Biden chama decisão do Supremo sobre aborto de 'erro trágico'

Presidente dos Estados Unidos cobrou que o Congresso crie uma lei federal sobre o tema

Joe Biden
Joe Biden (Foto: Reprodução)


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(ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um duro discurso nesta sexta-feira (24) criticando a decisão da Suprema Corte de revogar o direito das mulheres a fazer um aborto e chamou a medida de "erro trágico" movido por uma "ideologia extrema". O mandatário, que estava visivelmente irritado, também cobrou que o Congresso crie uma lei federal sobre o tema.

"Hoje, a Suprema Corte dos Estados Unidos tirou expressamente do povo norte-americano o direito constitucional que já era reconhecido. Eles não limitaram a lei. Eles simplesmente tiraram direitos. Isso nunca foi feito para um direito tão importante para tantos norte-americanos, mas eles fizeram isso. É um erro trágico. Um dia triste para o nosso país", disse Biden.

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"O Supremo estabeleceu leis estaduais que criminalizam o aborto que remontam a 1800 como lógica racional. A Corte levou os Estados Unidos de volta em 150 anos", pontuou ainda.

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O presidente lembrou que desde 1973, quando o Supremo havia decidido de maneira favorável ao caso Roe v Wade, foram cinco décadas de líderes republicanos e democratas que sempre respeitaram a decisão e que hoje "a maioria dos cidadãos do país" cresceu nessa legislação e sempre "a achou aceitável".

Ainda citando os ex-presidentes - lembrando que a lei entrou em vigor na época do governo republicano de Richard Nixon -, Biden fez duras críticas ao seu antecessor, Donald Trump, que indicou três dos atuais juízes do Supremo e que desequilibrou a Justiça no país.

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"Os três juízes indicados pelo presidente Trump derrubaram a lei que protegia as mulheres. Isso é ideologia extrema, a Corte fez algo que nunca fez antes. E essa decisão vai ter consequências imediatas. As leis estaduais que proíbem o aborto vão entrar em vigor hoje", acrescentou.

Biden afirmou que "as mulheres podem ser punidas por proteger suas próprias saúdes" e os "médicos vão ser condenados por fazer seu dever e proteger a saúde das suas pacientes".

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"Mulheres vão ter que carregar crianças, filhos, que são frutos de estupro. Isso me deixa estarrecido. Mulheres vão ter que carregar crianças que são alvo de incesto, isso é cruel. É um dia muito triste para o país, não significa que a luta terminou, a gente vai continuar a lutar", acrescentou ainda.

Assim como quando um rascunho da decisão havia sido vazado, Biden alertou que a medida pode afetar todos os direitos civis do país que foram autorizados mediante ao "direito da privacidade", como a questão de "casar com quem você ama, do casal planejar quais métodos contraceptivos usar, e de poder criar seus filhos da maneira que deseja".

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Ao Congresso, Biden cobrou que o direito da mulher interromper a gravidez no início vire uma lei federal. "Mas, o problema é que o atual congresso não pode fazer isso hoje. Por isso, os eleitores precisam eleger representantes que possam debater e restaurar esse direito nas eleições de meio de mandato que vamos ter em novembro", acrescentou ainda.

O mandatário ainda pontuou que fará "tudo o que estiver ao seu alcance" para garantir os direitos das mulheres que quiserem fazer o procedimento nos estados que têm legislações favoráveis à prática e que vai lutar contra "qualquer legislação" que tente impedir o trânsito delas entre os estados.

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Segundo a mídia norte-americana, governos conservadores estaduais estudam formas de proibir o direito das mulheres de viajar para outros estados.

Biden ainda pediu que as manifestações contra a decisão sejam "pacíficas", mesmo entendendo a frustração de muitos norte-americanos.

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"Essa decisão não será a palavra final. Vamos fazer todo o possível para ajudar as mulheres, mas o congresso precisa agir. Isso não acaba aqui", finalizou.

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