Após pressão, Síria liberta 500 presos durante protestos
País vem sendo mais pressionado depois de massacre de civis em Houla; Hillary Clinton acusa Rússia de contribuir para guerra civil
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William Maia _Opera Mundi – O governo da Síria libertou nesta quinta-feira 500 pessoas que haviam sido presas ao longo dos últimos meses, durante a onda de protestos que pedem a saída do presidente Bashar Al Assad. Segundo a agência estatal Sana, os detidos não eram acusados por crimes de sangue. Os presos libertados "estavam envolvidos nos eventos que acontecem na Síria" atualmente, de acordo com a agência.
O novo indulto ocorre logo após a visita do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao país para negociar a retomada do plano de paz firmado em abril. Nos últimos 13 meses, o governo sírio já decretou vários indultos, sendo que no último dia 16, 250 pessoas foram libertadas.
A pressão internacional sobre a Síria aumentou nos últimos dias, depois que uma ação das forças de segurança leais a Assad terminou com 108 civis mortos, no que ficou conhecido como "massacre de Houla". Diversas potências ocidentais, como Estados Unidos e França, expulsaram representantes diplomáticos do país árabe em protesto contra a ação.
Durante sua visita de dois dias, Annan, que negocia com Assad e os rebeldes em nome das Nações Unidas, pediu ao presidente sírio que tome "medidas audazes agora e não amanhã" para aplicar seu plano de paz. Assad, por sua vez, condicionou seu cumprimento ao fim do "terrorismo".
O plano de Annan de seis pontos estipula, entre outros, um cessar-fogo, a saída das tropas das cidades, a libertação dos presos políticos, a entrada de ajuda humanitária e o início de um diálogo entre as autoridades e a oposição.
Guerra diplomática
Enquanto Annan e Assad negociavam o plano de paz, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira (31/05), em Copenhague, que a oposição da Rússia a uma intervenção militar na Síria pode contribuir para que haja uma guerra civil nesse país. "A Rússia diz que quer evitar uma guerra civil na Síria. Eu lhes digo que sua política contribuirá para que haja uma guerra civil", afirmou durante um encontro com estudantes dinamarqueses, segundo a agência de notícias Ritzau.
Principal aliado do governo de Assad, o governo russo, ao lado da China, se opõe firmemente a uma ação militar externa na Síria nos moldes da ocorrida na Líbia. "É um dilema como intervir sem causar mais mortes e mais sofrimento. O massacre de pessoas inocentes deve parar, mas Rússia e China estão complicando a situação", disse Hillary Clinton.
O governo russo, por sua vez, já acusou o Ocidente de fomentar o conflito no país árabe, ao financiar e enviar armas para os grupos rebeldes.
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