Boaventura: nazistas ucranianos da Segunda Guerra não foram entregues a nenhum tribunal

Sociólogo português alerta para uma grave pendência histórica na Ucrânia que contribui para que a Europa seja lançada a mais um conflito imprevisível



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247 - Após a Segunda Guerra Mundial, os nazistas alemães foram levados a julgamento. Mas os nazistas ucranianos não. Decorre daí a força do grupo neonazista AZOV que domina boa parte das ações paramilitares na Ucrânia e que, em parte, apoia o presidente Volodymyr Zelensky.  

Para Boaventura de Sousa Santos, essa dívida histórica da Europa com a punição não realizada dos nazistas ucranianos caracteriza a situação atual do leste europeu.  

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Boaventura indaga:  

“Pensar o passado num momento de crise é pensar a antecipação do presente. Podia esta crise ter sido evitada? Se os EUA estivessem verdadeiramente empenhados em salvar o mundo para a democracia, teriam intervindo no golpe de Maidan (2014) contra um presidente democraticamente eleito, Viktor Yanukovych, que passou a ser contestado nos dias seguintes a ter recusado uma aproximação com a União Europeia, a qual implicava cortar as relações preferenciais com a Rússia? Por que é que os conhecidos grupos neo-Nazis, como o Batalhão Azov, foram integrados na Guarda nacional da Ucrânia e transformados pelos media ocidentais em heróis nacionalistas? Por que razão o think tank informal da NATO, o Atlantic Council, apesar de ter reconhecido em 2018 que a Ucrânia tinha um problema de extrema-direita, publicava um artigo em 24 de fevereiro de 2020 intitulado “Why Azov should not be designated a foreign terrorist organization”? Depois das intervenções da NATO na Sérvia, em 1999, no Afeganistão, em 2001, no Iraque, em 2004, na Líbia, em 2011, será possível continuar a considerá-la uma organização defensiva? Se a segurança internacional foi considerada indivisível depois da Segunda Guerra Mundial, por que razão os EUA se recusaram a reconhecer e a discutir nos últimos trinta anos as preocupações russas? Se desde 2015 a região de Donbass tem estado em guerra, de que resultaram entre 10.000 e 14.000 mortos, onde estava a ONU para fazer parar as hostilidades? Por que é que a ONU não foi mais activa em fazer cumprir os acordos de Minsk?”

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Assista a entrevista de Boaventura:

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