"Michel Temer é um desastre ambulante. O 'marqueting' que lhe arranjaram, de sair para comprar sapato chinês – que não tinha nada de 'baratinho', quase R$ 400! – é, simplesmente, desastroso", afirma o jornalista Fernando Brito
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Atualizado em 29 de June de 2018, 22:30
"Michel Temer é um desastre ambulante. O 'marqueting' que lhe arranjaram, de sair para comprar sapato chinês – que não tinha nada de 'baratinho', quase R$ 400! – é, simplesmente, desastroso", afirma o jornalista Fernando Brito (Foto: Gisele Federicce)
O “marqueting” que lhe arranjaram, de sair para comprar sapato chinês – que não tinha nada de “baratinho”, quase R$ 400! – é, simplesmente, desastroso.
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Porque o sapato chinês foi uma das principais causas da crise da industria calçadista brasileira, que já foi a segunda maior do mundo.
Em 2009, Lula conseguiu na OMC uma licença para impor taxa antidumping para os sapatos chieneses que estavam acabando com nossas fábricas. E, agorinha, em março deste ano, o Governo Dilma conseguiu renovar a medida, ainda que com taxas menores.
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O Fernando Molica, no seu blog, pisa, merecidamente, no calo do “Sapatemer” publicitário.
A julgar por sua decisão de comprar sapatos e brinquedo chineses, Michel Temer ainda não entendeu bem que presidente da República é também embaixador e defensor dos produtos e serviços feitos em seu país.
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Como ressaltam reportagens publicadas nesta manhã, sapatos e brinquedos chineses tiveram um papel fundamental no desmonte da indústria brasileira a partir dos anos 1990. A fabricação de calçados na China é resultado direto do esvaziamento da mesma atividade no Brasil – fábricas que empresas multinacionais mantinham no Rio Grande do Sul foram transferidas lá para o outro lado do mundo.
Lembrei que, há alguns meses, convidado para participar de um evento no México, tive que viajar pela American Airlines e fazer conexão em Miami. Achei esquisito, já que a Aeromexico opera no Brasil, seria muito mais simples pegar um voo direto.
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Fui apurar a história e descobri: um dos patrocinadores do evento era uma entidade norte-americana, que exige a compra de serviços de empresas da terra do Obama (o hotel em que fiquei pertencia a uma rede com origem nos Estados Unidos).
Essa historinha envolve um país que, da boca pra fora, tanto bate na tecla do liberalismo, prega a liberação dos mercados, a existência de um comércio livre das amarras nacionais. Um país que sabe muito bem defender seus interesses.
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Enquanto isso, o Temer, que recebeu do empresariado nacional apoio absoluto para derrubar a Dilma e chegar à Presidência, resolve, escondido, na ponta do pé – a história vazou graças à imprensa chinesa -, dar uma força à indústria de um país que tanto contribuiu para tirar empregos e capitais do Brasil.
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