Bolívia critica "falta de resposta" do Brasil sobre caso Pinto Molina

O governo boliviano, de Evo Morales, criticou em nota oficial a “falta de resposta oficial” do governo brasileiro no episódio envolvendo o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil em 2013; na nota, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia relembrou o caso, citando a fuga de Molina com auxílio de “funcionários diplomáticos brasileiros”, referindo-se à participação do diplomata Eduardo Saboia no caso

O governo boliviano, de Evo Morales, criticou em nota oficial a “falta de resposta oficial” do governo brasileiro no episódio envolvendo o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil em 2013; na nota, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia relembrou o caso, citando a fuga de Molina com auxílio de “funcionários diplomáticos brasileiros”, referindo-se à participação do diplomata Eduardo Saboia no caso
O governo boliviano, de Evo Morales, criticou em nota oficial a “falta de resposta oficial” do governo brasileiro no episódio envolvendo o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil em 2013; na nota, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia relembrou o caso, citando a fuga de Molina com auxílio de “funcionários diplomáticos brasileiros”, referindo-se à participação do diplomata Eduardo Saboia no caso (Foto: Leonardo Attuch)


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Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil

O governo boliviano criticou ontem (3), em nota oficial, a “falta de resposta oficial” do governo brasileiro no episódio envolvendo o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil em 2013. Na nota, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia relembrou o caso, citando a fuga de Molina com auxílio de “funcionários diplomáticos brasileiros”, referindo-se à participação do diplomata Eduardo Saboia no caso.

“O Ministério das Relações Exteriores do Estado Plurinacional da Bolívia lamenta a falta de resposta oficial do governo brasileiro às várias solicitações formais apresentadas como emergência da entrada do senhor Roger Pinto Molina à sede da embaixada daquele país na cidade de La Paz, pedindo asilo diplomático; a facilitação de sua fuga para o território brasileiro em cumplicidade com funcionários diplomáticos brasileiros [...]”. Procurado, o Itamaraty não se manifestou a respeito da nota do governo boliviano.

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O governo boliviano citou ainda o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça. A nota critica a apreciação do pedido de refúgio por parte do Conare, ressaltando que Molina responde a “vários processos penais” por crimes de corrupção pública. Diz ainda que o Conare já teria concedido refúgio à Molina, conforme “noticiado por meios de comunicação”. A assessoria do Ministério da Justiça, no entanto, não confirmou a concessão de refúgio a Molina até o fechamento desta reportagem.

Em agosto de 2013, dois meses após assumir como encarregado de negócios (substituto temporário do embaixador) na Bolívia, e reiterar ao Itamaraty as dificuldades vividas por Pinto Molina, Saboia, com mais de 20 anos de carreira, decidiu organizar a saída do senador, opositor do presidente Evo Morales.

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Antes de sua ida ao Brasil, o então senador chegou a ficar 455 dias abrigado na Embaixada do Brasil, em La Paz. Cerca de 22 horas depois de sair da capital boliviana, em um carro da embaixada brasileira, escoltado por fuzileiros navais, Pinto Molina chegou a Corumbá, em Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia, no dia 24 de agosto, de onde viajou para Brasília.

Na época, o atual ministro de segunda classe do Itamaraty defendeu-se, afirmando que esteve duas vezes em Brasília e  informou a seus superiores que Molina sofria de depressão e estava com problemas renais. Saboia disse que pediu para deixar o posto em La Paz e ser transferido para outro país ou voltar para o Brasil. O salvo-conduto para o senador deixar a Bolívia era negado pelas autoridades bolivianas, sob a alegação de que o parlamentar respondia a processos judiciais no país, por suspeita de corrupção.

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A repercussão do caso acabou levando a presidenta Dilma Rousseff a substituir, poucos dias depois, o então chanceler Antonio Patriota por Luiz Alberto Figueiredo, que, à época, era o representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Quase dois anos depois da entrada no país, Pinto Molina continua vivendo em Brasília.

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