"A guerra só vai parar com uma negociação que inclua Putin", afirma especialista
Professor de Relações Internacionais argumenta que é necessário que o governo dos EUA diminua as tensões e mude de retórica
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247 - Em entrevista ao jornal O Globo, Alexander Downes, professor de ciência política e Relações Exteriores na Universidade George Washington, opina que estratégia estadunidense de sanções à Rússia, fornecimento de armas à Ucrânia e objetivo de tirar Putin do poder elevará as tensões e poderá a Rússia a redobrar a aposta militar, inclusive atacando alvos da Otan.
A abordagem realista, segundo o professor, é negociar, envolvendo inclusive o presidente da Federação russa.
"O novo objetivo [dos EUA] é ajudar a Ucrânia a expulsar os russos de todo o seu território, e, como disse o secretário de Defesa, enfraquecer a Rússia para que não possa fazer isso novamente. Creio que, em termos de objetivo final, o governo entende que seria ótimo se Putin saísse do poder. Ou seja, há uma meta de mudança de regime. Embora os EUA não estejam fazendo nada diretamente para tentar alcançá-la, tentam infligir cada vez mais danos à Rússia, militar e economicamente, de modo que alguém na Rússia cuide desse problema, por meio de uma revolução ou golpe".
Da parte russa, diz o professor, poderá haver uma intensificação militar. "Há três coisas que podem acontecer. A primeira é uma campanha muito mais agressiva para interditar o fluxo de suprimentos ocidentais para o Exército ucraniano, que chegam em caminhões ou trens. Os russos não foram de fato agressivos na tentativa de parar com esses fluxos, e podem atacar mais ferrovias e estradas, inicialmente com armas convencionais. Isso poderia se estender aos países da Otan vizinhos à Ucrânia, onde as remessas são organizadas. A outra coisa que poderia fazer é usar armas químicas. E a terceira coisa, claro, é a escalada nuclear".
O professor Alexander Downes conclui que os EUA precisam deixar claro que estão interessados "em um acordo negociado, não em uma vitória absoluta". "Isso pode significar que os ucranianos sejam um pouco mais flexíveis e aceitem algo menos do que o seu ideal, o que é difícil, depois de tanto sofrimento em lugares como Mariupol e Bucha. Mas a guerra só vai parar com algum tipo de acordo negociado, e isso envolverá Vladimir Putin".
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