“A China vê Bolsonaro como um agente passageiro e tem muita paciência”, diz Elias Jabbour
O economista, estudioso sobre China, avaliou que, por conta do histórico positivo da relação entre Brasil e China, Bolsonaro não é visto pelo país asiático como uma força definitiva da política nacional. “A relação com o Brasil é muito maior que o Bolsonaro e do que qualquer figura que esteja lá. Para nossa sorte”. Assista na TV 247
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247 - O economista Elias Jabbour, em entrevista à TV 247, falou sobre o crescimento da China nas últimas décadas. Para ele, o país asiático adquiriu um grande “poder gravitacional”, no sentido de que seria muito difícil para o Brasil escapar da condição de um “fazendão” subordinado à demanda da classe média chinesa.
“A economia brasileira, como ela tem se reconfigurado ao longo dos últimos 30 anos, coloca como o destino de nossos produtos a China. Se fôssemos um país industrializado, talvez a China seria mais um concorrente que um parceiro comercial. Mas é uma questão de espírito do tempo. Por mais que se tenha uma retórica pró-americana e reacionária no que cerne às relações internacionais, não tem como fugir do poder gravitacional da economia chinesa. “Se nós não nos reencontrarmos como sociedade, a própria dinâmica econômica chinesa vai colocando o Brasil numa condição de ser isso aí mesmo”, disse o economista.
Elias Jabbour destacou que, por conta do histórico positivo da relação entre Brasil e China, o país asiático vê Bolsonaro apenas como um agente passageiro. “Para nossa sorte, já que viramos um fazendão, a China vê o Bolsonaro como um agente como um cara que aparece, vai embora e morre. Ou seja, a paciência chinesa com o Bolsonaro é isso. É um tempo histórico curto. A relação com o Brasil é muito maior que o Bolsonaro e do que qualquer figura que esteja lá. Para nossa sorte”, disse.
Dependência
Questionado se os bolsonaristas estão certos em dizer que o Brasil depende da China e, por isso, estão justificados em atacar o país, Elias disse que a concorrência vem aumentando rapidamente.
Ele citou o caso da Tanzânia, que vem passando por um processo de sofisticação da agricultura. Em outubro do ano passado, após sucessivos ataques do governo Bolsonaro contra a China, o Ministério das Relações Exteriores chinês anunciou a abertura do mercado para soja do país africano. “Muitos países já estão se candidatando a substituir o Brasil como fornecedor para a China”.
“No curto prazo, sim, eles têm razão. No médio prazo não, porque a China está passando por um processo interno de sofisticação produtiva na agricultura, de especialização. Existe uma mudança de dinâmica de acumulação na agricultura chinesa que tende à mecanização da agricultura, à elevação da produtividade do trabalho. Então, isso vai levar a China a depender menos de países como o Brasil no que cerne à sua segurança alimentar”, acrescentou o economista.
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