Congressistas dos EUA questionam eleição de Bolsonaro e defendem Lula

Em carta enviada ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, 30 membros do Congresso norte-americano dizem ficar "alarmados com a ameaça que a agenda de Bolsonaro representa para a comunidade LGBTQ + e outras comunidades minoritárias, mulheres, ativistas trabalhistas e dissidentes políticos no Brasil"; parlamentares também lembram que Bolsonaro foi eleito depois que o ex-presidente Lula "amplamente reconhecido como o líder político mais popular no Brasil - foi impedido de concorrer em circunstâncias polêmicas que colocam em risco o direito do povo do Brasil de escolher livremente seu presidente"

Congressistas dos EUA questionam eleição de Bolsonaro e defendem Lula
Congressistas dos EUA questionam eleição de Bolsonaro e defendem Lula


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - Em carta enviada ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, 30 membros do Congresso norte-americano manifestam preocupação com a democracia no Brasil e todas as ameaças patrocinadas pelo presidente Jair Bolsonaro. Os parlamentar também lembram que "Bolsonaro foi eleito depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - amplamente reconhecido como o líder político mais popular no Brasil - foi impedido de concorrer em circunstâncias polêmicas que colocam em risco o direito do povo do Brasil de escolher livremente seu presidente".

"Ficamos particularmente alarmados com a ameaça que a agenda de Bolsonaro representa para a comunidade LGBTQ + e outras comunidades minoritárias, mulheres, ativistas trabalhistas e dissidentes políticos no Brasil. Estamos profundamente preocupados que, ao atacar direitos políticos e sociais duramente conquistados, Bolsonaro esteja pondo em perigo o futuro democrático do Brasil a longo prazo", acrescentam.

continua após o anúncio

"Os direitos dos trabalhadores e aqueles que os defendem também estão em perigo desde que o governo Bolsonaro eliminou o Ministério do Trabalho do Brasil, com as responsabilidades anteriormente consagradas no Ministério do Trabalho agora divididas entre três ministérios distintos", continuam.

"Bolsonaro também demonstrou uma clara hostilidade à própria democracia. Ele expressou sua admiração pela ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, elogiou a tortura e prometeu designar dissidentes como inimigos internos e membros de organizações terroristas".

continua após o anúncio

Leia a íntegra da carta:

_Ao honorável Michael R. Pompeo

continua após o anúncio

Secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos 

Caro Secretário Pompeo:

continua após o anúncio

Estamos escrevendo para enfatizar publicamente a importância de defender os direitos humanos do povo brasileiro. Desde a eleição do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro como presidente,

Como uma democracia ainda em desenvolvimento, o Brasil deve ser particularmente vigilante na proteção de suas instituições e na garantia da separação de poderes no país. Mesmo antes de Bolsonaro tomar posse, as tendências regressivas que pressionavam contra a democracia do Brasil eram claras. Deveria preocupar a todos aqueles que estão comprometidos com a democracia brasileira que Bolsonaro foi eleito depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - amplamente reconhecido como o líder político mais popular no Brasil - foi impedido de concorrer em circunstâncias polêmicas que colocam em risco o direito do povo do Brasil de escolher livremente seu presidente.

continua após o anúncio

Embora as eleições de outubro de 2018 tenham colocado Bolsonaro na Presidência, acreditamos que aqueles de nós que representam os Estados Unidos devem deixar claro que a fala e as ações que aumentam a divisão, o ódio e a exclusão ameaçam a democracia e suas instituições vitais. Estamos particularmente alarmados com o impacto que Bolsonaro, que se descreveu como "homofóbico" - e muito orgulhoso disso”, e fez afirmações odiosas contra indivíduos LGBTQ + ao longo de sua carreira política, terá sobre a comunidade LGBTQ + e dissidentes políticos. Numsinal claro do perigo enfrentado pela comunidade brasileira LGBTQ+ e dissidentes políticos, o  primeiro membro abertamente gay do Congresso Nacional do Brasil, Jean Wyllys, anunciou recentemente que renunciaria a sua posição e deixaria o Brasil devido aos temores por sua segurança em meio à crescente violência e intimidação contra indivíduos LGBTQ +.

Nas semanas que se seguiram à posse de Bolsonaro, ele já começou a minar os direitos dos indivíduos LGBTQ + e membros de outras comunidades minoritárias. No primeiro dia na Presidência, ele assinou decretos retirando os direitos LGBTQ + de seu status de direitos humanos protegidos bem como reduzindo as proteções à terra para comunidades indígenas e descendentes de escravos. A decisão de Bolsonaro de transferir o poder de regulamentar e criar reservas indígenas para o Ministério da Agricultura, juntamente com outras políticas que sinalizam sua intenção de buscar agressivamente o desmatamento na Amazônia, despertou profunda preocupação entre os defensores dos direitos indígenas e proteção ambiental - tanto no Brasil quanto no mundo.

continua após o anúncio

Nós também estamos preocupados com os direitos das mulheres sendo infringidos pelo governo Bolsonaro. A alta taxa de homicídios e outras formas de violência contra as mulheres no Brasil está bem documentada, e o histórico de declarações violentas e machistas de Bolsonaro contra as mulheres é extenso. A retórica degradante e desumanizante de Bolsonaro, combinada com ações como a assinatura de um decreto que amplia significativamente o acesso a armas, sugere que o abuso doméstico e outras formas de violência contra as mulheres não serão uma prioridade para seu governo. Recentemente, o governo de Bolsonaro anunciou que removeria as referências ao feminismo e à violência contra as mulheres dos livros escolares das escolas públicas, além das referências relacionadas à  comunidade LGBTQ +.

Os direitos dos trabalhadores e aqueles que os defendem também estão em perigo desde que o governo Bolsonaro eliminou o Ministério do Trabalho do Brasil, com as responsabilidades anteriormente consagradas no Ministério do Trabalho agora divididas entre três ministérios distintos. O Ministério da Justiça - normalmente voltado para atividades criminosas - recebeu a autoridade de conceder ou negar direitos de representação legal aos sindicatos em um processo cada vez mais politizado, capaz de estigmatizar e reduzir a atividade sindical vital e legítima.

continua após o anúncio

Bolsonaro também demonstrou uma clara hostilidade à própria democracia. Ele expressou sua admiração pela ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, elogiou a tortura e prometeu designar dissidentes como inimigos internos e membros de organizações terroristas. Em uma passeata, uma semana antes de sua eleição, Bolsonaro prometeu levar a cabo seus opositores políticos em "uma limpeza nunca vista antes na história do Brasil", sugerindo que adversários políticos como o candidato presidencial rival de 2018, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, poderia ser preso ou enfrentar a violência.

Estamos profundamente decepcionados pelo fato de que, longe de expressar a preocupação dos Estados Unidos com a defesa dos direitos humanos no Brasil, o governo fez declarações públicas elogiando Bolsonaro.

Como membros do Congresso, pretendemos continuar acompanhando de perto essa situação à medida que ela se desenrola. Como o principal diplomata de nossa nação, cabe a você representar os valores mais elevados da nação, defendendo os direitos fundamentais e a dignidade de todas as pessoas no Brasil.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247