As eleições na Nicarágua e as tentativas de violar sua soberania

A Nicarágua vai às urnas no dia 7 de novembro sob contestação do governo estadunidense

(Foto: Jorge Cabrera/Reuters)


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Prensa Latina - A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) enfrenta, durante os processos eleitorais na Nicarágua, uma oposição local e interesses estrangeiros representados pelos Estados Unidos, a União Europeia e mecanismos regionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em declarações à Prensa Latina, o acadêmico Leonardo González disse que as eleições de 2006, nas quais Daniel Ortega venceu, constituíram uma nova experiência ou paradigma político diante da campanha sistemática de terror anti-sandinista, mediada pela interferência estrangeira.

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A cruzada contra este movimento de esquerda difundiu a visão estigmatizada de que a FSLN - Frente Sandinista de Libertação Nacional não poderia exercer o poder, transformar a realidade ou tomar iniciativas públicas em tempos de paz, embora há 14 anos esteja promovendo um amplo programa de transformação social e econômica.

Segundo o professor da Faculdade de Ciências Humanas e Jurídicas da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN-Manágua), em 2006 a FSLN conquistou o poder através do processo eleitoral com as ‘regras do jogo’ estabelecidas pela direita, seus magistrados, leis e reformas eleitorais. 

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O pesquisador mencionou a existência de dois tipos de oposição: uma que mantém o canal jurídico-institucional, respeitando os resultados das eleições, e outra que se dedica a distorcê-los através de mecanismos internacionais, esta última ausente das eleições de 2021 após cometer delitos criminais.

‘Sabemos como os observadores internacionais agem, com a imposição de seus critérios e o desrespeito à soberania’. Nenhum cidadão nicaraguense pode ceder sua autonomia a serviço de uma potência estrangeira, qualificada no país como traição, sancionada e julgada pelo Estado’, explicou ele. 

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Carlos Manuel García, técnico em eletrônica e militante da FSLN desde 1977, alertou a Prensa Latina sobre as tentativas de desestabilização porque ‘como não têm candidatos para uma possível vitória eleitoral, assumem uma tática semelhante à da Bolívia, mas aqui não têm o apoio das forças armadas e da polícia’.

O ativista sandinista aludiu ao golpe orquestrado em novembro de 2019, após a reeleição do líder indígena Evo Morales e a chegada de Jeanine Añez como chefe do governo de facto, e assinalou que estas manobras incluem a criação de grupos subversivos sob a fachada da democracia. 

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‘A administração estadunidense e seus aliados nacionais e estrangeiros alocam recursos para a organização de eventos como as manifestações de 18 de abril de 2018, com o objetivo de estimular um surto social através do uso de algumas fraquezas administrativas, descontentamento e violência’, disse ele.

O que caracteriza a cruzada midiática anti-sandinista? 

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A mídia e os partidos que se opõem ao governo atual estão usando a prisão de pelo menos trinta líderes da oposição para ofuscar ou ignorar a eleição de 7 de novembro do presidente, vice-presidente, 90 deputados à Assembleia Nacional e 20 ao Parlamento Centro-Americano. 

‘Os partidos políticos incluídos, intervêm não para acompanhar a esperança, reorganização e fortalecimento do poder executivo e legislativo, mas com o objetivo de manter legalmente sua organização partidária, após obter uma porcentagem no processo eleitoral’, reconheceu González. 

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Em sua opinião, estes grupos não representam os interesses da maioria porque, segundo pesquisas realizadas nos 16 departamentos do país centro-americano, a FSLN tem mais de 70% de aceitação, legitimidade e apoio, ‘para nós esta é a única opção que manteria dignidade, liberdade, paz e desenvolvimento’, disse ele. 

Da mesma forma, ele afirmou que hoje nenhum dos partidos de direita oferece programas reais e lembrou que, com a reforma constitucional de 2014, a democracia, além de representativa, incorporou os termos direto e participativo, aplicados a todos os cidadãos, sem distinção de ideologia política, nos 153 municípios.

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‘A campanha de deslegitimação começou em 2006 com o repúdio do resultado; a OEA, a União Europeia e os outros atores envolvidos também não reconheceram a reeleição de 2011. Em 2009, ocorreu a retirada do projeto americano conhecido como Millennium Challenge Account e outros doadores’, disse ele. 

Toda essa ajuda foi sempre condicionada, argumentou ele, à permanência da democracia baseada no pensamento europeu e ‘gringo’, à formação de defensores do modelo neoliberal, à gestão de fundos pelo setor privado e à imposição do Acordo de Livre Comércio entre a América Central e os Estados Unidos. 

Em 2021, além da FSLN, o Partido Liberal Constitucional – no poder de 1996 a 2006 com Arnoldo Alemán e Enrique Bolaños –, o Caminho Cristão Nicaraguense, o Partido da Aliança Liberal Nicaraguense, o Partido da Aliança pela República e o Partido Liberal Independente também participarão das eleições.

Triunfo eleitoral do Sandinismo

Uma vez assumida a presidência em 10 de janeiro de 2007, Ortega voltou às posições históricas da FSLN, assumiu a Constituição de 1987 e restaurou a saúde e a educação gratuitas para a sociedade nicaraguense, um direito que havia sido ignorado durante 16 anos de governos neoliberais.

A pobreza e a miséria institucionalizadas e a ausência de estradas, escolas e hospitais foram as consequências mais palpáveis da má administração presidencial nos anos 90 e, além disso, o ensino superior público careceu de orçamento. 

Nos últimos 14 anos, a Nicarágua fortaleceu sua inserção em organizações regionais, pois o triunfo do sandinismo ocorreu paralelamente à consolidação de um novo eixo anticolonialista formado por líderes como Hugo Chávez da Venezuela, Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e Néstor Kirchner na Argentina. 

González mencionou algumas das mudanças sociais deste período, por exemplo, o aumento do acesso à eletricidade e água potável de 60% para 98% da população; o aumento do número de hospitais de 12 para 50; e uma execução adequada de empréstimos internacionais com respeito à promoção de políticas públicas. 

‘A Nicarágua sempre esteve no centro das disputas regionais. Em abril de 2018, a extrema direita, com o apoio dos Estados Unidos, se confrontou com o povo em defesa de sua soberania’, concluiu ele. 

Para estas eleições, com uma participação esperada de mais de quatro milhões de cidadãos, a FSLN, liderada pelo Presidente Ortega e a Vice-Presidente Rosario Murillo, aposta num Plano Nacional de luta contra a pobreza e a favor do Desenvolvimento Humano, entre 2022 e 2026.

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