Chanceler venezuelano diz que imperialismo estadunidense foi reafirmado em 2017

Em artigo, o ministro das Relações Exteriores da República Bolivariana da Venezuela, Jorge Arreaza, denuncia o imperialismo norte-americano que se voltou contra a Venezuela ao longo do ano passado, especialmente na questão dos direitos humanos, além das "sanções econômicas e perseguições financeiras"

Em artigo, o ministro das Relações Exteriores da República Bolivariana da Venezuela, Jorge Arreaza, denuncia o imperialismo norte-americano que se voltou contra a Venezuela ao longo do ano passado, especialmente na questão dos direitos humanos, além das "sanções econômicas e perseguições financeiras"
Em artigo, o ministro das Relações Exteriores da República Bolivariana da Venezuela, Jorge Arreaza, denuncia o imperialismo norte-americano que se voltou contra a Venezuela ao longo do ano passado, especialmente na questão dos direitos humanos, além das "sanções econômicas e perseguições financeiras" (Foto: Gisele Federicce)


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Por Jorge Arreaza (*), em seu Blog

2017 foi um ano esclarecedor, em que ficou clara a a política internacional e se pôs à prova a política externa da República Bolivariana da Venezuela, a Diplomacia Bolivariana de Paz. Já não há dúvidas possíveis, o unilateralismo e o imperialismo estadunidense foram reafirmados. Muitos no mundo tendiam a confundir-se com o sorriso e o jeito trabalhado e simpático de Barack Obama, descartando o caráter devastador do império de turno. A verdade é hoje mais que evidente.

Ficaram sem referência e sem argumentos os que pensavam que os grupos terroristas no Oriente Médio surgem espontaneamente, sem financiamento e apoio do Pentágono; aqueles que mantinham a ilusão ao afirmar que Washington já não intervém nos assuntos internos de outros países, nem financia planos desestabilizadores e golpes de Estado; que o Departamento de Estado já não forja fraudes eleitorais segundo sua conveniência, nem cria matrizes tendenciosas nos meios de comunicação para justificar ações bélicas subsequentes; quão errados estavam os que asseguravam que as instituições estadunidenses não planificam e desenvolvem implacáveis perseguições financeiras contra povos inteiros para “fazer soar o alarme” de suas economias e provocar mudanças de governo pela força.

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Equivocam-se os que declaravam que os EUA já não consideram como seus acérrimos rivais e competidores a Rússia e a China, no bom estilo da Guerra Fria; como também os que chegavam a pensar que os EUA estavam em tempos de retificação e ia respeitar as instituições multilaterais e o Direito Internacional Público; pior ainda, aqueles que alguma vez acreditaram que os EUA cumpririam responsavelmente o Acordo de Paris sobre a mudança climática; assim como os que negavam que o Departamento de Estado é capaz de pressionar economicamente Estados iguais, se se atrevem a defender posições soberanas na ONU em assuntos sobre o Oriente Médio.

Muitos analistas asseveravam que a chegada ao poder político em nossos países de empresários endinheirados nada tem a ver com Washington; ou os que sugeriam que Washington já não dominava a OEA, nem a usaria para agredir e intervir nos assuntos internos da América Latina e Caribe. Inclusive muitos opinadores no mundo chegavam a pôr em dúvida as inexoráveis teses do domínio do complexo industrial-militar ou que a economia estadunidense se alimenta e dinamiza através da produção e venda de equipamentos militares e armas, ou seja, através da geração de guerras e derramamento de sangue.

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Os que pensavam (ou queriam fazer crer) que esses fatos irrefutáveis eram mitos ou invenções dos “comunistas, esquerdistas e ecologistas”, foram testemunhos, como o mundo inteiro também é, da irrefutável veracidade dessas práticas, políticas e ações, ante a aberta sinceridade com que orgulhosamente o presidente Donald Trump desvelou e assumiu a autoria intelectual e material de todas essas violações à ordem internacional (reconhecimento que se lhe agradece).

Como afirmam os advogados: com a confissão da parte, não há necessidade de provas. Demonstrou-se de maneira indicutível que o imperialismo não somente existe, como diante dos sinais de sua decadência e do evidente fracasso de seu sistema econômico de suporte e de seu pensamento único, entrou em fase de agressivo desespero, passando a representar a principal ameaça (embora usual e ordinária, como toda ameaça imperial) para a humanidade. Na medida em que o mundo multipolar se consolida, mais perigosas se tornam as ações dos principais atores da trama imperial.

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Em uma universidade estadunidense, um questionado e muito debilitado empresário-presidente latino-americano, carnalmente muito próximo a Washington, derramou-se em sinceridade para qualificar o papel que os EUA e a direita latino-americana atribuem a nossos povos e seus governos: “A América Latina é um simpático cachorro dormindo no tapete, que não gera nenhum problema”. O trato discriminador e racista que a Casa Branca mostrou para com nossos países nos últimos meses, confirma essa teoria da submissão.

