Chanceleres da Unasul vão ao Paraguai acompanhar caso Lugo

Eles querem seguir de perto o início do processo que pode levar ao impeachment do presidente paraguaio, iniciado após conflito em fazenda que resultou na morte de 17 pessoas; cinco ministro já renunciaram ao cargo; Patriota fala em defender "integridade democrática na América do Sul"

Chanceleres da Unasul vão ao Paraguai acompanhar caso Lugo
Chanceleres da Unasul vão ao Paraguai acompanhar caso Lugo (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


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Agência Brasil – Os presidentes dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiram enviar, na noite de hoje (21), missão de chanceleres da região ao Paraguai. O objetivo é garantir o respeito à ordem democrática, o julgamento justo e o direito de defesa no processo que pode levar ao impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo. A decisão foi anunciada, há pouco, no Rio, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O Ministério das Comunicações do Paraguai confirmou para hoje à noite, em Assunção, a reunião de emergência da Unasul para discutir a crise gerada pelo pedido de impeachment de Fernando Lugo, aprovado pela Câmara dos Deputados.

"Os presidentes expressaram sua convicção de que se deve preeservar a estabilidade e o pleno respeito à ordem democrática do Paraguai, observado o pleno cumprimento dos dispositivos constitucionais e assegurado o direito de defesa no devido processo", disse Patriota, que integrará a missão de chanceleres.

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Em seguida, Patriota acrescentou: "os presidentes consideram que os países da Unasul conquistaram com muito esforço a democracia e nesse sentido nós todos devemos ser defensores extremados da integridade democrática na América do Sul".

Os chanceleres querem acompanhar de perto o início do processo que pode levar ao impeachment de Lugo por temerem o uso político da situação e a possível falta espaço para a defesa do presidente. O início do processo de julgamento de Lugo ocorreu hoje depois que a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou a abertura da ação de impeachment.

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O pedido de impeachment, liderado pela Partido Colorado, que faz oposição a Lugo, foi aprovado por 76 votos a favor e 1 contra. Três parlamentares estavam ausentes. A abertura do processo político foi motivada por conflitos entre agentes policiais e camponeses, no último dia 15, em uma fazenda no Nordeste do Paraguai. Dezessete pessoas morreram, entre camponeses e policiais.

A abertura do processo contra Lugo motivou uma reunião extraordinária hoje, no intervalo da sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. A presidenta Dilma Rousseff, todos os presidentes sul-americanos e os chanceleres da região presentes ao evento participaram da reunião. A reunião começou por volta das 14h30 e, até as 16h20, não havia terminado.

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Ministros renunciaram

Ao menos cinco ministros paraguaios já renunciaram aos cargos após a Câmara dos Deputados ter aprovado, hoje (21), por 76 votos a 1, o pedido de impeachment do presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Segundo a imprensa paraguaia, todos são filiados ao Partido Liberal, que se somou aos parlamentares favoráveis à abertura do processo político contra o presidente.

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Os cinco ministros que já confirmaram o pedido de demissão são ligados ao vice-presidente Frederico Franco, também do Partido Liberal, que assumirá a presidência caso o impeachment seja confirmado. Os deputados responsabilizam o presidente Lugo pelos conflitos em uma fazenda no Nordeste do país que matou 17 pessoas, entre camponeses e policiais.

O Senado paraguaio convocou uma sessão extraordinária, que acontece neste momento, para confirmar ou não a decisão dos deputados de abrir o processo de impeachment. A União das Nações Sulamericanas (Unasul) também convocou uma reunião de emergência para discutir o assunto, prevista para ainda hoje (21) à noite, para tomar conhecimento da crise.  

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Segundo a imprensa paraguaia, o ministro da Agricultura, Enzo Cardozo, disse deixar o cargo em conformidade à decisão de seu partido. Ainda de acordo com a agência de notícias públicas paraguaia, a IP Paraguay, fontes do Ministério da Indústria e Comércio confirmaram que o ministro Francisco Rivas também renunciou ao cargo, embora nenhum comunicado oficial tenha sido divulgado até o momento.

Os outros três ministros que renunciaram, segundo a imprensa paraguaia, são Humberto Blasco (Justiça e Trabalho), Victor Rios (Educação e Cultura) e Paulo Reichardt, da Secretaria Nacional de Esportes.

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Mais cedo, o comando das Forças Armadas desmentiu os boatos sobre um possível levante militar ante a decisão da Câmara dos Deputados. Segundo a IP Paraguay, o comando assegurou que as forças estão atuando conforme a lei determina, respeitando o ordenamento constitucional e democrático em vigor.

Lugo já constituiu sua equipe de defesa, formada por alguns de seus principais assessores e encabeçada pelo interventor do Instituto de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert), Emilio Camacho, que garantiu que o presidente promete respeitar a Constituição.

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Há pouco, Camacho afirmou à imprensa local que, uma vez que a decisão política de aprovar o pedido de impeachment de Lugo já foi tomada, tudo o que o presidente pede é que lhe dêem o direito de se defender das acusações feitas por seus opositores.

O Ministério da Educação paraguaio informou que as escolas permanecem abertas para as aulas. Apesar de alegar “que não há motivos que ameacem a tranquilidade e rotina nos colégios”, o ministério deixou a critério dos pais a decisão para que as crianças e jovens continuem a frequentar as classes “diante de uma inquietude generalizada na capital”.

Jornais paraguaios estão noticiando que comerciantes estão fechando as portas em Assunção com medo de protestos na rua.

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