Conservadores desabam e social-democratas são favoritos para suceder Merkel na Alemanha

Já na extrema-direita, a AfD parece fadada a repetir o desempenho de quatro anos atrás, quando obteve 12% dos votos

(Foto: REUTERS/Christian Mang/Pool)


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Opera Mundi - Pela primeira vez em 15 anos, o SPD (Partido Social-democrata da Alemanha) aparece numericamente à frente em uma pesquisa eleitoral no país. Os alemães vão às urnas no próximo dia 26 de setembro para escolher os novos membros do Bundestag (o Parlamento) e, por consequência, o sucessor da chanceler Angela Merkel (CDU), cujo partido tem desabado nas intenções de voto.

Segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (24/08) pelo Instituto Forsa e pela emissora RTL, o SPD aparece com 23% das intenções de voto, contra 22% da União (coligação de centro-direita entre os Democratas Cristãos da CDU e os Sociais-Cristãos da CSU), 18% dos Verdes, 12% dos liberais (cuja sigla é FDP - em alemão a sigla não é um xingamento), 10% para a AfD (Alternativa para a Alemanha, de extrema direita) e 6% para A Esquerda (partido herdeiro do SED, que governava a Alemanha Oriental até 1989).

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Se os sociais-democratas obtiverem mais cadeiras no Bundestag que a União, eles terão preferência para tentar formar governo - que seria liderado por Olaf Scholz, atual vice-chanceler e ministro das Finanças. 

Levantamentos mostram que Scholz vem se tornando um dos políticos mais populares da Alemanha nos últimos meses.

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Coalizão


Pelo resultado da pesquisa, nenhum partido, no entanto, conseguiria maioria absoluta no Parlamento, tendo que fazer alguma coligação para governar.

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Atualmente, a Alemanha é liderada por Merkel em uma coalizão União-SPD. Na última eleição, em 2017, a União obteve 32,9% dos votos, contra 20,5% dos social-democratas, tendo preferência, assim, para liderar o gabinete. 

Os números mostram uma perda de força significativa para os conservadores (União) em relação às últimas eleições, muito por efeito de repetidas gafes cometidas pelo candidato do grupo, o governador do estado federado da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, além do desgaste natural de 16 anos de CDU no poder.

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Em julho, a União aparecia com mais de dez pontos de vantagem para o SPD, mas a diferença evaporou. Vale lembrar que, em 2005, Merkel assumiu o governo das mãos de um social-democrata, o então chanceler Gerhard Schröder. 


Verdes, Esquerda e extrema-direita

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Até meados deste ano, a grande sensação da política alemã eram os verdes, que haviam obtido resultados significativos em pleitos regionais, reelegendo governadores e aumentando seu total de votos. 

A impressão de que um bom resultado estava por vir só aumentou quando a deputada Annalena Baerbock foi escolhida para ser a candidata do partido à chancelaria, já que os ambientalistas chegaram a liderar as pesquisas.

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No entanto, uma série de ataques (e escândalos) abalaram a candidatura de Baerbock. Seus adversários a acusam de ser inexperiente, já que nunca ocupou um cargo no Executivo. 

Além disso, ela precisou responder por “imprecisões” no currículo e por acusações de plágio em um livro, levando os verdes a uma queda nas pesquisas. 

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Na Alemanha, acusações de plágio em trabalhos acadêmicos já levaram à derrubada de um ministro (Karl-Theodor zu Guttenberg, da Defesa, em 2011).

Já na extrema-direita, a AfD parece fadada a repetir o desempenho de quatro anos atrás, quando obteve 12% dos votos. Naquela época, isso foi o suficiente para que o partido virasse a principal força de oposição no Bundestag. 

Hoje, porém, com o crescimento na intenção de votos de outros partidos, é possível que a posição não se repita. A AfD é mais forte no leste do que no oeste alemão.

Por sua vez, A Esquerda (Die Linke) aparece com 6% nesta pesquisa da Forsa. Se confirmado, o resultado seria inferior ao obtido em 2017 (9,2%) e ficaria muito próximo da cláusula de barreira de 5% necessária para entrar no Parlamento. 

O sistema eleitoral alemão é diferente do brasileiro e cada eleitor tem direito a dois votos: um, chamado de mandato direto, escolhe um candidato do distrito onde esse eleitor mora. O outro voto é dado a um partido, que apresenta uma lista de candidatos. 

Metade do Bundestag (que deve chegar a 775 cadeiras neste ano) é escolhido pelo mandato direto; a outra, pelos votos nas listas. 

A cláusula de barreira conta no segundo voto. O partido precisa ou conquistar 5% desses votos, ou obter ao menos três mandatos diretos no primeiro voto para entrar no Bundestag.

Por isso, é improvável que A Esquerda fique de fora do Parlamento, já que o partido ainda retém força em algumas áreas da antiga Alemanha Oriental (em especial em Berlim) e tem boas chances de conseguir mandatos diretos. 

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