Correspondente do 247 nos EUA participa de debate sobre os desafios da democracia no Brasil
Atividade foi organizada pelo CLACLS (Centro de Estudos Latino Americanos, Caribenhos) e Latinos do Lehman College da CUNY (Universidade da Cidade de Nova York)
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247 - Na última segunda-feira, Pedro Paiva, correspondente do Brasil 247 nos Estados Unidos, participou de um debate sobre os desafios do governo Lula e da democracia brasileira. A mesa foi a primeira realizada inteiramente em português pelo CLACLS no Graduate Center, na região central de Nova York. A mediação foi da professora e jornalista brasileira Mila Burns e também estavam presentes o professor Jorge Alvez (Queens College - CUNY) e, virtualmente, Thiago Amaro (FGV) e Juliana Maia Victoriano (Pluraliza).
A atividade abordou temas importantes, como o estado da democracia brasileira, a extrema-direita no país, as fake news e as principais batalhas que o governo petista deve travar no próximo período.
Tratando de democracia, Pedro Paiva afirmou que é imprescindível tratar do tema à luz da justiça social. “Para que a democracia de fato exista, você precisa da participação popular. E quando você tem um país com 33 milhões de pessoas passando fome, você tem um país com 33 milhões de pessoas que não têm tempo para participar do debate, porque elas estão passando fome. Tem um negócio muito mais grave acontecendo na vida delas”, disse o correspondente.
Um dos pontos que Pedro elencou como centrais para o governo Lula é a questão da democratização da mídia e da regulamentação das redes sociais. Em determinado momento da discussão, perguntando sobre sua visão em relação à neutralidade do jornalismo, estando em uma mídia que é vista por muitos como uma mídia que “tem lado”, Pedro respondeu: “Eu acho que toda mídia tem lado, de certa forma. Ela representa algum interesse que tá ali. Ela pode representar o interesse dos seus acionistas ou da família que é dona desta mídia, ou ela pode ter um ponto de vista outro sobre o mundo e defender um conceito de democracia, um conceito de justiça social… Ter os seus princípios”.
Outra questão abordada no debate foi a justiça. Para Juliana Maia Victoriano, o país não pode cair na mesma armadilha que caiu ao fim da ditadura militar. “É necessário uma justiça que dê conta de apurar e responsabilizar aqueles que cometeram atos antidemocráticos, aqueles que cometeram atos de corrupção, aqueles que negligenciaram e permitiram que as pessoas fossem deixadas à morte[..]”, disse a pesquisadora. Um dos episódios lembrados foi o dos Ianomâmis e a necessidade de se apurar e punir os responsáveis pelo genocídio na região amazônica.
Thiago Amparo, ao falar sobre o papel daqueles que não estão no governo, comentou: “Eu acho que a gente tá voltando a amadurecer a ideia de que críticas não necessariamente são ofensas e que, na verdade, a gente precisa pensar especialmente sobre críticas que são à esquerda”. Para o professor de direito da FGV, a pressão daqueles que estão fora do governo, inclusive em forma de críticas, é fundamental para a queda de braço interna entre os diferentes grupos que compõem a frente ampla vitoriosa em 2022. Ele ressaltou que estas críticas podem ser muito importantes para que o governo não deixe de lado as pautas da esquerda e dos grupos progressistas.
No debate sobre os desafios, Jorge Alvez lembrou que o resultado das eleições indica algumas das dificuldades. “Eu acho que, estruturalmente, a democracia no Brasil não mudou, mas o que as últimas eleições revelaram é o Brasil é bem menos progressista do que se pensava”, disse o professor da CUNY. Para Jorge, de forma objetiva, a democracia brasileira resistiu às tentativas de desestabilização, mas a eleição de 2022 acabou com o mito de que o Brasil caminha, cada ano mais, em um sentido mais progressista.
Participaram também da organização do evento os coletivos Defend Democracy in Brazil e o Kilomba.
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