Capriles: Venezuela tem mais futuro que presente

Em artigo, o opositor Henrique Capriles, que foi derrotado por Nicolas Maduro nas últimas eleições presidenciais venezuelanas, comenta os protestos em seu país; "Maduro não pode continuar fabricando teorias da conspiração em que anônimos tentam derrubá-lo. Precisa entender que ou isso muda ou o país explode. A bola está com ele. É sua responsabilidade histórica pôr fim à violência e à repressão e realizar mudanças para revitalizar a economia e restabelecer a democracia", afirma.

Em artigo, o opositor Henrique Capriles, que foi derrotado por Nicolas Maduro nas últimas eleições presidenciais venezuelanas, comenta os protestos em seu país; "Maduro não pode continuar fabricando teorias da conspiração em que anônimos tentam derrubá-lo. Precisa entender que ou isso muda ou o país explode. A bola está com ele. É sua responsabilidade histórica pôr fim à violência e à repressão e realizar mudanças para revitalizar a economia e restabelecer a democracia", afirma.
Em artigo, o opositor Henrique Capriles, que foi derrotado por Nicolas Maduro nas últimas eleições presidenciais venezuelanas, comenta os protestos em seu país; "Maduro não pode continuar fabricando teorias da conspiração em que anônimos tentam derrubá-lo. Precisa entender que ou isso muda ou o país explode. A bola está com ele. É sua responsabilidade histórica pôr fim à violência e à repressão e realizar mudanças para revitalizar a economia e restabelecer a democracia", afirma. (Foto: Felipe L. Goncalves)


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247 - O venezuelano Henrique Capriles, que perdeu as duas últimas eleições presidenciais em seu país, uma para Hugo Chávez e outra para Nicolas Maduro, publicou um artigo em que comentou a situação de seu país. "Maduro não pode continuar fabricando teorias da conspiração em que anônimos tentam derrubá-lo. Precisa entender que ou isso muda ou o país explode. A bola está com ele. É sua responsabilidade histórica pôr fim à violência e à repressão e realizar mudanças para revitalizar a economia e restabelecer a democracia", afirma.

Leia a íntegra abaixo:

Duas metades não fazem um país

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Nosso povo teve nesta semana, pela primeira vez em 15 anos, a oportunidade de escutar outras vozes; de comparar dois modelos. Um defendendo a si mesmo, e o nosso, defendendo a união.

A Venezuela é um país com mais futuro do que presente, embora o governo insista em um discurso ancorado no passado, com o qual pretende dividir, e não multiplicar soluções. Insistiremos em temas sensíveis como a falta de segurança, a escassez, o alto custo de vida e a crise hospitalar.

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O governo de Nicolás Maduro não tem um ano --sua equipe é a mesma do presidente Hugo Chávez (1954-2013). Já são 15 anos de um governo incapaz de atender às necessidades do país. Duzentos mil homicídios no período demonstram que a impunidade está na ordem do dia, sob o olhar cúmplice do governo. O valor de nossa moeda (o bolívar, que chamaram de forte) desabou, e a cada desvalorização, os pobres ficam mais pobres.

Importamos 80% dos alimentos que consumimos. Temos a mais alta inflação do continente. A anual chega a 59,4%, e a dos alimentos é de 74,5%, segundo a ONU, sendo que a média na América Latina é de 10,7%. Ir ao mercado na Venezuela é humilhante. Somos marcados no braço como se fôssemos animais. Temos os mais elevados níveis de escassez da história --31% em março. Isso gera longas filas quando chega um produto de primeira necessidade, como leite ou papel higiênico.

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Esses não são os únicos problemas. Este governo continua acusando os meios de comunicação privados de fazer uma campanha midiática, quando a verdade é que a maioria dos canais de rádio e televisão está em suas mãos.

Nós, governadores e prefeitos eleitos pelo povo, temos que lidar com decisões federais contrárias à Constituição. Sem sentença, despojaram do cargo prefeitos eleitos e criaram organismos paralelos em Estados onde perderam as eleições, como ocorreu em nossa Miranda. Na Assembleia Nacional, nossos deputados sofrem represálias.

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Os protestos são uma combinação da deterioração da qualidade de vida com a falta de mecanismos institucionais para expressar o descontentamento. Maduro se negou a escutar as demandas do povo como se seu interesse fosse radicalizar o protesto reprimindo-o.

Para sairmos dessa profunda crise política, temos que deixar as diferenças de lado e sentar para dialogar, de maneira transparente. A igreja pode desempenhar o papel de mediadora, e nos agrada saber que o papa Francisco apoia o diálogo na Venezuela. Fomos ao Palácio de Miraflores, porque sabemos, tal como Gandhi e Luther King, que o diálogo é a principal ferramenta para aqueles que querem justiça e se negam a utilizar a violência como método.

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A América Latina tem antecedentes valiosos como o discurso de Patricio Aylwin, em 1990, então presidente do Chile, sobre a necessidade de restabelecer o respeito entre os chilenos, "sejam civis ou militares". Apesar do repúdio, espetou: "Sim, senhores, civis e militares, porque o Chile é um só". Os chilenos conseguiram construir a unidade aceitando que a culpa de alguns não pode comprometer todos.

O caminho na Venezuela é longo, mas está claro que duas metades não fazem um país. Dialogar não significa abrir mão de ideias, mas achar um ponto de encontro e reconhecimento. O diálogo deve começar com a libertação dos presos políticos, como Leopoldo López e Iván Simonovis, e dos estudantes; o desarmamento dos paramilitares, munidos pelo governo; o fim da censura à mídia; e o respeito aos direitos humanos.

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Maduro não pode continuar fabricando teorias da conspiração em que anônimos tentam derrubá-lo. Precisa entender que ou isso muda ou o país explode. A bola está com ele. É sua responsabilidade histórica pôr fim à violência e à repressão e realizar mudanças para revitalizar a economia e restabelecer a democracia.

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