Tijolaço ironiza a doença ‘psicológica’ que existe para o governo Temer

"O amigo aí curte ser espetado para tirar sangue para um hemograma? A cara amiga se amarra em entrar no tubo de um tomógrafo? Nem um Raio-Xzinho com aquela chapa de metal fria e aquela luz mortiça com a marca de alvo de bala perdida?", pergunta o jornalista Fernando Brito, ao comentar declaração polêmica feita pelo ministro interino da Saúde, Ricardo Barros, para quem os brasileiros "imaginam" as doenças e com isso gastam recursos do SUS despropositadamente; "O ministro é, literalmente, um ignorante", diz Brito

Brasília - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)


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Por Fernando Brito, do Tijolaço

O amigo aí curte ser espetado para tirar sangue para um hemograma?

A cara amiga se amarra em entrar no tubo de um tomógrafo? Vai dizer que não gosta daquela cápsula e daqueles rangidos de filme de abdução extra-terrestre?

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E um cateterismo de investigação, daqueles com bastante iodo para contraste, não é legal?

Nem um Raio-Xzinho com aquela chapa de metal fria e aquela luz mortiça com a marca de alvo de bala perdida?

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Pois é o que o Sr. Ricardo Barros, Ministro da Saúde de Temer, acha.

Porque diz que “é ‘cultura do brasileiro’ só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos, e esse suposto ‘hábito’ estaria levando a gastos desnecessários no SUS (Sistema Único de Saúde)”.

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O ministro, que já havia proposto “planos de saúde populares”, com pequena cobertura  para permitir custos mais baixos às operadoras, com a redução na lista de exames e procedimentos cobertos.

Sem problemas, na visão do ministro, porque,  afinal, os exames são uma espécie de placebo, de efeito meramente psicológico.

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O ministro é, literalmente, um ignorante.

A cultura do exame desnecessário ou realizado antes de outros procedimentos diagnósticos não é do paciente, mas da própria medicina privada. A preventiva ou de atendimento primário é essencialmente do sistema público de saúde.

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Quando um exame de maior complexidade é solicitado, o infeliz ainda leva um bom tempo para marcar e dificilmente deixa de buscar os resultados daquilo que lhe consumiu esforço e tempo para fazer.

Ter resultado negativo em um exame não é desperdício, mas recurso da investigação clínica: um quadro viral muitas vezes só pode ser estabelecido se um hemograma descartar  uma situação de infecção, um lipoma requer, muitas vezes,  uma ressonância magnética para que se elimine a eventualidade de um tumor e assim por diante.

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A história de que quer reduzir os exames clínicos é, portanto, alguma “assoprada” que recebeu dos planos e jogou em cima do SUS.

 

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E isso o faz pior que um ignorante, cujo pecado é apenas não saber.

O faz cúmplice de quem quer ganhar muito dinheiro afirmando genericamente que “se faz  exames e dá medicamentos que não são necessários só para satisfazer as pessoas”.

Isso pode até acontecer na medicina privada, por não se querer “perder o cliente”. Na rede pública, o profissional não tem “cliente”.

Tem paciente e nenhuma razão para ele “virar freguês”.

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