A construção de muros entre povos, a expulsão e o maltrato cruel aos migrantes, o cancelamento de políticas de preferências para com países do Caribe e América Central, as sanções econômicas e perseguições financeiras, a interferência permanente nos assuntos internos, a arrogância econômica para dominar-nos, a humilhação na renegociação de tratados comerciais, entre outras afrontas, dão fé da ativa ofensiva imperialista em Nossa América.

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Desde a inefável OEA, o nada honorável senhor Luís Almagro fez alarde de disciplina ante as ordens de Washington, através de inumeráveis horas de trabalho, ingentes esforços e recursos incalculáveis investidos com o único objetivo de derrocar o governo da Venezuela. Sua ação induzida é parte evidente da estratégia desvelada de ofensiva imperialista na região. Contudo, sua eficiência foi muito deficiente. O presidente Maduro não só segue no comando, mas também acumulou uma vitória política após outra. A favor do senhor “Amargo”, devemos dizer que foi muito eficaz para internar a OEA na unidade de terapia intensiva da história, moralmente en estado vegetativo irreversível e politicamente em ridículo estado disfuncional de absoluta inutilidade.

O imperialismo ansioso e furioso pela ineficácia de suas ações e das que instruem a incapaz direita venezuelana para liquidar a Revolução Bolivariana, ativou-se em todas as frentes. O Departamento de Estado (e com este sempre a CIA) se deslocou a toda a América Latina e Caribe, como também à Europa (ordenando sancionar a Venezuela) e junto a governos dos cinco continentes. Pôs o Canadá a obrigar um grupo de governos submissos na região para tratar de encurralar o governo de Caracas, fez mil movimentos nas Nações Unidas, tanto no Conselho de Direitos Humanos, como no mesmíssimo Conselho de Segurança, buscando acompanhamento sob pressão, em sua obsessão por perseguir a Venezuela. Em todos os casos foi derrotado.

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E precisamente, as máscaras que caíram com o advento do governo supremacista e racista de Donald Trump, permitem, até por defeito, deixá-los em evidência. O principal argumento para atacar a Revolução Bolivariana foi o dos Direitos Humanos. Mas, sem que eu vá ao detalhe da situação de violação permanente por parte dos governos dos EUA em matéria de Direitos Humanos em seu país e no mundo, permitam-me citar um eloquente parágrafo a respeito, extraído da intervenção da Venezuela no 72º período de sessões da Assembleia Geral da ONU, como resposta à imoral afirmação da Representante Permanente dos EUA nessa organização, ao afirmar que Venezuela e Cuba não merecem ser membros do Conselho de Direitos Humanos:

Arreaza, Chávez e Maduro

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“Se algum país não merece pertencer ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, é precisamente os Estados Unidos da América. Trata-se do principal violador de direitos humanos, não só em seu território, mas em todo o mundo. Guerras injustificadas, bombardeios a população civil, cárceres clandestinos com aplicação de métodos de tortura, imposição de medidas unilaterais ilegais contra economias de vários países, pressões econômicas diversas e temerárias políticas migratorias. É o único país que se atreveu a utilizar armas nucleares contra outro povo, gerando centenas de milhares de mortes. Um país que, violando a institucionalidade essencial da ONU, liderou a invasão do Iraque em 2003, sob o argumento da busca de armas de destruição em massa, que jamais encontraram, apesar das mais de um milhão de mortes que essa cruenta operação militar gerou. Os Estados Unidos constroem o muro na fronteira com o México e há propostas de lei para taxar em 7% as remessas dos imigrantes, não para sua seguridade social, mas para financiar a construção do indigno muro.

Utilizando dados verificáveis dos organismos e relatorias da ONU, podemos concluir que: os EUA não ratificaram 62% dos principais tratados em matéria de Direitoso Humanos; nos EUA não existe instituição independente para a defesa e promoção dos Direitos Humanos; o Relator Especial da ONU sobre execuções extrajudiciais e arbitrárias denuncia a falta de independência do poder judiciário nos EUA; o confinamento solitário é uma prática alargada nesse país; o número de pessoas sem teto alcança os 3,5 milhões, entre eles 1,5 milhão de crianças; 28% das pessoas em pobreza não contam com nenhuma cobertura de saúde; a taxa de mortalidade materna aumentou vertiginosamente nos últimos anos, 10 mil crianças estão alojadas em prisões para adultos, as crianças podem ser condenadas a prisão perpétua (70% delas afro-americanas); o relator especial para a educação denunciou o uso de choques elétricos e meios físicos de coerção em centros de estudo; os EUA é um dos sete países do mundo que não ratificou a convenção para a eliminação da discriminação contra a mulher; nos EUA a licença remunerada por maternidade não é obrigatória; as denúncias sobre abusos policiais, especialmente contra a população afro-americana, são comuns, mais de 10 milhões de afro-estadunidenses segue em situação de pobreza, a metade deles em situação de miséria; em um país onde a escravidão se supõe abolida, a 13ª emenda admite a escravidão como modalidade de condenação penal; uma em cada três mulheres indígenas estadunidense é violada ao longo de sua vida; trata-se de um país onde a discriminação racial não só não está superada, mas recrudesce com as posições supremacistas do governo atual”.

