Conferência de Segurança começa em Munique
A Rússia não participa pelo segundo ano consecutivo
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TASS - A situação na Ucrânia será o tema principal da Conferência de Segurança de Munique, que começa nesta sexta-feira (17).
Pela 59ª vez esse fórum se reúne, com centenas de políticos de todo o mundo, dirigentes das principais organizações internacionais, representantes de círculos empresariais e científicos e especialistas de 96 países.
A Rússia não participa da conferência em nível oficial pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, muitas pessoas se recusaram a participar devido à situação do coronavírus e possíveis dificuldades relacionadas às vacinas, enquanto este ano as autoridades russas não foram convidadas, pela primeira vez em mais de 20 anos.
Tal decisão tomada pelos organizadores foi anunciada anteriormente pelo presidente da conferência, Christoph Heusgen, que disse que representantes da sociedade civil russa iriam à capital da Baviera. A esse respeito, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, disse que a Conferência de Segurança de Munique foi completamente degradada, pois seus organizadores não convidaram os russos por medo de ouvir a verdade.
A decisão de não convidar autoridades da Rússia também foi criticada na Alemanha. Gregor Gysi, porta-voz de relações exteriores do Partido da Esquerda Alemã no Parlamento, criticou a oportunidade perdida de falar sobre o possível cessar-fogo na Ucrânia.
Os organizadores também não convidaram a liderança do Irã este ano, assim como o partido Alternativa para a Alemanha, de extrema-direita, que avalia criticamente a política do governo do país, inclusive em relação à Rússia.
Cerca de 45 chefes de Estado e de governo e cerca de 90 ministros devem chegar a Munique. Os Estados Unidos serão apresentados pela vice-presidente Kamala Harris e pelo secretário de Estado, Antony Blinken, com a presença esperada de congressistas. A delegação alemã chefiada pelo chanceler Olaf Scholz incluirá particularmente o ministro federal de Assuntos Econômicos e Ação Climática, Robert Habeck, a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, e o ministro da Defesa, Boris Pistorius, além de outros membros do gabinete.
Entre os participantes esperados estão o presidente francês Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, o diretor do Gabinete da Comissão de Relações Exteriores do Partido Comunista Chinês (PCCh), membro do Politburo do PCCh Wang Yi, o presidente polonês Andrzej Duda, o presidente finlandês Sauli Niinisto, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed al-Sudani, e o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit.
A União Europeia será representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Alto Representante da UE para as Relações Exteriores, Josep Borrell, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. Espera-se que o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, e a presidente da Moldávia, Maia Sandu, vão a Munique. A delegação da Ucrânia incluirá o ministro das Relações Exteriores, Dmitry Kuleba, bem como cerca de 20 parlamentares ucranianos. As organizações internacionais serão representadas pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, e muito mais.
A conferência começará nesta sexta-feira (17) com um discurso em vídeo do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky. No final do dia, Scholz e Macron falarão. Uma reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7 também está prevista para ocorrer paralelamente à conferência de Munique. Além disso, o chanceler alemão falará na conferência também nesta sexta-feira e depois responderá às perguntas dos participantes.
A situação na Ucrânia no contexto da ajuda militar fornecida pelo Ocidente vai se tornar o tema principal do fórum. O cientista político da Alemanha, Alexander Rahr, espera uma tentativa do Ocidente de demonstrar em Munique sua coesão na situação em torno da Ucrânia. Enquanto isso, o objetivo dos organizadores é mostrar que a Alemanha continua sendo um aliado confiável dos EUA nas questões de segurança europeia, sugere.
O futuro da Otan, a situação em Nagorno-Karabakh, a situação no Oriente Médio, na região do Indo-Pacífico, o programa nuclear iraniano estarão entre outros assuntos da agenda. À luz das consequências dos fortes terremotos na Turquia e na Síria, serão discutidas as questões das ações de socorro nesses países.
Há 16 anos, em 2007, o presidente russo Vladimir Putin se dirigiu à Conferência de Segurança de Munique com um discurso dedicado à política externa que teve ressonância internacional. O discurso focou na visão sobre o lugar e o papel da Rússia no mundo, considerando a realidade e as ameaças da época e a inaceitabilidade do modelo unipolar na política atual.
Putin apontou então que ações unilaterais, às vezes ilegítimas, não resolveram um único problema, mas muitas vezes geraram novas áreas voláteis, enquanto certas normas de alguns países, em primeiro lugar os EUA, cruzaram suas fronteiras. Ele observou que o direito internacional deve ser universal.
O presidente russo também destacou a importância de um equilíbrio de interesses na área de segurança, acrescentando que o mundo só pode se desenvolver com base em um modelo multilateral.
Um grande número de especialistas compartilha a opinião de que muitas das advertências de Putin se tornam realidade hoje em dia. A expansão da Otan, o mundo unipolar, os problemas na área do desarmamento, a degradação da OSCE, o problema nuclear iraniano, a segurança energética da Europa estão entre os temas mencionados pelo líder russo em Munique em 2007, que se tornaram ainda mais prementes.
A Rússia começou a participar da Conferência de Segurança de Munique no final da década de 1990. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, tradicionalmente chefiava a delegação do país. Em 2016, o primeiro-ministro russo Dmitry Medvedev participou da conferência de Munique.
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