Após fracasso do plano Guaidó, EUA elaboram nova estratégia para Venezuela, diz especialista

"Trump já percebeu que Guaidó está cada vez mais frágil [...] o conselheiro de segurança pública, Robert O’Brien, já está delineando uma nova estratégia", afirma o pesquisador do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ) Gustavo Guerreiro

Guaidó chega para cerimônia no Congresso em Caracas 05/01/2020
Guaidó chega para cerimônia no Congresso em Caracas 05/01/2020 (Foto: REUTERS/Fausto Torrealba)


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Sputnik - Administração Trump, que enfrenta processo de impeachment "desgastante" e "derrota geopolítica no Oriente Médio", elabora nova estratégica para a Venezuela após Guaidó perder o cargo de presidente da Assembleia Nacional, disse o diretor de pesquisas da CEBRAPAZ.

No dia 5 de janeiro, o presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, perdeu seu cargo de presidente da Assembleia Nacional. Sem o posto, que lhe rendia legitimidade para aspirar ao cargo de presidente, a influência de Guaidó deve reduzir-se ainda mais.

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Para o pesquisador do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ) Gustavo Guerreiro, Juan Guaidó "nunca foi uma alternativa de oposição democrática a Maduro na Venezuela" e perdeu sua pouca credibilidade perante o público que tinha antes de se autoproclamar presidente.

Após perder a eleição na Assembleia Nacional, Juan Guaidó e seus apoiadores realizaram uma sessão "paralela" do parlamento, que aparentemente não reuniu o quórum necessário, para recolocá-lo no posto.

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Apesar da manobra, Washington não hesitou em reconhecer a "reeleição" de Guaidó imediatamente.

"No dia da eleição, todas as correntes opositoras estavam presentes no Congresso. Guaidó ficou do lado de fora do Congresso, porque sabia que não tinha votos suficientes para ser reeleito", contou Guerreiro à Sputnik Internacional.

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Guaidó alegou que não teve permissão para entrar no palácio do Congresso, o que, segundo Guerreiro, "não é verdade": 

"O deputado Pedro Carrero, um dos líderes do chavismo no Congresso [...] prevendo a manobra de Guaidó, deixou claro que ele era livre para entrar no prédio. No entanto, cinco deputados que acompanhavam [Guaidó] estavam proibidos de entrar, uma vez que seus mandatos foram cassados por sentença judicial", contou.

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Após as eleições, o novo presidente da Assembleia Nacional, Luis Parra, que também é parte do bloco de oposição, teria afirmado que "ninguém impediu Guaidó de entrar".

"Outros [deputados] que tinham mandado de prisão entraram bravamente. Não vamos ficar viciados no passado, e Guaidó é o passado", disse Parra ao canal local Telesur.

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Para o especialista, apesar de manter a retórica de apoio, os EUA estariam cientes da derrota da estratégia de Guaidó.

"Trump já percebeu que Guaidó está cada vez mais frágil [...] o conselheiro de segurança pública, Robert O’Brien, já está delineando uma nova estratégia", disse Guerreiro.

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A posição de Nicolás Maduro, no entanto, estaria fortalecida, principalmente pelo apoio popular de que goza o chavista.

"Nenhum governante, não importa o quão poderoso, seria capaz de resistir sem apoio popular aos ataques sistemáticos de uma oposição interna violenta, conluios dos principais meios de mídia e dos EUA, ameaças e sanções", disse.

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Apesar do revés sofrido pela estratégia de Washington, o especialista não acredita em prognósticos sobre uma eventual intervenção militar direta no país sul-americano.

"É difícil prever qualquer ação militar, até porque operações militares bem-sucedidas nunca são anunciadas [...] exemplo recente disso foi o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani", argumentou.

Para o especialista, a situação regional latino-americana tornou-se "demasiadamente complexa" e, no caso venezuelano, "a ajuda econômica de Rússia e China fez a diferença". No entanto, os EUA estariam com dificuldades para agir:

"Trump está enfrentando um processo de impeachment desgastante e uma grande derrota geopolítica no Oriente Médio", acrescentou.

No dia 5 de janeiro, o deputado da oposição Luis Eduardo Parra foi eleito presidente da Assembleia Nacional, sucedendo o presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, em um cargo-chave para a política venezuelana.

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