Tijolaço: queda de avião é um coquetel de histeria, política e dissimulação

O jornalista Fernando Brito, editor do blog Tijolaço, afirma que as teorias sobre a queda do avião no Irã soam suspeitas. Ele diz: "não é crível que a defesa antiaérea iraniana estivesse focada no aeroporto de Teerã, de onde o avião decolou e que não soubesse que pousos decolagens estivessem liberados"

Local da queda do Boeing 737 do voo PS752 Teerã-Kiev nos arredores do Aeroporto Internacional Imã Khomeini na capital iraniana, Teerã.
Local da queda do Boeing 737 do voo PS752 Teerã-Kiev nos arredores do Aeroporto Internacional Imã Khomeini na capital iraniana, Teerã. (Foto: © SPUTNIK / MAZYAR ASADI)


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Por Fernando Brito, do blog Tijolaço - Não , também não creio que a queda misteriosa do avião de passageiros em Teerã, quase que simultaneamente ao ataque iraniano contra bases norte-americanas no Iraque, seja mera coincidência.

Mas não tem lógica atribuí-lo a um disparo de míssil do próprio Irã contra ele.

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Primeiro, não é crível que a defesa antiaérea iraniana estivesse focada no aeroporto de Teerã, de onde o avião decolou e que não soubesse que pousos decolagens estivessem liberados.

Aliás, se o avião atingido estivesse chegando a Teerã e não partindo de Teerã seria muito mais fácil de ser confundido com um míssil inimigo, apesar das diferenças de tamanho de assinatura de radar que emitiria.

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Apontar um míssil demanda não apenas detectar a presença de um objeto no céu, mas sua trajetória, inclusive se está subindo ou descendo, porque a mira é feita num “ponto futuro” .

Portanto, é inconfundível um alvo que está subindo, como o avião, de um que estaria caindo, como um míssil norte-americano.

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Ainda que se admita que um idiota estivesse operando o sistema de mísseis, um idiota não atingiria um alvo a 500 km por hora, com variação de altitude.

O gráfico do site Flight Radar, insuspeito, mostra que a aeronave ganhava 8oo metros por minuto em média, nos três minutos em que voou, como mostra o gráfico publicado pela BBC

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A segunda razão para duvidar desta história é o fato de que os iranianos não tentaram colocar de imediato, a culpa da queda do avião num disparo dos EUA, em retaliação ao ataque. Colocaria os norte-americanos em posição de negar e ter de provar que não o fizeram, pois seria absolutamente verossímil um lançamento de míssil contra algo que poderia ter sido interpretado um foguete disparado da capital iraniana.

O governo iraniano – que fez bem em não entregar à Boeing (pendurada em bilhões de dólares na agência de aviação do governo norte-americano pelos defeitos estruturais de seu fracassado 737 Max) – chamou os governos que tinham nacionais no avião: Canadá, Ucrânia , Suécia, que completavam 30% dos passageiros, além de 147 iranianos, alguns com dupla cidadania. Chamou também a Boeing para acompanhar as investigações, mas não para assumir o controle dos registros de voo.

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Como, por quem e em que grau a guerra chegou a um voo civil é algo que talvez não venhamos nunca a saber.

Mas que está sendo usado escancaradamente como propaganda de guerra, isso é visível a qualquer um.

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