'A esquerda não pode ficar na defensiva', diz Jeremy Corbyn

“Estamos sempre sob o ataque colossal que é a ganância da minoria. É isso que nos une", disse o ex-líder trabalhista inglês

Jeremy Corbyn
Jeremy Corbyn (Foto: REUTERS/HENRY NICHOLLS)


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247 - Jeremy Corbyn, ex-líder do Partido Trabalhista inglês, avalia que a esquerda vive um impasse estratégico que precisa ser enfrentado por meio da reconstrução dos sindicatos e do internacionalismo, evitando posições defensivas. “Acho que estamos ficando na defensiva, mas não deveríamos. As forças de direita estão usando a Covid e os gastos do Estado para impor austeridade e atrasar os salários”, disse Corbyn em entrevista à revista Jacobin.

“A militância trabalhista está crescendo, mas acho que o mais interessante do ponto de vista da esquerda é que as filiações sindicais estão crescendo, e não apenas no setor público, onde sempre foram importantes. Em todo o mundo, novos sindicatos estão se formando, muitas vezes por iniciativa de pessoas que trabalham em empregos precários e em economias de plataforma. Duas semanas atrás, tive uma reunião muito interessante com um grupo de trabalhadores de plataforma da Colômbia, que me disseram que haviam recrutado 2.000 membros para um novo sindicato. Acho que essa é a área que a esquerda tem que olhar: os jovens que trabalham em condições precárias, com baixos salários e que não têm casa nem futuro seguro”, destacou.

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Para Corbyn, o afastamento dos trabalhadores dos partidos e dos sindicatos “é uma tendência reversível, mas implica mais democracia nos sindicatos e nos nossos partidos políticos. Às vezes acontece que os sindicatos mais bem estabelecidos têm uma atitude hostil em relação aos novos sindicatos e os percebem como usurpadores de seu lugar, em vez de reconhecer que os sindicatos tradicionais não estão dispostos a se engajar na organização dos autônomos ou dos trabalhadores. de empresas de plataforma como Uber e Amazon. Estas são as empresas em que trabalham muitos jovens e migrantes. E temo que seja aí que esteja o futuro imediato quando se trata de novos empregos na Europa e nos Estados Unidos”.

Ainda segundo ele, “se a esquerda não faz campanha por empregos, serviços e futuro, especialmente entre os jovens, então os racistas aparecem, como está acontecendo na Alemanha, e dizem: ‘a culpa é toda dos imigrantes’. Realmente não tem nada a ver com imigrantes, mas eles são um alvo fácil de culpar. Isso explica o aumento do racismo em toda a Europa. Se não levarmos a sério essa situação e começarmos a fazer campanha pelo desenvolvimento e organização das pessoas e pela geração de novos empregos, um futuro sombrio nos espera”.

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“Estamos sempre sob o ataque colossal que é a ganância da minoria. É isso que nos une. Mas também temos que ser por algo: socialismo, justiça social e sustentabilidade ambiental. E, acima de tudo, vamos soltar a imaginação e a bondade que habitam nos outros”, ressaltou. 

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