China e Brasil compartilham papéis positivos pela paz e o desenvolvimento

Presidente Xi Jinping observou que, como parceiros estratégicos abrangentes, a China e o Brasil compartilham amplos interesses comuns

(Foto: Reuters)


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Global Times -  Ao expressar confiança no crescimento sólido e constante da relação China-Brasil, o presidente chinês, Xi Jinping, enfatizou a necessidade de os dois países se apoiarem mutuamente na exploração de seus próprios caminhos para o desenvolvimento e destacou o papel positivo de ambos na promoção da paz global, estabilidade e prosperidade, durante reunião com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (14). Os analistas elogiaram a reunião dos principais líderes por oferecer uma orientação clara para o desenvolvimento futuro dos laços e permitir que os dois países se envolvam melhor na governança global.

Na sexta-feira, o presidente Xi se encontrou com Lula em visita a Pequim, durante a qual o chamou de velho amigo em mais de uma ocasião e disse que está pronto para trabalhar com Lula de seu ponto de vista estratégico para orientar e criar um novo futuro para as relações da nova era com o Brasil e proporcionar maiores benefícios aos dois povos.

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O Presidente Xi observou que, como parceiros estratégicos abrangentes, a China e o Brasil compartilham amplos interesses comuns. A China sempre vê e desenvolve as relações com o Brasil de uma perspectiva estratégica e de longo prazo, e vê o relacionamento como uma alta prioridade em sua agenda diplomática.

Xi expressou sua confiança de que uma relação China-Brasil que continue desfrutando de um crescimento sólido e constante desempenhará um papel importante e positivo para a paz, a estabilidade e a prosperidade em suas regiões e além.

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O presidente brasileiro Lula disse estar honrado e orgulhoso por chefiar uma grande delegação em sua quarta visita à China. Esta é sua primeira visita fora das Américas desde que foi eleito presidente no ano passado. Essa escolha reflete o carinho do Brasil pela China e o compromisso com as relações Brasil-China.

A China é uma força indispensável na política global, economia e comércio, ciência e tecnologia, e desempenha um papel vital na promoção da paz e do desenvolvimento mundial. O Brasil está empenhado em estreitar as relações com a China na perspectiva estratégica de moldar uma ordem internacional justa e equitativa, disse Lula, expressando sua plena confiança de que as relações Brasil-China terão um futuro melhor.

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"Com esta visita, Lula pretende enviar um sinal claro e firme de que as relações China-Brasil sob seu mandato alcançarão novos patamares históricos", disse ao Global Times na sexta-feira Pan Deng, diretor executivo do Centro Jurídico da Região da América Latina e Caribe da Universidade de Ciência Política e Direito.

O fato de Lula poder superar as vozes internacionais e domésticas da oposição e seus próprios problemas de saúde para visitar a China, já que ele acaba de completar 100 dias no cargo, é revelador, disse Pan.

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Após a posse de Lula, o clima de diálogo político entre China e Brasil mudou, disse Zhou Zhiwei, especialista em estudos latino-americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), ao Global Times.

As relações China-Brasil haviam visto "política fria, mas economia quente" sob o governo anterior do presidente de direita Jair Bolsonaro, enquanto analistas preveem que os dois países adotarão uma "política e economia mornas" após a visita do presidente Lula, já que a confiança política aumentou bastante e a parceria estratégica abrangente foi enriquecida, disseram analistas.

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Após a reunião dos dois principais líderes na sexta-feira, a China e o Brasil divulgaram uma declaração conjunta sobre o aprofundamento de sua parceria estratégica abrangente.

 Trocas econômicas mais amplas

A cooperação econômica e comercial esteve entre os principais itens da agenda de Lula. Durante as conversações na sexta-feira, os dois líderes pediram uma cooperação bilateral mais profunda em áreas tradicionais e novas.

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Os dois dirigentes assistiram ainda à assinatura de vários documentos de cooperação bilateral que abrangem um vasto leque de áreas, incluindo comércio e investimento, economia digital e informação e telecomunicações.

O comércio China-Brasil não apenas aumentará em volume, mas também em escopo, especialmente quando os dois países estiverem trabalhando para impulsionar a recuperação econômica na era pós-pandemia, disseram analistas.

