Tijolaço aponta o alucinado galope para trás do Brasil

"Quem desse um salto de seis ou sete anos no tempo, do Brasil do início desta década para cá, ficaria perplexo, não iria crer no que nos aconteceu", escreve o jornalista Fernando Brito sobre os retrocessos em série que o País vive; "Aos ascéticos juízes e aos imprudentes golpistas que nos levaram a isso é que se dirige o slogan que traduz hoje o 'este é um país que vai pra trás': é bom já ir se acostumando, se insistirem em matar e enterrar o único que pode se opor a isso, Lula", diz ele, aludindo à candidatura do deputado Jair Bolsonaro

Brasília - Os deputados Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro falam com a imprensa (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Os deputados Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro falam com a imprensa (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Aquiles Lins)


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Por Fernando Brito, do Tijolaço - Quem desse um salto de seis ou sete anos no tempo, do Brasil do início desta década para cá, ficaria perplexo, não iria crer no que nos aconteceu.

Aquele país cheio da autoestima, de alegria, de esperanças de progresso, virou uma terra onde, exceto a parcela imensa de brasileiros que hoje se encontra perplexa com o que se passou, encontram-se “doutos” a dizer que a solução para o país é cortar mais – direitos, gastos sociais, garantias legais, tudo…) e o xucros que pregam que o caminho é matar mais, prender mais, quem sabe bater mais…

Parece evidente que os segundos têm uma plataforma mais “popular” do que os primeiros.

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Na ditadura cantavam que “este é um país que vai pra frente” e o “pra frente, Brasil” virou o slogan oficial, enquanto a política foi reduzida aos curraletes do “partido do sim” e o “partido do sim, senhor”. Mal ou bem, porém, em meio ao obscurantismo, havia algum projeto econômico que ia além do rentismo e do “vendam tudo” de agora.

Do Brasil que vai pra trás, na economia, tira-se mais combustível para o Brasil que vai pra trás em matéria de pluralidade e equilíbrio políticos, aquele que perdemos em nome da avidez de quem não quis esperar a sua hora e abriu as porteiras para uma corja de políticos que tem em Michel Temer o seu abjeto estigma.

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Este Brasil regredido guarda muitas semelhanças com o ditadura, em seus primórdios, quando a demolição do governo democrático exigiu a formação de hordas moralistas na classe média, que depois se esvaziaram, deixando como saldo os ferozes mastins que imperaram até meados dos anos 70.

Não duvidem que, persistindo na insanidade – como se desenha – de extirpar Lula da disputa eleitoral e até mesmo enjaulá-lo como “exemplo” do que se reserva a quem queira fazer, pacificamente, reformas neste país, serão eles, a matilha, quem terá condições políticas de galgar o poder, mesmo sem os partidos e o tempo de televisão que julgam ser indispensáveis a isso.

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Contam que, sem Lula na disputa, a extrema-direita vai se esvaziar, como se ela fosse consequência da esquerda. Não é, é fruto da transformação do centro político em um aglomerado imoral, que os cevou, estimulou e festejou.

Aos ascéticos juízes e aos imprudentes golpistas que nos levaram a isso é que se dirige o slogan que traduz hoje o “este é um país que vai pra trás”: é bom já ir se acostumando, se insistirem em matar e enterrar o único que pode se opor a isso, Lula.

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