'Com Evo ou sem Evo, nosso processo de mudança vai continuar na Bolívia', diz Evo Morales

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, obrigado a renunciar sob ameaças das forças armadas, no que se configurou como um golpe de Estado , informa que está em aberto se ele permanecerá no país onde se encontra ou se irá se mudar para a Argentina, onde também tem garantido asilo político. Ele define o processo que levou à sua deposição como um “golpe cívico, político e policial” e diz que pretende voltar à Bolívia, ainda que não seja candidato a presidente. “Não sou nenhum delinquente”. A assegura que seu partido, o MAS, ganhará as próximas eleições

Evo Morales
Evo Morales (Foto: Cebrapaz)


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247 - O ex-presidente boliviano Evo Morales fala em entrevista sobre o “golpe cívico, político e policial” que o depôs. Conta que pode se transferir do México para a Argentina, onde também pode ser acolhido como asilado político e que pretende voltar para seu país, deixando em aberto se no futuro será de novo candidato ou não à Presidência da República.  

Na entrevista, Evo considera uma injustiça que esteja sendo acusado de sedição e terrorismo e rebate as críticas de que errou ao se candidatar para um quarto mandato: "Na minha atividade social, sindical, eleitoral e política, nunca me conduzo com cúpulas, mas sempre escutando o povo. A Central Obrera Boliviana e outros setores sociais disseram que o único candidato [a presidente em 2019] era Evo Morales. Se cometi algum erro, foi ter aceitado [a vontade] do povo. Não sei se foi um erro no final. Houve uma eleição. Ganhamos no primeiro turno".  

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Afirma que o referendo para impedir sua candidatura à reeleição foi "o referendo da mentira", uma "campanha suja" contra ele.   

O ex-presidente boliviano diz que o golpe ocorreu agora porque "não perdoam porque nacionalizamos. Mudamos a matriz econômica e a Bolívia cresceu".  "Fui o presidente da melhor história da nossa amada Bolívia. Ninguém pode negar isso. Não fizeram em 180 anos o que fizemos em quase 14 anos. Foram recordes de redução da pobreza, de crescimento, de diminuição da desigualdade. Os dados estão aí. As futuras gerações vão julgar".  

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Evo denuncia que os golpistas passaram do racismo ao fascismo. "Começaram a perseguir militantes e autoridades do nosso governo. Queimaram suas casas e ameaçaram queimar suas famílias para que renunciassem. Na sexta (8), a polícia se amotina e se soma ao golpe. Queimam a casa da minha irmã. Saqueiam a minha casa. Não há polícia. Queimam a casa do presidente da Câmara, que renuncia. Os companheiros se mobilizam para, na segunda (11), recuperar a praça Murillo [no centro de La Paz] e a Casa Grande del Pueblo [sede do governo]. A polícia, amotinada, ia meter bala, massacraria meus companheiros. Renunciamos [no dia 10] para que não houvesse massacre".   

O ex-presidente diz que não teme voltar à Bolívia: "Não sou corrupto, não sou nenhum delinquente. Tenho o direito de voltar". Diz que mesmo que não seja candidato, seu partido , o MAS vai participar das eleições e ganhar. "Com Evo ou sem Evo, nosso processo de mudança vai continuar na Bolívia".

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