América Latina diz estar “preocupada” com impeachment no Brasil

Vários governos latino-americanos expressaram preocupação nesta quinta-feira sobre as possíveis consequências da decisão do Senado de aprovar a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o que a afasta da Presidência por até 180 dias; Chile, Venezuela, Bolívia, Cuba e Equador manifestaram preocupação com o afastamento da presidente Dilma e os impactos sobre a establidade política e  econômica no continente

Vários governos latino-americanos expressaram preocupação nesta quinta-feira sobre as possíveis consequências da decisão do Senado de aprovar a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o que a afasta da Presidência por até 180 dias; Chile, Venezuela, Bolívia, Cuba e Equador manifestaram preocupação com o afastamento da presidente Dilma e os impactos sobre a establidade política e  econômica no continente
Vários governos latino-americanos expressaram preocupação nesta quinta-feira sobre as possíveis consequências da decisão do Senado de aprovar a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o que a afasta da Presidência por até 180 dias; Chile, Venezuela, Bolívia, Cuba e Equador manifestaram preocupação com o afastamento da presidente Dilma e os impactos sobre a establidade política e  econômica no continente (Foto: Paulo Emílio)


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Por Carlos Serrano, Reuters - Vários governos latino-americanos expressaram preocupação nesta quinta-feira sobre as possíveis consequências da decisão do Senado de aprovar a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o que a afasta da Presidência por até 180 dias.

O afastamento de Dilma por crime de responsabilidade foi classificado como injustificado pelo secretário-geral do bloco sul-americano Unasul, e governos de esquerda na região ecoaram o argumento da presidente afastada de que é alvo de um golpe.

A Argentina, num primeiro momento, defendeu o respeito ao processo, mas depois salientou preocupações sobre a "transcendência" do fato e o trabalho bilateral entre os dois países.

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"No lado econômico, nós vemos com muita preocupação pelo impacto sobre nossa indústria, nossos produtos, nosso comércio", disse o chefe de gabinete de ministros da Argentina, Marcos Peña, à televisão estatal.

Inicialmente, a ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra, afirmou em um comunicado seu respeito ao "processo institucional" com a confiança de que "o resultado da situação consolide a força da democracia brasileira".

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Para o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, a suspensão da presidente abre "questões preocupantes" sobre o Estado de direito.

"Não é nenhum mistério o peso que o Brasil tem na região, e estas circunstâncias de instabilidade que tem vivido e pode se aprofundar com a decisão tomada (pelo Senado)... de maneira perigosa para a região", declarou ele na sede da Unasul, em Quito.

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O Chile expressou "preocupação" com o cenário incerto. O chanceler Heraldo Muñoz, que acompanha a presidente Michelle Bachelet em uma viagem à Europa, destacou as "excelentes relações" com a "amiga" Dilma e seu "apoio decisivo ao Estado de direito, aos processos constitucionais e às instituições democráticas no Brasil".

CONDENAÇÃO AO "GOLPE"

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Já o governo venezuelano de Nicolas Maduro, um aliado próximo de Dilma, rejeitou o que chamou de um "golpe de Estado parlamentar" no Brasil e convocou seus seguidores a manifestar-se na tarde de quinta-feira em apoio à presidente afastada.

"A presidente legítima, Dilma Rousseff, primeira mulher eleita como chefe de Estado no Brasil, enfrenta um ataque motivado por vingança daqueles que perderam as eleições e que são incapazes de alcançar o poder político por outros meios que não a força", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

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O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou o que chamou de um "ataque contra a democracia e a estabilidade econômica no Brasil e na região".

O governo comunista de Cuba também descreveu o processo como um "golpe". "Hoje foi consumado um passo fundamental para os objetivos golpistas", acrescentou.

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O governo do Equador deu o seu apoio "ao governo constitucional da presidente Dilma, depositária legítima do mandato popular expressado nas últimas eleições democráticas, e contra a qual não pesa, até agora, uma imputação que a vincule a um crime comum".

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, se concentrou em desejar "que a institucionalidade democrática no Brasil seja preservada, para que o devido processo seja respeitado". "O que queremos é que a estabilidade se mantenha", disse ele em Londres.

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(Reportagem adicional de Nicolás Misculin em Buenos Aires, Antonio de la Jara em Santiago, Alexandra Valencia em Quito, Luis Jaime Acosta em Bogotá, Eyanir Chinea em Caracas, Nelson Acosta em Havana e Daniel Ramos em Paz)

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