ministro sem mudar de política não avança nada”.

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Apesar da maioria absoluta obtida pelos socialistas nas eleições legislativas antecipadas de janeiro, o Executivo do premiê Antonio Costa não consegue emplacar desde então. Além de Marta Temido, outros nomes de peso de seu governo, como os ministros da Infraestrutura, Pedro Nuno Santos, e das Finanças, Fernando Medina, estão envolvidos em várias polêmicas.

Sistema público de saúde em crise

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Portugal não é o único país europeu que vem sofrendo com a falta de profissionais da saúde nos hospitais públicos. Na França, há meses os sindicatos chamam a atenção para uma crise que vem se consolidando há anos e que foi intensificada pela pandemia de Covid-19.

Em junho, dos 650 hospitais franceses que contam com unidades de pronto-socorro, 120 reduziram o atendimento. Vários serviços de emergência tiveram que fechar durante a madrugada ou no fim de semana por falta de pessoal.

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