“Chegou a hora de iniciar conversações de paz em vez de alimentar o conflito”, diz representante permanente do Brasil na ONU
“O elemento mais importante da resolução é o apelo para que a comunidade internacional redobre seus esforços para alcançar uma paz justa e duradoura”, diz Ronaldo Costa Filho
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247 — O representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, o embaixador Ronaldo Costa Filho, argumentou, em reunião da Assembleia Geral da ONU que aprovou resolução sobre a situação na Ucrânia, nesta quinta-feira, 23, que “chegou a hora de iniciar conversações de paz em vez de alimentar o conflito”.
“O Brasil decidiu votar a favor da resolução devido à necessidade urgente de que esta Assembleia Geral reafirme seu compromisso inabalável de defender os princípios centrais da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, ao mesmo tempo em que ressalta a necessidade de alcançar a paz”, justificou.
“O elemento mais importante da resolução é o apelo para que a comunidade internacional redobre seus esforços diplomáticos para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia. Apreciamos também o importante elemento humanitário da resolução, incluindo o apelo à adesão plena de todas as partes às suas obrigações sob o direito humanitário internacional. Todas as medidas possíveis devem ser adotadas para minimizar o sofrimento da população civil. Chegou a hora de iniciar conversações de paz em vez de alimentar o conflito”.
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução não obrigatória pedindo a retirada das tropas russas da Ucrânia, um ano após o início da guerra do governo russo contra a OTAN no território ucraniano. A resolução, apoiada por 141 países, nesta quinta-feira, 23, pediu uma “paz abrangente, justa e duradoura”.
A China, principal aliada da Rússia atualmente, se absteve. O Brasil, por outro lado, abandonou a postura neutra que vinha adotando desde o ano passado e votou a favor da resolução.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende que seja criado um grupo de países para se alcançar a paz no conflito que completa um ano. Ele quer tratar do assunto com o presidente chinês, Xi Jinping, em viagem ao país asiático em março. Lula, no entanto, não defende a política belicista do ocidente e se negou a fornecer ajuda militar para Ucrânia, motivo pelo qual sofreu retaliações da Alemanha.
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Além de 141 votos favoráveis, foram 32 abstenções e 7 votos contrários — incluindo a Rússia. Em relação às cinco resoluções aprovadas anteriormente, esta ficou ligeiramente abaixo da votação mais alta aprovada pelo órgão mundial de 193 membros desde que a Rússia enviou tropas e tanques através da fronteira para Ucrânia.
A votação mostra a situação complicada do chamado ocidente, uma vez que, mesmo diante gigantesca pressão dos países da OTAN e da União Europeia para condenar os russos, 39 países não votaram a favor da condenação à atitude do governo Vladimir Putin.
Kiev e seus aliados esperavam reunir o maior apoio possível no aniversário de um ano da invasão, mas, ao contrário, o apoio à condenação dos russos diminuiu. Os ucranianos e seus aliados esperavam que o texto obtivesse pelo menos os 143 votos reunidos em outubro, com a resolução que condenou as anexações de vários territórios que votaram em plebiscito para fazer parte da Rússia. No entanto, esse número não foi atingido.
Declaração do Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, Embaixador Ronaldo Costa Filho, em reunião da Assembleia Geral da ONU que aprovou resolução sobre a situação na Ucrânia — 23 de fevereiro de 2023
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O Brasil decidiu votar a favor da resolução devido à necessidade urgente de que esta Assembleia Geral reafirme seu compromisso inabalável de defender os princípios centrais da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, ao mesmo tempo em que ressalta a necessidade de alcançar a paz.
Elogiamos os facilitadores pelas negociações inclusivas. Em nossa opinião, o elemento mais importante da resolução é o apelo para que a comunidade internacional redobre seus esforços diplomáticos para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia.
Apreciamos também o importante elemento humanitário da resolução, incluindo o apelo à adesão plena de todas as partes às suas obrigações sob o direito humanitário internacional. Todas as medidas possíveis devem ser adotadas para minimizar o sofrimento da população civil.
Chegou a hora de iniciar conversações de paz em vez de alimentar o conflito. O Brasil considera o apelo à cessação das hostilidades na OP5 como um apelo a ambas as partes para que cessem a violência sem condições prévias. Nenhuma suposta dificuldade para implementar nosso apelo à cessação das hostilidades, conforme estabelecido neste parágrafo, deve ser vista como um obstáculo para iniciar as negociações. Esta resolução deve ser interpretada como um passo importante para preparar o caminho para a paz.
O conflito que começou há um ano impôs imenso sofrimento aos civis. Também acarretou uma série de conseqüências para muitos países, especialmente no mundo em desenvolvimento, devido a seus impactos sobre os preços dos alimentos, fertilizantes e energia. Chegou a hora de abrir espaço para o diálogo e iniciar a reconstrução. O Brasil está pronto para participar dos esforços por uma solução duradoura para este conflito.
Agradeço a vocês".
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