Tijolaço: venda da Embraer não é só entreguismo, é golpe político

"Enquanto os 'mercadistas' comemoram o que seria uma 'fusão' entre a Boeing e a Embraer – algo tão equilibrado como o casamento o elefante com a formiguinha – algumas vozes se levantam com o argumento que, ontem à noite, já se demonstrou aqui: senão Temer, ao menos Henrique Meirelles armava, faz tempo esta operação, com a iniciativa de procurar o Tribunal de Contas da União para saber como vender a 'golden share', a ação de classe especial que dá ao governo o poder de veto sobre negócios como estes com a empresa estratégica", diz o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço

"Enquanto os 'mercadistas' comemoram o que seria uma 'fusão' entre a Boeing e a Embraer – algo tão equilibrado como o casamento o elefante com a formiguinha – algumas vozes se levantam com o argumento que, ontem à noite, já se demonstrou aqui: senão Temer, ao menos Henrique Meirelles armava, faz tempo esta operação, com a iniciativa de procurar o Tribunal de Contas da União para saber como vender a 'golden share', a ação de classe especial que dá ao governo o poder de veto sobre negócios como estes com a empresa estratégica", diz o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço
"Enquanto os 'mercadistas' comemoram o que seria uma 'fusão' entre a Boeing e a Embraer – algo tão equilibrado como o casamento o elefante com a formiguinha – algumas vozes se levantam com o argumento que, ontem à noite, já se demonstrou aqui: senão Temer, ao menos Henrique Meirelles armava, faz tempo esta operação, com a iniciativa de procurar o Tribunal de Contas da União para saber como vender a 'golden share', a ação de classe especial que dá ao governo o poder de veto sobre negócios como estes com a empresa estratégica", diz o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço (Foto: Aquiles Lins)


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Por Fernando Brito, do Tijolaço - Enquanto os “mercadistas” comemoram o que seria uma “fusão” entre a Boeing e a Embraer – algo tão equilibrado como o casamento o elefante com a formiguinha – algumas vozes se levantam com o argumento que, ontem à noite, já se demonstrou aqui: senão Temer, ao menos Henrique Meirelles  armava, faz tempo esta operação, com a iniciativa de procurar o Tribunal de Contas da União para saber como vender a “golden share”, a ação de classe especial que dá ao governo o poder de veto sobre negócios como estes com a empresa estratégica.

A notícia,  afirma  o historiador e ex-assessor estratégico do Ministério da Defesa, Francisco Carlos Teixeira, “causou profundo mal-estar nos setores militares do governo, que não foram avisados da existência dessas tratativas pelo Ministério da Fazenda”. Segundo ele, o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, pretenderia , com a operação, “compensar o mercado” pela derrota sofrida na reforma da Previdência, cuja votação foi adiada por falta de apoio no Congresso, e fortalecer seu nome junto ao  para a disputa à Presidência.

Temer estaria reticente quanto a ceder a Meirelles, diz o jornalista Kennedy Alencar, tanto por preocupar-se com reações negativas no meio militar quanto por recear que, com isso, lhe seja pregado à testa o rótulo de “entreguista”, que já o persegue por conta das vendas de campos de petróleo e outros ativos da Petrobras.

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Francisco Teixeira duvida que o atual comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Rossato, concorde com a transação. Na opinião dele, a operação significaria  a perda do controle dos projetos estratégicos para a Defesa brasileira e da capacidade de investimento em alta tecnologia nacional. “A soberania nacional ficará à mercê dos embargos do governo norte-americano”, alerta.

“Meirelles precisa apresentar feitos relevantes que o credenciem como preferido do mercado financeiro para as eleições de 2018. Privatizações de fôlego também poderão cacifá-lo como liderança liberal junto ao PSDB, de modo a garanti-lo como alternativa eleitoral tucana, caso o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seja comprometido em investigações de corrupção e se torne inelegível ou indefensável politicamente.”

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Ele  assegura que são irreais os argumentos utilizados pelos que defendem a operação – de que iria criar emprego e renda no país:

“Não vai; quem diz isso não está lendo nada sobre o mercado ou está de má-fe”, diz o historiador. “O governo Trump tem se caracterizado pela interiorização da produção norte-americana. Já desmontou o Nafta e obrigou a transferir para os EUA as linhas de montagem do setor automotivo que funcionavam no México. A Boeing vai pegar a expertise da Embraer e gerar empregos nos EUA.”

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O professor lembra que até das tais “fakenews” foram usadas para “cevar” a polêmica venda da Embraer. Um vídeo falso, de inspiração bolsonarista, começou a circular há uma semana nas redes, com supostas críticas da empresa ao governo e ais políticos. Marmelada, claro, mas que ajuda a criar polêmica sobre um negócio escabroso.

Recomendo ao leitor que recorde que a Boeing já seria imensamente estratégica para os EUA apenas com seus aviões comerciais.

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Mas a sua importância para o Governo norte-americano não termina aí.

Ela é uma das maiores fabricantes de aviação militar para os EUA, com aparelhos líderes em seus segmentos (para citar alguns, os helicópteros Apache, o F-15 e o F-18 Hornet) de sistemas de inteligência bélica e de mísseis e bombas.

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Nunca – e menos ainda sob um governo como o de Trump – um negócio deste tipo seria tentado sem a aprovação expressa do Departamento de Defesa e da própria Casa Branca.

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