Agência de notícias alemã aponta fracasso da política externa de Bolsonaro e Araújo

Reportagem da agência alemã Deutsche Welle aponta o fracasso da política externa do governo Jair Bolsonaro. Comandada pelo chanceler Ernesto Araújo, a atual política externa é vista como amadora, com forte viés ideológico de extrema direita e com poucos resultados práticos em termos comerciais ou diplomáticos

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo
Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


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247 - Reportagem da agência alemã Deutsche Welle aponta o fracasso da política externa brasileira, comandada pelo chanceler Ernesto Araújo. O texto, assinado pelo jornalista Jean-Philip Struck, destaca que “ao discursar em sua posse em 1º de janeiro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro disse seu governo iria retirar o "viés ideológico" das relações internacionais do Brasil. Mas antes mesmo de vestir a faixa presidencial, ele já tinha começado a aplicar na política externa do Brasil uma agenda ideológica – no caso, a sua própria”. 

“Muitas das medidas contrariaram práticas que há décadas caracterizaram a diplomacia brasileira, algumas inclusive que remontavam ao regime militar. Ficaram para trás a independência do país em relação aos EUA em assuntos externos, a aproximação com países africanos, a não interferência em assuntos internos de vizinhos na América do Sul e o pragmatismo com os principais países europeus”, observa a reportagem.

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“No lugar, foi implantado algo mais alinhado com a visão radical de extrema direita do presidente. O multilateralismo foi abandonado, e no lugar entrou uma política externa baseada na afinidade pessoal e ideológica com outros líderes. A diplomacia brasileira se tornou imprevisível, gerando crises constantes ao longo do ano. "A política externa se tornou uma caixa de surpresas”, avaliou Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV)”, emenda o texto.

A reportagem da DW ressalta ainda que os resultados econômicos da política externa ficaram bem aquém do esperado. “Houve ainda uma aproximação com países com importância comercial menor para o Brasil, como Hungria e Polônia, mas cujos governos compartilham da mesma visão negativa do "globalismo" denunciado por Bolsonaro. O discurso de virada também mostrou paradoxos. Durante a posse, Bolsonaro vetou convites para líderes de “regimes que violam as liberdades de seus povos”, como Cuba e Venezuela, mas ao longo do seu primeiro ano se aproximou da monarquia absolutista e fundamentalista da Arábia Saudita”, acrescenta o jornalista.

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A avaliação é que “essa virada na diplomacia brasileira vem sendo implantada por um trio formado majoritariamente por amadores em questões externas: Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente; o assessor Filipe G. Martins; e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, único diplomata de carreira no grupo, mas que compartilha da mesma visão radical. Todos os membros são seguidores do guru Olavo de Carvalho, que promove teorias conspiratórias como a de que o príncipe britânico Charles é secretamente um adepto do islã. Com a influência de Olavo, o trio também passou a alardear, sem provas, de que há uma conspiração comunista internacional que pretende tomar o poder na América Latina - 30 anos após o fim da Guerra Fria”.

Leia a íntegra na DW Brasil

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