Altman: Brasil deve rechaçar pressão israelense

"A aceitação de Dani Dayan, líder dos assentamentos ilegais em territórios palestinos, seria um tapa na cara das forças progressistas internacionais e uma impensável capitulação diante da direita sionista", diz o jornalista Breno Altman, sobre a crise gerada pela indicação do novo embaixador israelense no Brasil; rechaçado pelo Itamaraty, Dayan afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "não pressionou o Brasil o suficiente

"A aceitação de Dani Dayan, líder dos assentamentos ilegais em territórios palestinos, seria um tapa na cara das forças progressistas internacionais e uma impensável capitulação diante da direita sionista", diz o jornalista Breno Altman, sobre a crise gerada pela indicação do novo embaixador israelense no Brasil; rechaçado pelo Itamaraty, Dayan afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "não pressionou o Brasil o suficiente
"A aceitação de Dani Dayan, líder dos assentamentos ilegais em territórios palestinos, seria um tapa na cara das forças progressistas internacionais e uma impensável capitulação diante da direita sionista", diz o jornalista Breno Altman, sobre a crise gerada pela indicação do novo embaixador israelense no Brasil; rechaçado pelo Itamaraty, Dayan afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "não pressionou o Brasil o suficiente (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – "A aceitação de Dani Dayan, líder dos assentamentos ilegais em territórios palestinos, seria um tapa na cara das forças progressistas internacionais e uma impensável capitulação diante da direita sionista", diz o jornalista Breno Altman, sobre a crise gerada pela indicação do novo embaixador israelense no Brasil.

Leia, abaixo, reportagem do Opera Mundi:

Israel sobe o tom contra Brasil e ameaça tomar 'medidas alternativas' por recusa de embaixador

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Redação | São Paulo - 27/12/2015 - 19h14

Brasília não respondeu à indicação de Dani Dayan como embaixador no país; ele é um importante expoente dos assentamentos judeus em territórios palestinos

O governo israelense elevou o tom neste domingo (27/12) e pediu que o Brasil aceite a nomeação do ex-dirigente colono Dani Dayan como embaixador no país. A vice-ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, ressaltou, em entrevista à emissora Canal 10, que seu país não tem intenção de enviar outro diplomata a Brasília.

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Em mensagens privadas, Itamaraty afirmou que prefere um embaixador que não represente a colonização judaica da Palestina. Até agora, o Brasil não enviou o agrément, documento que significa um “aceite” do novo embaixador, em um movimento que tem sido visto por Israel como de recusa de Brasília ao nome de Dayan. 

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Agência Efe

Região do assentamento de Gvaot, próxima a Belém na Cisjordânia: assentamentos são ilegais, segundo o direito internacional

"Eles não podem vetar Dayan só pelo fato de ser um colono. (…) Se não o aceitarem, criará uma crise e melhor não chegarmos até isso", afirmou Hotovely sinalizando o início de uma possível "crise diplomática" entre os dois países e afirmou que, caso o nome não seja aceito, a embaixada ficará a cargo do número 2 da diplomacia do país no Brasil.

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De acordo com Hotovely, que é chefe interina da diplomacia israelense – o cargo é exercido pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu –, Israel administrou o problema até agora de "forma discreta", mas passará a adotar "ferramentas alternativas públicas", entre a imprensa contra o que considera ser um veto de caráter ideológico.

"Nunca houve na história de Israel uma situação na qual um embaixador não foi aceito por suas posturas ideológicas", disse.

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O governo de Israel confirmou a designação de Dayan em setembro, mas, desde então, o Brasil não respondeu sobre a nomeação. Para o colono, trata-se um exemplo clássico das atuações do movimento BDS (Boicote-Desenvolvimento-Sanções) contra Israel em defesa da Palestina.

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“Não houve pressão suficiente”

Neste sábado (26/12), Dayan criticou Netanyahu. Segundo ele, o primeiro-ministro não pressionou o governo de Dilma Rousseff o suficiente. “O Ministério de Relações Exteriores, incluindo o ministro, que é também premiê, acredita que, agora, a maneira de se lidar com a situação que se criou é usar uma política de esperar para ver”, afirmou Dayan.

