Até 1,3 mil morreram em ataque com gás na Síria, diz oposição

Imagens mostram dezenas de corpos, incluindo de crianças pequenas, alinhados no chão de uma clínica médica, sem sinais visíveis de ferimentos; o número não pôde ser confirmado de forma independente, mas caso seja, é muito superior a outros supostos ataques do tipo; principal aliança de oposição no país afirma que foguetes com componentes tóxicos foram lançados contra o subúrbio de Ghouta

Imagens mostram dezenas de corpos, incluindo de crianças pequenas, alinhados no chão de uma clínica médica, sem sinais visíveis de ferimentos; o número não pôde ser confirmado de forma independente, mas caso seja, é muito superior a outros supostos ataques do tipo; principal aliança de oposição no país afirma que foguetes com componentes tóxicos foram lançados contra o subúrbio de Ghouta
Imagens mostram dezenas de corpos, incluindo de crianças pequenas, alinhados no chão de uma clínica médica, sem sinais visíveis de ferimentos; o número não pôde ser confirmado de forma independente, mas caso seja, é muito superior a outros supostos ataques do tipo; principal aliança de oposição no país afirma que foguetes com componentes tóxicos foram lançados contra o subúrbio de Ghouta (Foto: Gisele Federicce)


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Por Dominic Evans e Khaled Yacoub Oweis

BEIRUTE/AMÃ, 21 Ago (Reuters) - A oposição da Síria acusou as forças do presidente Bashar al-Assad de matar com gás muitas centenas de pessoas, até 1,3 mil segundo um dos relatos, nesta quarta-feira, o que seria o pior ataque com armas químicas do mundo nas últimas décadas, se confirmado.

Os países ocidentais e regionais pediram aos investigadores de armas químicas da ONU, que chegaram a Damasco há apenas três dias, que se encaminhem urgentemente para o local de um dos mais mortais incidentes nos dois anos de guerra civil.

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Imagens, entre elas algumas registradas por fotógrafos da Reuters, mostram dezenas de corpos, incluindo de crianças pequenas, alinhados no chão de uma clínica médica, sem sinais visíveis de ferimentos. A Reuters não conseguiu verificar independentemente a causa das mortes.

O governo sírio negou que tivesse usado armas químicas.

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George Sabra, um dos principais opositores de Assad, disse que 1,3 mil pessoas morreram em consequência de uma chuva de gás venenoso sobre subúrbios a leste de Damasco.

"Não é a primeira vez que o regime usou armas químicas. Mas (os crimes de hoje) constituem um ponto de virada nas operações do regime", disse ele, em uma entrevista coletiva em Istambul. "Desta vez foi mais para aniquilar do que aterrorizar."

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Um grupo de monitoramento da oposição, citando dados compilados a partir de clínicas médicas nos subúrbios de Damasco, colocou o número de mortos em 494, dos quais 90 por cento teriam sido mortos por gás, e o restante por bombardeios e armas convencionais.

Se a causa e a escala das mortes foram confirmadas, seria o pior uso conhecido de armas químicas desde que o líder iraquiano Saddam Hussein lançou gás contra milhares de curdos na cidade de Halabja, em 1988.

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Ativistas disseram que foguetes com agentes químicos atingiram os subúrbios de Damasco de Ain Tarma, Zamalka e Jobar durante intenso bombardeio pelas forças do governo na madrugada.

O centro de monitoramento Escritório de Mídia de Damasco disse que 150 corpos foram contados em Hammouriya, 100 em Kfar Batna, 67 em Saqba, 61 em Douma, 76 em Mouadamiya e 40 em Irbib, todos subúrbios de Damasco.

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SINTOMAS DE GÁS NERVOSO

Bayan Baker, enfermeira de um complexo emergencial, disse à Reuters que viu várias vítimas. "Muitas das vítimas são mulheres e crianças. Eles chegaram com suas pupilas dilatadas, membros frios e espuma na boca. Os médicos dizem que estes são sintomas típicos de vítimas de gás nervoso", disse a enfermeira.

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A Grã-Bretanha disse ter ficado profundamente preocupada e iria levantar a questão no Conselho de Segurança da ONU, acrescentando que os ataques seriam "uma escalada chocante" da situação, caso confirmados.

Um longo vídeo amador e fotografias apareceram na Internet. Um vídeo supostamente feito no bairro Kafr Batna mostra uma sala cheia com mais de 90 corpos, muitos deles crianças e algumas mulheres e homens idosos. Os corpos pareciam cinzentos ou pálidos, mas sem ferimentos visíveis.

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Outras imagens mostram médicos tratando pessoas em clínicas improvisadas. Um vídeo mostra os corpos de uma dúzia de pessoas no chão de uma clínica, sem ferimentos visíveis. O narrador no vídeo disse que eram todos membros de uma única família. Em um corredor do lado de fora estavam mais cinco corpos.

O chefe da Coalizão Nacional Síria, de oposição, disse que as forças de Assad haviam realizado um massacre: "Esta é uma oportunidade para (os inspetores da ONU) verem com seus próprios olhos este massacre e sabemos que este regime é criminoso", disse Ahmed Jarba.

Autoridades do governo Assad disseram que nunca usariam gás venenoso, caso o tivessem, contra os sírios. A televisão estatal síria citou uma fonte do Ministério de Informação dizendo que "não há verdade alguma" nos relatos.

A Síria é um dos poucos países que não fazem parte do tratado internacional que proíbe armas químicas, e as nações ocidentais acreditam que tenham reservas não declaradas de gás mostarda, sarin e agentes nervosos.

(Reportagem adicional de Erika Solomon, em Beirute)

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