‘A OTAN não vai se render se a Rússia bombardear Varsóvia com armas nucleares’
Declaração foi feita pelo general americano aposentado Wesley Clark; a opinião dele está em uníssono com os temores do Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski, que declarou no mês passado que “as ações da Rússia são um tipo de ameaça existencial, porque essas ações podem destruir países”; confira reportagem traduzida por Ruben Bauer Naveira
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Publicado no Russian Times em 7 de maio de 2016
Traduzido por Ruben Bauer Naveira
A Rússia “dominada-por-Putin” está enganada se ela espera que os Estados Unidos se rendam em um conflito hipotético depois que Moscou tiver bombardeado com armas nucleares “digamos, Varsóvia”, disse à CNN um ex-comandante aliado supremo da OTAN, prometendo ações de retaliação.
É muito remoto o risco de que a Rússia vá lançar um ataque de surpresa amanhã, mas a Rússia investiu em “todo um novo conjunto de dispositivos militares” e possui uma “doutrina absolutamente nova”, declarou à repórter da CNN Money Cristrina Alesci o general americano aposentado Wesley Clark.
“Eles estão usando armas nucleares nos seus exercícios militares como meios para esfriar um conflito, na medida em que acreditam que eles possam detonar uma bomba nuclear, digamos, sobre Varsóvia, e então a OTAN diria ‘Oh, meu Deus do céu, nós não pensávamos que vocês estivessem realmente dispostos a tanto’ ”, disse o ex-comandante da OTAN.
A opinião dele está em uníssono com os temores do Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski, que declarou no mês passado que “as ações da Rússia são um tipo de ameaça existencial, porque essas ações podem destruir países”.
A Rússia é mais perigosa do que a “ameaça não existencial do Estado Islâmico” (Ministro das Relações Exteriores da Polônia)
“Uma vez que vocês tenham disparado uma arma nuclear sobre nós, então nós nos renderemos. Podem levar”. É assim que eles pensam. É assim que eles vêm treinando, disse Clark.
“Eles estão cometendo um grave erro, porque não vai funcionar assim. Nós iremos dar o troco”, disse o general aposentado.
No sentido contrário do cenário de Clark de um tiroteio nuclear como resultado de um “ataque surpresa” da Rússia, Moscou acredita que a expansão para o Leste da OTAN capacita a aliança a alocar forças próximo às fronteiras da Rússia, para então acusar Moscou de “implementar manobras perigosas” próximo das bases da aliança, disse em fins de abril o Ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov.
“Isso é uma tentativa perversa de inverter a questão”, disse Lavrov ao diário sueco Dagens Nyheter.
“A infraestrutura militar da OTAN está se estendendo mais e mais para junto das fronteiras da Rússia. Mas quando a Rússia adota medidas para garantir a sua segurança, eles nos dizem que a Rússia está se engajando em manobras perigosas perto das fronteiras da OTAN. Na verdade, são as fronteiras da OTAN que estão se aproximando da Rússia, não o contrário”, declarou o Ministro das Relações Exteriores russo.
A OTAN busca expandir o seu espaço geopolítico para cercar países que estejam em desacordo com ela (Lavrov)
Enquanto isso, Wesley Clark acredita não há uma Guerra Fria a caminho nem haverá porque “não há mais Cortina de Ferro hoje em dia, apenas dos esforços de Putin de reerguê-la”.
“Ele não tem como fazer isso”, insiste Clark, porque a Rússia está conectada ao Ocidente “por meio de títulos, investimentos, dívidas e viagens”.
“Assim, ele restringiu as viagens, mas ainda há um bocado de dinheiro que flui para lá e para cá, inclusive alguns investimentos dele próprio”, disse Clark, mais uma vez enfatizando que os aliados dos Estados Unidos na OTAN “não estão fazendo o suficiente” para contribuir financeiramente para a segurança conjunta.
O general aposentado reconheceu que a estrutura de segurança nacional dos Estados Unidos tem estado “relativamente consistente” desde o término da Segunda Guerra Mundial. “Nós estamos irreversivelmente atados aos nossos laços com a Europa, especialmente através da OTAN”, disse Clark.
“Então nós podemos ficar fulos com nossos aliados na Europa, mas nós necessitamos deles. E eles necessitam da gente. As forças econômicas vão e vêm mas as nações permanecem juntas e elas são ligadas por essas alianças – elas podem disseminar estabilidade e paz por todo o planeta”, finalizou Clark.
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Comentário do tradutor: Militares não agem por impulso ou rompante. Militares planejam absolutamente tudo. Uma figura do porte de Wesley Clark só declarou isso porque o Alto Comando americano assim quis. É um claro ultimato a Putin, que eles fizeram questão de dar por meio da imprensa (quando teriam inúmeros outros canais para fazê-lo), para deixar claro que não estão blefando (e porque o ultimato já foi dado pelos canais diplomáticos há muito tempo, sem efeito). Por fim, escolheram um militar da reserva para não terem que assumir perante o mundo, de forma oficial, uma posição tão grave.
O risco de uma Terceira Guerra Mundial é real.
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