As quarentenas abertas da América Latina
O jornalista Nacho Levy descreve com tintas fortes o cenário latino-americano pouco antes do início da pandemia do coronavírus. Drama e esperança faziam parte da realidade. “Apesar dos pesares, a América Latina cresce sob sua dignidade, sob telhados de zinco, desafiando a autoridade, porque nos unimos”, escreve
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247 - Por Nacho Levy, para La Poderosa - Há pouco tempo, estávamos começando a testar o golpe cívico-militar na Bolívia, o oxigênio para a dívida ilegítima da Argentina, a febre por militarizar as ruas uruguaias, os tapa-olhos para protestar contra Piñera, os delírios de Bolsonaro nas favelas, o temperatura do parlamento peruano, as valas comuns no México, a intensificação do bloqueio contra Cuba, a curva de tarifas no Equador, o vírus que mata líderes na Colômbia, o isolamento obrigatório da Venezuela, a letalidade do racismo, as luvas do capitalismo financeiro e as vacinas apócrifas da OEA, entre todos os trunfos que nos unem em uma terra sem coroas, onde a praga do silêncio mata as pessoas, os favorecidos fecham suas portas e nosso povo trabalha. As veias abertas da Pátria baixa!
Era por aí que agonizavam as novas verdades que nunca foram prioridades nas coberturas imunizadas da região, dramaticamente intubadas no mesmo padrão, quando o universo mudou repentinamente.
No lado oposto da globalização, sem perder o controle da televisão, uma pandemia caiu nos braços, rompendo, vomitando seus nichos e enterrando os outros insetos que atormentavam a pobreza: fome, desmatamento, cercas, sem horizonte, a seca, a discriminação, a hipocrisia, a concentração, a grande mineração, o mal menor, a polícia com silenciador, indiferença, pesticidas, vivendo com feminicidas!
Hoje uma rede de assembleias populares se espalha ruidosamente, girando ideias de diferentes lugares, porque a pobreza é uma só, mas a integridade é uma onda de convicções, arrastando por séculos milhões que não apenas sofremos o colonialismo e o infortúnio, mas nascemos da mesma idiossincrasia!
Contornando todas as barreiras, as comunidades de nossas aldeias têm jogado muros ao longo das redes com as fachadas de outras favelas que também são escolas, como comunidades, cidades, barracos, bairros populares, assentamentos.
Há quanto tempo começaram os isolamentos? Apesar dos pesares, a América Latina cresce sob sua dignidade, sob telhados de zinco, desafiando a autoridade do mapa, porque nos unimos, porque quebramos o prisma, porque não suportamos mais! E porque compartilhamos a mesma garganta.
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