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Reprodução

Dani Dayan foi dirigente de associação de colonos judeus em territórios palestinos durante seis anos

Segundo ele, Tel Aviv age “como na famosa piada judaica, em que ou o cachorro ou o nobre irá morrer”. “Não excluo a possibilidade de que haja também esperança de que eu seja ou o cachorro, ou o nobre, e anuncie simplesmente que vou retirar minha candidatura e resolver o problema para eles”, diz.

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A nomeação de Dayan foi anunciada publicamente pelo governo de Netanyahu no dia 6 de setembro, surpreendendo o governo brasileiro, já que a divulgação foi contrária às normas diplomáticas que exigem que tal pedido seja feito de forma sigilosa.

Assentamentos

Nascido em Buenos Aires e formado em Finanças, Dayan foi presidente do Conselho Yesha (2007-2013), órgão responsável por assentamentos judaicos na Cisjordânia que violam o direito internacional, bem como os acordos da ONU nos territórios palestinos, o que desagrada Brasília.

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As importantes posições ocupadas por Dayan na representação de organismos de colonos na Cisjordânia e a sua indicação abrupta e extraoficial por parte de Netanyahu são os dois principais motivos pelos quais — especula-se — o Itamaraty ainda não se posicionou quanto à aceitação do pedido de "agrément".

Reprodução / Peace Now

Unidades habitacionais construídas em assentamento ilegal

“Não sei se serei o embaixador no Brasil e, pessoalmente, não me importa muito”, disse o nomeado para o Haaretz. “Aliás, isso tornaria as coisas muito mais fáceis para mim [não ir para o Brasil], mas estou lutando pelo próximo embaixador que venha a ser um colono. Do ponto de vista de consciência e ideologia, não estou preparado para permitir que eu seja aquele que criou o precedente de que um residente da Judeia e da Samaria [a Cisjordânia] ou mesmo um presidente do Conselho Yesha não possa representar o governo de Israel lá fora.”

Já ao Canal 2, uma emissora de TV israelense, Dayan pediu que Netanyahu retaliasse firmemente a atitude do Brasil, segundo reportado pelo jornal Times of Israel, citando o caso da União Europeia, que passou a rotular produtos fabricados nos territórios ocupados como “produtos das colônias de Israel”. Em resposta, Tel Aviv suspendeu membros da UE das conversações de paz com palestinos.

Reações negativas

A indicação de Dayan para Brasília teve reação negativa de parte de políticos israelenses. Em entrevista em outubro a Opera Mundi, Mossi Raz, ex-deputado do partido de esquerda Meretz e líder de uma coalizão de direitos humanos em Israel, criticou a nomeação.

“Ele [Dayan] era o líder de uma organização cuja essência violava o direito internacional. Se o Brasil aceitá-lo seria uma forma de reconhecer como legítimos esses assentamentos. O Brasil é um dos mais importantes e maiores Estados do mundo. Sua importância também advém do fato de que muitos palestinos e judeus vivem no Brasil”, afirmou Raz.

Em carta à presidente Dilma, o deputado Yousef Jabareen, da coalizão árabe-judaica de orientação socialista Joint List, pediu que não seja aceita a indicação de Tel Aviv. "Dayan tem repetidamente agido com desrespeito à lei e às normas internacionais, e tem liderado diversas iniciativas que violam diretamente os direitos fundamentais do povo palestino", escreveu.

Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma na ONU: "Não se pode postergar a criação de um Estado palestino que coexista pacificamente com Israel"

Movimentos sociais brasileiros também criticam a nomeação de Dayan em um manifesto assinado por mais de 30 organizações. Para Sérgio Storch, membro do Juprog (Judeus Brasileiros Progressistas), a nomeação de Dayan gerou uma queda de braço nos bastidores. “Netanyahu, astutamente, não consultou o governo brasileiro com o pedido de agrément que é convenção na diplomacia. Com isso, o Brasil pode dizer sim ou não, e ele pode vencer pelo desgaste e pelo cansaço”, argumentou.

Por sua vez, Pedro Charbel, coordenador latino-americano do Comitê Nacional Palestino de BDS, declarou esperar que Dilma permaneça crítica à nomeação de Dayan. “Esperamos que a presidenta mantenha este posicionamento no caso de Israel seguir adiante com a indicação", falou.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU no fim de setembro, Dilma já havia reiterado que, assim como não se pode postergar a criação de um Estado palestino que coexista pacificamente com Israel, não se poderia mais permitir a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia.

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