Confronto entre Paris e Berlim paralisa a Europa

Enquanto Espanha e Itália despencam e Grécia pena para encontrar uma liderança política, Angela Merkel e François Hollande trocam ofensas públicas na defesa pelo modelo ideal contra crise; leia o relato de Roberta Namour, correspondente do 247 na França

Confronto entre Paris e Berlim paralisa a Europa
Confronto entre Paris e Berlim paralisa a Europa (Foto: Reuters)


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Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris – A dois dias das eleições de alto risco na Grécia, os mercados estão febris, as taxas de empréstimos na Espanha e na Itália estão em alta, mas a Europa segue ausente, paralisada por um confronto entre Paris e Berlim.

Céticos sobre o plano de salvação dos bancos espanhóis, os mercados estão mais preocupados sobre o quanto o resgate da Espanha  custaria para a Europa. 

Por contágio, a Itália, terceira maior economia da zona euro, viu suas taxas de empréstimo subir para mais de 6%, um recorde em seis meses. 

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Perante esta situação, a Europa não tem uma resposta comum tranquilizadora, pela seguinte razão: a França e a Alemanha não estão mais na mesma sintonia. 

Enquanto François Hollande exige "novos instrumentos financeiros", incluindo Eurobonds para acalmar os mercados, a Alemanha se opõe firmemente. Ela não aceita uma união bancária que faria do contribuinte alemão um escudo contra uma corrida de saques nos caixas da Europa.

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Para tornar as coisas claras, Angela Merkel fez quinta-feira um pronunciamento firme, dizendo que o resgate da área do Euro não pode cair sobre os ombros da Alemanha, "cujos recursos não são ilimitados." Acima de tudo, ela fez um alerta contra as soluções "fáceis" e "rápidas", até "medíocres", que trariam a crise da Europa de volta ao ponto de partida. 

Para Berlim, não haverá solução para a crise se suas duas raízes mais profundas não forem resolvidas: a dívida e a falta de competitividade. Não haverá transferências orçamentais ou "Eurobonds" sem uma união política real na Europa, o que requer grandes transferências de soberania.

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Sinal de extrema tensão que reina entre Paris e Berlim, Jean-Marc Ayrault, primeiro-ministro francês, logo convidou, em uma resposta extraordinariamente mordaz, "para não se deixar levar por fórmulas simplistas." Já o ministro do Trabalho, Arnaud Montebourg, criticou a "cegueira ideológica" de Angela Merkel.

Enquanto isso, Espanha e Itália veem suas situações financeiras se degradarem, ancorando ainda mais o contexto da Europa. 

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