Após 26 anos de fuga, polícia francesa prende suspeito de financiar genocídio em Ruanda

Suspeito do genocídio em Ruanda, Felicien Kabuga, foi preso neste sábado (16), perto de Paris. Ele é considerado o "tesoureiro do genocídio de Ruanda" e um dos principais réus ainda procurados pela Justiça internacional

Jornal de Nairóbi com foto do então fugitivo Felicien Kabuga, acusado de financiar o genocídio de Ruanda
Jornal de Nairóbi com foto do então fugitivo Felicien Kabuga, acusado de financiar o genocídio de Ruanda (Foto: REUTERS / GEORGE MULALA)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Sputnik - Suspeito do genocídio em Ruanda, Felicien Kabuga, foi preso neste sábado (16), perto de Paris, após 26 anos em fuga, informou o Ministério da Justiça da França.

Kabuga é considerado o "tesoureiro do genocídio de Ruanda" e um dos principais réus ainda procurados pela Justiça internacional. As informações foram publicadas pela agência AFP.

continua após o anúncio

Kabuga, de 84 anos, é acusado de ter criado as milícias Interahamwe, o principal braço armado do genocídio de 1994 que causou em torno de 800 mil mortes, segundo números da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ele vivia com identidade falsa em um apartamento de um prédio residencial em Asnieres-Sur-Seine, quando foi preso. Kabuga estava com um de seus filhos, que não foi detido.

continua após o anúncio

Olivier Olsen, chefe da associação de proprietários de imóveis no prédio onde ele morava, descreveu Kabuga como "uma pessoa muito discreta ... que balbuciava quando alguém o cumprimentava".

Kabuga morou no prédio por três ou quatro anos e tinha problemas para caminhar.

continua após o anúncio

Felicien Kabuga foi indiciado em 1997 por sete acusações criminais, incluindo genocídio, cumplicidade em genocídio e incitação a cometer genocídio, todas em relação ao massacre de 1994 em Ruanda.

Ele é alvo de um mandado de prisão por parte do Mecanismo para Tribunais Penais Internacionais (MTPI), a estrutura encarregada de concluir os trabalhos do Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

continua após o anúncio

Sua detenção mostra que "os responsáveis pelo genocídio podem ser responsabilizados, mesmo 26 anos após seus crimes", disse o promotor do MTPI, Serge Brammertz, em um comunicado.

Kabuga passará por um processo de extradição diante de uma câmara do Tribunal de Apelações de Paris. Este órgão decidirá sua entrega ao MTPI do Tribunal Internacional de Haia para julgamento.

continua após o anúncio

Os dois principais grupos étnicos de Ruanda eram os hutus e os tutsis, que travaram uma guerra civil no início dos anos 90.

Em 1994, Félicien Kabuga fazia parte do círculo próximo ao presidente ruandês, Juvénal Habyarimana, cujo assassinato em 6 de abril de 1994 provocaria o genocídio. Uma das filhas de Kabuga era casada com um filho de Habyarimana.

continua após o anúncio

Kabuga presidiu a Rádio Televisão Free Thousand Hills (RTLM), que transmitia convocações para assassinar os tutsis, e o Fundo de Defesa Nacional (FDN), que coletava "fundos" para financiar a logística e as armas dos milicianos hutus Interahamwe, de acordo com a ata de acusação do TPIR.

Kabuga era um dos principais acusados foragidos, junto com Protais Mpiranya, que dirigia a guarda do então presidente ruandês, Juvénal Habyarimana, e o ex-ministro da Defesa Augustin Bizimana. Ambos ainda são perseguidos pela justiça internacional.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247