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"A visita de Lula à China promoveu grandemente a amplitude e a profundidade do comércio e investimento bilaterais", disse ao Global Times na sexta-feira Wang Youming, diretor do Instituto de Países em Desenvolvimento do Instituto de Estudos Internacionais da China em Pequim.

Wang destacou que a cooperação em áreas tradicionais, como minérios e produtos agrícolas (soja, milho e carnes), será ainda mais consolidada. Em campos emergentes, como economia digital, economia verde e alta tecnologia, os dois lados vão expandir a cooperação para formar um cenário em que o comércio tradicional e o novo andam de mãos dadas.

Durante as conversas bilaterais na sexta-feira, Lula mencionou sua visita à Huawei e disse estar impressionado com as conquistas da China em áreas como 5G, expressando a esperança de cooperação em áreas relevantes.

Wang disse que a cooperação China-Brasil no campo da ciência e tecnologia, como semicondutores, chips, 5G e satélites, é de grande importância, principalmente no combate à hegemonia tecnológica dos EUA.

"Em particular, a visita de Lula ao instituto de pesquisa da Huawei em Xangai enviou um forte sinal para o mundo exterior de que o Brasil implementará a independência estratégica e conduzirá cooperação científica e tecnológica aprofundada com a China. Este movimento tem um efeito de demonstração, e mais países em desenvolvimento seguirão o exemplo do Brasil no futuro", disse Wang.

 Busca compartilhada pela paz

Zhou Zhiwei, da CASS, observou que a maior importância da reunião de Xi e Lula reside na comunicação entre os dois principais países em desenvolvimento sobre assuntos regionais e globais e na expressão conjunta de seu entendimento sobre governança pacífica.

O presidente Xi enfatizou o firme apoio da China aos países latino-americanos e caribenhos para consolidar o bom momento de paz, estabilidade e independência e disse que a China intensificará a coordenação estratégica com o Brasil em questões globais de interesse mútuo na ONU, BRICS, G20 e outros acordos multilaterais e instituições e melhorar a coordenação na resposta climática.

Xi e Lula também trocaram opiniões sobre a crise na Ucrânia e ambos concordaram que o diálogo e as negociações são o único caminho viável para resolvê-la. Eles apelaram para que mais países desempenhem um papel construtivo para uma solução política da crise na Ucrânia.

Pan Deng disse que é mais fácil para China e Brasil, ambos países em desenvolvimento e membros do BRICS, encontrar um terreno comum para a crise da Ucrânia. Com rica experiência política, Lula tem um profundo conhecimento da situação global. Sua própria visita e seus resultados mostram que o Brasil está disposto a dar as mãos à China no caminho da salvaguarda do multilateralismo.

Alessandro Golombiewski Teixeira, ex-ministro do turismo do Brasil e ex-assessor especial de economia do presidente do Brasil, disse que, em vez de acreditar em um mundo hegemônico governado por um país, tanto a China quanto o Brasil acreditam no multilateralismo e nas relações internacionais baseadas na igualdade. As duas lideranças da China e do Brasil compartilham uma visão comum em termos de desenvolvimento mundial, que também promove a cooperação bilateral.

A frutífera visita de Lula à China também atraiu a atenção global, pois seus esforços conjuntos injetam um ímpeto positivo no mundo em meio à crescente turbulência e instabilidade.

É necessário ter mais peso do Sul Global em institutos e plataformas internacionais, incluindo o FMI e o G20. Quanto mais os países ocidentais boicotarem a voz do Sul, mais instituições como BRICS e Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) crescerão em influência e escopo, disse ao Global Times Marco Fernandes, pesquisador do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, coeditor do Dongsheng Collective e membro da campanha contra a guerra fria.

Timofei Bordachev, diretor de programa do Valdai Club, com sede em Moscou, na Rússia, elogiou a cooperação entre Brasil e China por avançar na direção do fortalecimento de sua própria independência.

O BRICS está se tornando um pilar da governança global democrática e está atraindo a atenção de mais países. Bordachev disse ao Global Times que "existe agora uma oportunidade única de criar uma infraestrutura de governança global que não dependa de um único centro de tomada de decisão - ela pode se tornar a base de uma nova ordem internacional".

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