China reage a críticas contra plano para manter Xi Jinping no poder

O plano da China para manter o presidente Xi Jinping no poder indefinidamente provocou oposição nas redes sociais, incitando comparações com a dinastia reinante na Coreia do Norte e acusações sobre criação de um ditador vindas de um ativista pró-democracia de Hong Kong; a reação vista nas redes sociais logo levou a China a realizar um esforço de propaganda orquestrado, bloqueando alguns artigos e publicando textos de exaltação do partido

Homem tira foto de prato com imagem do presidente da China, Xi Jinping, em Pequim 26/02/2018 REUTERS/Thomas Peter
Homem tira foto de prato com imagem do presidente da China, Xi Jinping, em Pequim 26/02/2018 REUTERS/Thomas Peter (Foto: Gisele Federicce)


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Por Ben Blanchard e Michael Martina

PEQUIM (Reuters) - O plano da China para manter o presidente Xi Jinping no poder indefinidamente provocou oposição nas redes sociais, incitando comparações com a dinastia reinante na Coreia do Norte e acusações sobre criação de um ditador vindas de um ativista pró-democracia de Hong Kong.

A reação vista nas redes sociais na noite de domingo logo levou a China a realizar um esforço de propaganda orquestrado nesta segunda-feira, bloqueando alguns artigos e publicando textos de exaltação do partido.

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O governista Partido Comunista propôs no domingo a anulação de uma cláusula constitucional que estabelece um máximo de dois mandatos presidenciais, o que significa que Xi, que também comanda o partido e os militares, pode não ter que se aposentar nunca.

A proposta, que será aprovada por delegados fiéis ao partido na reunião anual do Congresso essencialmente simbólico da China no mês que vem, é parte de um pacote de emendas na Constituição do país.

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A medida também acrescentará à Carta Magna o pensamento político de Xi, já adicionado à Constituição partidária no ano passado, e estabelecerá um arcabouço legal para um poderoso organismo anticorrupção, além de fortalecer de forma mais ampla o controle rígido do partido no poder.

Mas parece que o partido terá trabalho para convencer algumas pessoas na China --onde atualmente Xi é muito popular, em parte graças à sua guerra à corrupção-- de que a medida não acabará dando poder demais ao seu líder.

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"Que horror, vamos nos tornar a Coreia do Norte", escreveu um usuário do Weibo em referência à nação onde a dinastia Kim reina desde o final dos anos 1940. Kim Il Sung fundou a Coreia do Norte em 1948, e sua família comanda o país desde então.

"Estamos seguindo o exemplo do nosso vizinho", escreveu outro usuário.

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Os comentários foram retirados do ar na noite de domingo, quando o Weibo, o equivalente chinês do Twitter, começou a bloquear nas pesquisas o termo "limite de dois mandatos".

Em uma medida incomum em meio à intensa atenção midiática internacional, o Ministério das Relações Exteriores chinês, que normalmente só comenta assuntos diplomáticos, disse que emendar a Constituição é assunto do povo chinês.

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Desde 1954, quando a Constituição foi adotada, todos podem ver que ela vem sendo "melhorada continuamente", disse o porta-voz da chancelaria, Lu Kang, em um boletim de rotina à imprensa.

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