Campanha de libertação de Julian Assange ganha apoios importantes no Brasil
No Brasil, a Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e o MST apoiam a iniciativa
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247 - A delegação do WikiLeaks, formada pelos jornalistas Kristinn Hrafnsson, porta-voz e editor-chefe do projeto, e Joseph Farrell, editor e embaixador do Wikileaks, deixa o Brasil com vários apoios pela libertação do jornalista australiano Julian Assange, 51 anos, após cumprir uma intensa agenda de mobilização nas cidades de São Paulo (SP), Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ) entre os dias 25 e 30 de novembro. No Brasil, a Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apoiam a iniciativa. A AIP é uma articulação de movimentos populares em mais de 130 países.
O ativista está detido em uma prisão de segurança máxima de Belmarsh (Reino Unido) desde 2019, o jornalista está prestes a ser extraditado para os EUA, onde pode sofrer uma pena de até 175 anos em confinamento solitário. Assange foi acusado pelo governo dos Estados Unidos de violar a Lei de Espionagem de 1917. O ativista foi responsável pela publicação no Wikileaks, entre 2010 e 2011, de documentos classificados como secretos pelos EUA e revelaram crimes de guerra dos norte-americanos no Iraque e no Afeganistão.
De acordo com Giovani del Prete, da Secretaria Operativa da Assembleia Internacional dos Povos, "sem uma forte mobilização internacional, o jornalista Julian Assange não será libertado". "Ao publicar no WikiLeaks milhares de documentos, fotos e vídeos que comprovam o envolvimento dos Estados Unidos e seus aliados na morte de inocentes e na espionagem em escala internacional, Assange cumpriu seu dever como jornalista. É por isso que a luta pela sua liberdade afeta a todos nós", disse.
Encontro com Lula e a carta aberta dos jornais
O apoio de Lula à libertação de Assange reiterada em Brasília foi amplamente divulgado em todo o mundo e tem uma grande relevância política para pressionar o governo Biden, pelo alinhamento à defesa da democracia, avalia Del Prete. "No contexto político da América Latina, a eleição de Lula no Brasil e de outros governos progressistas recém-eleitos como Chile, Peru e Colômbia podem ser contrapontos às forças fascistas na região e fortalecem a defesa de direitos como a liberdade de informação", disse.
Neste dia 28, os jornais The New York Times, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel e El País divulgaram carta aberta "Publicar não é crime", marcando o aniversário de 12 anos da publicação dos documentos secretos do Departamento de Estado dos EUA pelo WikiLeaks.
Na carta, os editores dos jornais destacaram a importância da imprensa em garantir ao pùblico o acesso à informação e para chamar os governos à responsabilidade. No documento, eles cobram também o governo dos EUA a retirada das acusações de espionagem contra Assange.
Acesse as matérias na Folha e The Guardian.
Deputados apoiam retirada de acusações
No encontro em Brasília nos dias 28 e 29/11, com as bancadas do PSOL, PT, PCdoB e PV, os jornalistas do Wikileaks conseguiram apoio de cerca de 100 parlamentares em um documento que será entregue ao presidente Biden e à presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, deputada democrata Nancy Pelosi.
Também na capital federal, Hrafnsson e Farrell foram recebidos por representantes dos grupos de trabalho de Meio Ambiente e de Justiça e Segurança Pública do Governo de Transição. A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, integrante do GT de Meio Ambiente, declarou que não há como lutar pela defesa do meio ambiente sem a transparência e a liberdade de informar.
Mobilização de jornalistas e artistas
Em encontro com artistas e influenciadores no Rio de Janeiro, recepcionados por Caetano Veloso e Paula Lavigne em sua residência, os editores explicaram aos presentes os aspectos políticos em torno do caso de Assange.
Em Brasília, os editores do WikiLeaks foram recebidos em um jantar na casa de Lisane Távora, reunindo advogados, juristas e influenciadores.
Em São Paulo, os jornalistas conheceram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e o trabalho de formação do MST.
O encontro na ABI – Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, com entidades sindicais e ativistas pela democratização da comunicação encerrou a rodada de mobilização da delegação do WikiLeaks no Brasil.
Dentre as entidades presentes estavam a Repórter Sem Fronteiras (RSF), Instituto Vladimir Herzog, Artigo 19, Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores no Brasil, Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Tornavoz, Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Intervozes e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Quem são Kristin Hrafnsson e Joseph Farrell
Kristinn Hrafnsson é jornalista investigativo e editor-chefe/porta-voz do WikiLeaks desde 2010. Ele trabalhou duas décadas como jornalista na Islândia, na imprensa e na radiodifusão e televisão, o período mais longo na RUV, a emissora pública. Ele foi coprodutor e apresentador do programa de investigação Kompás (Compass) na emissora privada Channel 2 durante o turbulento período do colapso financeiro na Islândia, após a crise bancária de 2008. Kompás foi um programa premiado onde ele e seus colegas frequentemente expuseram atividades criminosas e corrupção em altos cargos. Em abril de 2010, ele voou para Bagdá para entrevistar crianças do ataque militar registrado no “Collateral Murder”, o vídeo icônico publicado pelo WikiLeaks. Kristinn é um dos jornalistas mais premiados na Islândia e recebeu o prêmio da Federação de Jornalistas da Islândia em todas as três principais categorias em 2004, 2007 e 2010.
Joseph Farrell é jornalista e editor britânico que trabalhou para o Bureau of Investigative Journalism e para o Centre for Investigative Journalism, onde atualmente faz parte do Conselho de Administração. Ele trabalha para o WikiLeaks desde 2010 como editor de inúmeras publicações importantes do WikiLeaks, incluindo os Diários de Guerra do Iraque e Afeganistão e Cabos Diplomáticos (Cablegate). Seu trabalho para o WikiLeaks junto com outros associados, fez dele o alvo de uma investigação contínua do FBI. Ele foi membro da Coalizão da Sociedade Civil na conferência diplomática da World Intellectual Property Organization sobre um tratado de exceções de direitos autorais para pessoas com deficiências em Marrakesh, Marrocos. Ele também aparece regularmente nas redes de televisão como comentarista de notícias.
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