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Depois da derrota da violência política na Venezuela (financiada em boa parte desde centros de poder nos EUA), graças à paz trazida pela eleição popular da Assembleia Nacional Constituinte, e quando os atores mais diversos se preparavam para novas contendas democráticas e inclusive para retomar o processo de diálogo, o governo dos EUA tirava outra máscara ao impor uma série de medidas unilaterais coercitivas e ilegais contra a economia venezuelana. Desta maneira, oficializava e reforçava a perseguição financeira contra a Venezuela que já vinha sendo exercida com rudeza desde os tempos de Obama.

Não nos referimos às absurdas sanções individuais e inócuas contra servidores do governo, membros do Conselho Eleitoral ou da Assembleia Constituinte. Trata-se de medidas para evitar que a Venezuela possa obter financiamentos e efetuar transações internacionais para garantir o cumprimento de seus compromissos e a obtenção de matéria prima para a produção o de produtos acabados para satisfazer as necessidades do povo. É uma modalidade de bloqueio que emula o que impuseram à irmã República de Cuba durante cinco décadas.

Estas medidas destinadas a estrangular a economia, ou seja, o povo, para forçar o cumprimento da vontade imperial na Venezuela, também estão voltadas para o objetivo de evitar qualquer tipo de diálogo entre os atores políticos. Estas chamadas sanções, se bem que acarretaram danos, serviram em grande medida para coesionar ainda mais a consciência anti-imperialista e libertária do povo de Bolívar. Adicionalmente, estas decisões unilaterais aceleraram a velocidade com que o Governo do Presidente Maduro procura desprender-se da economia estadunidense e do escravizante padrão dólar.

Através das alianças com China, Rússia, Turquia, Irã e os países da Alba, entre outros, a Venezuela foi desenhando caminhos alternativos para ir diminuindo à sua mínima expressão os efeitos das sanções ilegais de Washington, e consolidar um novo tipo de relações econômicas, com novos padrões de intercâmbio que blindem a economia venezuelana, em seu empenho por tornar-se independente e superar o modelo rentista imposto no século 20.

Desde a Venezuela, hoje empunhamos novamente as bandeiras de todos aqueles que demonstraram que o imperialismo, com qualquer cara que decida mostrar, não é invencível, nem inquestionável. Evoquemos o “instante que relampagueia” que assinalava o pensador alemão Walter Benjamin; a estrela de cinco pontas de Ho Chi Minh e o bravo povo vietnamita; a gesta incalculável dos barbudos da Sierra Maestra e a resistência de quase seis décadas ao cerco de distintas gerações de abutres que revoluteiam a ilha sem poder quebrantar a dignidade do povo cubano; a façanha da Angola libertária nas profundezas da África que ainda retumba entre tambores e ritmos ancestrais. A história nos ensina que só a determinação de um povo unido e consciente pode fazer frente a qualquer imposição, qualquer opróbrio e a toda força de dominação.

Em 2018 vêm novos desafios em Nossa América. A unidade deve ser princípio e premissa fundamental das resistências, lutas e triunfos contra o imperialismo. Para além da noção de integração, nos referimos à verdadeira UNIÃO, a originária, a Bolivariana. A Alba e a Petrocaribe levam em sua essência esse espírito unionista dos povos e se fortalecem em momentos de demonstrada ofensiva imperialista. Com a Alba como núcleo virtuoso, devemos fortalecer os mecanismos autônomos de integração da América Latina e Caribe, que hoje sofrem ataques externos e intentos de implosão. A solidariedade, a complementaridade e a justiça social e econômica, devem prevalecer diante dos novos intentos de anexação do capital.

Na Venezuela seguirá adiante o processo de diálogo e, como disse o Presidente Maduro, chova, troveje ou relampagueie, haverá eleições presidenciais este ano. A consciência dos povos que levam Bolívar como guia e exemplo, se imporá à inconsciência das elites submissas que existem e preservam privilégios, graças à Doutrina Monroe e ao empenho fraturador de dominação sobre nossos povos. A Diplomacia Bolivariana de Paz seguirá defendendo a dignidade de um povo decidido a ser livre e independente e o direito da humanidade à Paz e à Justiça. Pensando nos meses por vir, e ainda que pareça reiterativo, não podemos senão recordar a palavra de ordem e reflexão de luta que nos deixou o Comandante Chávez semeada há pouco mais de cinco anos: Unidad, Luta, Batalha e VITÓRIA!

Sempre, venceremos!

(*) Jorge Arreaza é ministro das Relações Exteriores da República Bolivariana da Venezuela.

Traduzido pela redação do Resistência

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