China diz não a uma nova Guerra Fria
Pequim fez um apelo ao respeito à diversidade das civilizações humanas, em uma mensagem velada aos Estados Unidos
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Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - O Partido Comunista da China opõe-se às tentativas de instigar uma ‘nova Guerra Fria’. Em uma mensagem velada aos Estados Unidos, altos oficiais do PCCh rejeitaram a mentalidade da política de bloco e o hegemonismo ideológico, e defenderam o respeito ao que chamaram de “diversidade das civilizações humanas”.
Ma Zhaoxu, vice-ministro das Relações Exteriores, alertou que a “maior ameaça à ordem mundial” são “algumas forças” empenhadas em “formar pequenos círculos políticos” e “instigar uma nova Guerra Fria”. Denunciado o “bullying” e o “hegemonismo”, o oficial afirmou: “Um mundo dividido não serve aos interesses de ninguém”.
As declarações foram feitas durante uma coletiva no Centro de Imprensa do 20º Congresso Nacional do PCCh, nesta quinta-feira, 20.
Segundo Ma, que também é membro do Comitê do PCCh da pasta, “a China sempre se comprometeu a promover a paz e o desenvolvimento mundiais, e está dedicada a construir uma "comunidade com um futuro compartilhado”. A China, acrescentou o oficial, nunca se deixará intimidar por “práticas hegemônicas” e jamais aceitará “jogos de soma zero e a lei da selva”.
A fala vem em meio ao aumento da tensão entre Pequim e Washington. Os motivos são diversos: a visita da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, a Taipé, no início de agosto; a desinformação ocidental sobre a situação em Xinjiang e a politização dos direitos humanos; provocações da Marinha estadunidense no Mar do Sul da China; e os bloqueios dos EUA a venda de chips avançados à China.
“Devemos enfrentar os obstáculos e as dificuldades de cabeça erguida”, instou Ma, exaltando a visão estratégica do presidente Xi Jinping. Ele descreveu o Pensamento do líder como um “guia científico para a diplomacia na nova era”.
“Apelamos a todos os países para que mantenham o valor da paz, respeitem a diversidade de civilizações e trabalhem juntos para enfrentar os desafios globais”, disse ainda Ma.
Diversidade civilizacional
A cooperação entre o PCCh e partidos de todo o mundo é um esforço central da sigla, disse Shen Beili, vice-ministra do Departamento Internacional do Comitê Central do PCCh. Ela destacou a realização do Fórum Mundial de Partidos Políticos Marxistas, em Pequim, e defendeu que o PCCh explore “um novo tempo nas relações entre partidos”.
Na ocasião, Xi observou: “Só quando se adapta às condições específicas de cada país o marxismo pode enraizar-se num país, e só quando se mantém a par dos tempos pode ser cheio de vitalidade”.
Nesse sentido, a oficial explicou que o princípio guiante do PCCh em suas relações externas é o “respeito à diversidade das civilizações humanas”. “Cabe aos partidos políticos e aos países escolher o seu próprio sistema político e caminho de desenvolvimento… Opomo-nos firmemente ao hegemonismo, à mentalidade da Guerra Fria e aos padrões duplos”, disse ela.
“Não daremos palestras a outras partes, nem exportaremos nosso modelo para outras partes. Também nunca iremos simplesmente copiar o sistema político de outros países”, acrescentou.
Ao mesmo tempo, disse Shen, o PCCh “aproveita-se das conquistas civilizacionais da humanidade”.
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