Celso Amorim: Fim do acordo EUA-Irã faz mundo amanhecer mais perigoso
O ex-chanceler Celso Amorim escreve artigo no blog Nocaute em que manifesta preocupação com o fim do acordo EUA-Irã; Amorim, um dos idealizadores deste acordo quando chanceler do governo Lula, entende que o acordo irradiava estabilidade à região, além de manter a produção de urânio enriquecido dos iranianos sob observação institucional do ocidente; o ex-chanceler acredita que o fim do acordo traz sério risco a uma região já conflagrada
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247 – O ex-chanceler Celso Amorim escreve artigo no blog Nocaute em que manifesta preocupação com o fim do acordo EUA-Irã. Amorim, um dos idealizadores deste acordo quando chanceler do governo Lula, entende que o acordo irradiava estabilidade à região, além de manter a produção de urânio enriquecido dos iranianos sob observação institucional do ocidente. O ex-chanceler acredita que o fim do acordo traz sério risco a uma região já conflagrada.
“(,,,) a pressão de Israel, o atual primeiro-ministro de Israel sempre foi contra o acordo e já produziu vários discursos com ilustrações sobre como o Irã está próximo de ter uma bomba e que isso é uma ameaça existencial para Israel, então sempre teve essa pressão; e como o presidente Trump age muito sobre pressão de grupos específicos, sem que tenha uma coerência numa visão de mundo, ao mesmo tempo em que ele começa a ter um diálogo de negociação com a Coréia do Norte, adota essa atitude com o Irã.
E aí entra a segunda razão: os EUA e sobretudo aquilo que eles chamam de governo oculto, que inclui a CIA, NSA, o Pentágono têm a necessidade de ter um inimigo. E até na medida em que a Coréia do Norte se torna um interlocutor menos imediatamente ameaçador, pelo menos essa é a aparência depois das conversas entre as Coréias, o inimigo eleito se torna o Irã. Já vinha tendo essa pressão por parte de Israel e que agora coloca o Oriente Médio em grande perigo. Aliás o ministro do Exterior francês disse que “o Oriente Médio merecia algo melhor”, porque de fato coloca em risco. E por que coloca em risco? Coloca em risco porque o Irã é um interlocutor indispensável. Não há a possibilidade de haver um acordo sobre a Síria, que já sofreu tanto, sem que o Irã participe. Isso não é uma questão de gostar ou não gostar, é um fato real. Se houver um acordo sem o Irã, ele irá agir contra. Um dos países que tem força para dizer pro governo sírio ou para certas forças na Síria como se comportar de determinada maneira é o Irã. Então esse é o segundo aspecto, da necessidade de ter um inimigo.”
Leia o artigo completo do ex-chanceler aqui, no blog Nocaute.
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