Ásia e Europa recebem novo governo afegão do Talibã com cautela
Alemanha, China e Japão mostraram uma reação morna ao governo provisório do Talibã no Afeganistão nesta quarta-feira (8). Mas a China ressalta que a montagem do novo governo é um passo necessário rumo à reconstrução do Afeganistão
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(Reuters) - Alemanha, China e Japão mostraram uma reação morna ao governo provisório do Talibã no Afeganistão nesta quarta-feira (8), semanas depois da tomada de Cabul no mês passado.
Líderes dos militantes islâmicos preencheram todos os cargos principais da lista divulgada na terça-feira, que não tem pessoas de fora nem mulheres. Um associado do fundador do grupo foi nomeado como primeiro-ministro, e o ministro do Interior consta de uma lista de terroristas procurados pelos Estados Unidos.
A estrutura do novo governo se choca com conselhos de potências estrangeiras para que o Talibã montasse um governo inclusivo. Estas apoiaram as promessas do grupo de uma abordagem mais conciliadora, que respeite os direitos humanos, contanto que os militantes busquem a paz e o desenvolvimento.
Expressando preocupação com a composição do governo, o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, disse que vê poucos motivos de otimismo a respeito das condições no Afeganistão.
"O anúncio de um governo de transição sem a participação de outros grupos, e a violência de ontem contra manifestantes e jornalistas em Cabul, não são sinais que dão motivo para otimismo", disse.
Os afegãos que desfrutaram de grandes avanços na educação e nas liberdades civis durante os 20 anos de governo apoiado pelos EUA continuam temerosos das intenções do Talibã, e protestos diários continuam desde a tomada de poder pelo grupo.
Maas disse, porém, que a Alemanha está disposta a continuar conversando com o Talibã na tentativa de fazer com que mais pessoas possam deixar o país, abalado pela escassez de alimento e pela suspensão de pagamentos internacionais.
A China, que compartilha uma fronteira com o Afeganistão, pediu o estabelecimento de um governo "aberto e inclusivo" depois que o Talibã assumiu o controle em meio ao caos da retirada dos militares dos EUA.
Um porta-voz da chancelaria disse em Pequim nesta quarta-feira que a China vê a montagem do novo governo como um passo necessário rumo à reconstrução do Afeganistão.
"Esperamos que as novas autoridades afegãs ouçam amplamente as pessoas de todas as raças e facções para atender as aspirações de seus próprios povos e as expectativas da comunidade internacional", disse Wang Wenbin em uma entrevista coletiva diária.
A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que os serviços básicos estão degenerando no Afeganistão, e alimentos e outras formas de assistência estão prestes a acabar.
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