'Boric foi eleito pela capacidade em permitir às forças em sublevação se articularem e unificarem', diz Vladimir Safatle
"Aqui, vende-se o discurso de que o modelo que os chilenos rejeitaram e enterraram seria a maior astúcia política para a vitória no ano que vem", critica
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247 - O filósofo Vladimir Safatle afirma, em artigo publicado neste domingo (26) na Folha de S. Paulo, que a eleição do progressista Gabriel Boric para a presidência do Chile mostra “uma história que muitos tentaram nos levar a crer que havia definitivamente se encerrado: a das vitórias das insurreições populares e a força das repetições históricas”.
Segundo ele, “conhecemos situações nas quais governos são eleitos e procuram usar sua legitimidade eleitoral para modificar instituições e estruturas que se mostraram incapazes de realizar as aspirações populares de justiça”. Mas não havíamos visto ainda o processo inverso: a saber, insurreições populares que começam por modificar instituições e leis para, no meio desse processo, impulsionar a ascensão eleitoral de novos governos “, completa.
“A vitória do esquerdista Gabriel Boric não se deu exatamente pela força do enraizamento de seu partido, mas pela capacidade em permitir às múltiplas forças em sublevação se articularem e unificarem”, observa Safatle no artigo. “A diferença com o que vimos no Brasil é evidente”, emenda.
“No momento de constituir uma frente eleitoral para as eleições presidenciais, ela não procurou repetir ao infinito o mantra da "governabilidade" que fez do Chile o país governado de eterna aliança da centro-esquerda e da centro-direita, a Concertación”, diz Safatle no texto.
Para o filósofo, “aqui, vende-se o discurso de que o modelo que os chilenos rejeitaram e enterraram seria a maior astúcia política para a vitória no ano que vem e o posterior governo. Um pouco como quem crê que amarrar suas próprias pernas é a melhor maneira de fazer grandes caminhadas. Esquece-se de que foi esse o mesmo modelo que imperou durante toda a Nova República. Não foi por falta de 'frentes amplas' que chegamos aqui. Mais provável que tenha sido pelo seu excesso”.
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