Arábia Saudita quer "elaborar um acordo com a Opep+ que inclua a Rússia"
O país ocupa uma posição-chave na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Sauditas não querem misturar petróleo com política
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RT - O ministro da Energia da Arábia Saudita, país que ocupa uma posição-chave na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e no acordo OPEP+, declarou este domingo que Riad espera “desenvolver um acordo com a OPEP+ que inclua a Rússia”.
O príncipe Abdulaziz bin Salman al Saud também observou que seu país apoiará a Rússia como membro do grupo de produtores de petróleo da OPEP +, apesar das sanções introduzidas contra Moscou pelo Ocidente e do possível embargo que a União Europeia planeja impor às importações de petróleo russo. Como enfatizou em entrevista ao Financial Times, "o mundo deveria apreciar o valor" da aliança dos produtores de petróleo.
O membro da família real saudita comentou que, nas condições atuais, ainda é muito cedo para dizer como seria exatamente o novo acordo, dada a incerteza geral no mercado. No entanto, ele prometeu que a Opep+ poderia aumentar a produção "se houver demanda".
"Com os danos que estão sendo vistos agora, é muito cedo para tentar definir [um acordo]", disse o ministro durante a entrevista. "Mas o que sabemos é que o que conseguimos entregar é suficiente para as pessoas dizerem que até agora há mérito, há valor em estar ali, trabalhando em conjunto", disse.
O príncipe Abdulaziz comentou ainda a subida dos preços dos combustíveis, sublinhando que “o fator determinante do mercado é a capacidade da refinaria e a forma como é desbloqueada”. “Nos últimos três anos, pelo menos, o mundo inteiro perdeu cerca de 4 milhões de barris de capacidade de refino, 2,7 milhões deles apenas desde o início da Covid”, disse.
O ministro assegurou que, em sua opinião, a política deve ser mantida fora da Opep+ e que sua aliança seria necessária no futuro para conseguir “ajustes ordenados” em meio à situação instável causada pelos bloqueios em decorrência do coronavírus na China e problemas nas cadeias de suprimentos.
Não misture petróleo com política
No final de março, o príncipe Abdulaziz destacou que a OPEP+ não deve misturar a política internacional e a situação em torno da Ucrânia com a missão de manter o mercado mundial de petróleo estável.
Em suas palavras, a própria existência da organização depende de sua missão de conseguir separar a estabilização dos preços do petróleo de outros fatores geopolíticos, ainda que amplamente discutidos e condenados pela comunidade internacional. Ele também lembrou que a OPEP e a OPEP+ têm cooperado repetidamente com países envolvidos em conflitos, como Iraque e Irã.
Os comentários do príncipe Abdulaziz foram apoiados pelo ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail al Mazrouei, que acrescentou que a única missão da organização é "estabilizar o mercado". Da mesma forma, Al Mazrouei assegurou que os mercados de energia precisam de petróleo russo e atualmente nenhum produtor é capaz de substituir sua produção de 10 milhões de barris por dia. "Não vemos ninguém que possa substituir a Rússia", enfatizou.
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