Às vésperas das eleições, Justiça devolve controle aos militares no Egito

Mesmo com dissolução do Parlamento, segundo turno é mantido; presidente eleito deverá ter poderes limitados

Às vésperas das eleições, Justiça devolve controle aos militares no Egito
Às vésperas das eleições, Justiça devolve controle aos militares no Egito (Foto: Amr Abdallah Dalsh/REUTERS )


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William Maia _Opera Mundi - A Junta Militar que assumiu o poder no Egito há mais de um ano dissolveu o Parlamento do país nesta quinta-feira (14/06) após a Suprema Corte egípcia anular as eleições legislativas realizadas no último mês de dezembro. Os juízes da Corte Constitucional entenderam que a primeira votação livre no Egito após o fim da ditadura de Hosni Mubarak foi irregular.

Com isso, o Egito mergulha ainda mais em um clima de indefinição política, há dois dias do segundo turno das eleições presidenciais marcado para este fim de semana (16 e 17 de junho). Apesar da instabilidade, o Conselho Supremo das Forças Armadas anunciou que a votação está mantida. "não há nenhuma mudança nesse assunto", disse a cúpula militar segundo a agência estatal Mena.

Também nesta quinta, a Suprema Corte declarou inconstitucional uma lei aprovada em março pelo Parlamento agora dissolvido que impedia a candidatura de ex-integrantes do alto escalão do regime de Mubarak. A Lei de Exclusão ameaçava a candidatura de Ahmed Shafiq, militar reformado e último primeiro-ministro do antigo governo.

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Essa decisão causou a ira de manifestantes que protestavam do lado de fora do tribunal pela exclusão de Shafiq. O ex-premiê é visto pelos revolucionários da praça Tahrir como um retorno ao antigo status quo, enquanto minorias étnicas, como a comunidade crista copta, vêem em Shafiq a única alternativa para evitar a chegada de grupos islamitas ao poder.

Shafiq disputa o segundo turno contra Mohammed Mursi, candidato do PLJ (Partido Liberdade e Justiça), braço político da Irmandade Muçulmana. O tradicional grupo religioso tinha sido o principal vencedor das eleições legislativas, dominando quase metade da Câmara dos Deputados. A decisão da Suprema Corte, portanto, jogou um balde de água fria nas pretensões da Irmandade de dominar a política egípcia. Novas eleições parlamentares deverão ser convocadas em 60 dias. 

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