Alemanha prevê queda de 5% no PIB este ano e anuncia pacote de 750 bilhões de euros

O governo prevê aumentar pela primeira vez seu endividamento desde 2013. O país conta com uma queda acentuada do PIB provocada pela Covid-19

Os ministros da Economia e das Finanças, Peter Altmaier (à dir.) e Olaf Scholz, durante entrevista coletiva em Berlim. 23/03/2020
Os ministros da Economia e das Finanças, Peter Altmaier (à dir.) e Olaf Scholz, durante entrevista coletiva em Berlim. 23/03/2020 (Foto: POOL/AFP)


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Da RFI - A Alemanha anunciou nesta segunda-feira (23) um conjunto de medidas totalizando € 750 bilhões para enfrentar o impacto do novo coronavírus em sua economia. O governo prevê aumentar pela primeira vez seu endividamento desde 2013. O país conta com uma queda acentuada do PIB provocada pela Covid-19.

"É um imenso plano com muitas medidas”, afirmou o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, durante uma entrevista coletiva com o ministro da Economia, Peter Altmaier.

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Ele explicou que a retificação no orçamento alemão, com um acréscimo de €156 bilhões de despesas financiadas pelo aumento dos empréstimos nos mercados, é um sinal de que o governo vai usar todos os meios à sua disposição para “lutar contra o impacto econômico e social” da epidemia de coronavírus.

Diante do contexto de crise sanitária, Berlim estima ser inevitável uma contração do PIB do país. Apesar da dificuldade de fazer previsões, o projeto de retificação do orçamento foi feito com a hipótese de uma contração de 5% do Produto Interno Bruto neste ano.

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O Ministro da Economia indicou que o governo pretende socorrer imediatamente as empresas atingidas pela crise sanitária, mas admite que será impossível compensar todas as perdas do faturamento.

Peter Altmaier anunciou a adoção de um Fundo de Estabilização dedicado a impedir que as empresas alemãs sejam adquiridas por outros grupos. O dispositivo conta com uma ajuda de €100 bilhões.

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"Não se enganem, estamos determinados a proteger nossas empresas e nosso empregos", ressaltou Altmaier, em recado explícito a fundos especulativos.

Participação do Estado nas empresas

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O ministro da Economia também não excluiu a ação do Estado para adquirir participação nas empresas, se for necessário.

O governo anunciou também um montante de € 100 bilhões para o banco público de desenvolvimento kfW, para financiar empréstimos a empresas em dificuldades. A própria kfW será autorizada a solicitar até € 200 bilhões de empréstimos.

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Em função da utilização dos diferentes mecanismos colocados à disposição das empresas, as novas dívidas líquidas contraídas pela Alemanha poderão chegar à €356 bilhões este ano, o equivalente a 10% do PIB da maior economia da Europa.

A este montante, vão se somar os € 400 bilhões de garantias aos empréstimos às empresas em dificuldades que fornecerá o fundo de estabilização da economia. 

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Proteção de empregos

O plano também minimiza as regras para o acesso ao desemprego parcial para que um número maior de empresas possa se beneficiar da ajuda do Estado. O objetivo é que os assalariados alemães mantenham seus empregos. Segundo cálculos do Ministério do Trabalho, essa medida vai custar aos cofres públicos até €10 bilhões este ano.

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Segundo o instituto de economia Ifo, a pandemia de coronavírus coloca a Alemanha diante de uma crise sem precedentes. “Os custos ultrapassarão provavelmente tudo o que já vimos na Alemanha em termos de crise econômica ou de catástrofe natural”, declarou Clemens Fuest, presidente do instituto, citado em um comunicado.

No plano sanitário, o orçamento de emergência do governo alemão prevê o dobro de leitos nas unidades de tratamento intensivos dos hospitais.

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