Tijolaço aponta "lambança autoritária" na Lava Jato

"Será que foram ao Hospital Sírio-Libanês achando que a mulher de Guido Mantega estava fazendo as unhas do pé? Será que não tinha delegado numa operação desta monta? Será que o delegado não tinha o telefone do outro delegado e este o dos promotores e estes os do Dr. Moro?", questiona Fernando Brito, editor do Tijolaço

Ex-ministro da Fazenda Guido Mantega é conduzido pela Polícia Federal em São Paulo. 22/09/2016 REUTERS/Nacho Doce
Ex-ministro da Fazenda Guido Mantega é conduzido pela Polícia Federal em São Paulo. 22/09/2016 REUTERS/Nacho Doce (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Começou no show do Powerpoint dos rapazes de Curitiba, mas Moro bancou e aceitou a denúncia, certamente contrafeito de não ter como agregar a ela uma prisão preventiva ou temporária.

Mas a invasão do hospital, hoje, não deu para segurar.

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E Moro teve de sair correndo atrás de reparar o estrago com a revogação da ordem de prisão, com um despacho de “cabo de esquadra” dizendo que, certamente, as autoridades do MP e da PF “não sabiam” da situação.

Será que foram ao Hospital Sírio-Libanês achando que a mulher de Guido Mantega estava fazendo as unhas do pé?

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Será que não tinha delegado numa operação desta monta?

Será que o delegado não tinha o telefone do outro delegado e este o dos promotores e estes os do Dr. Moro?

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– Chefe, ele foi com a mulher no hospital, ela vai operar um câncer, o que eu faço, meto bronca lá no hospital mesmo?

Afinal de contas era a prisão de um ex-ministro da Fazenda, o que, pela repercussão, não acontece toda hora…

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Pior, já havia sido determinada há mais de um mês, como o Tijolaço mostrou hoje. Será que o juiz, os promotores e os delegados não estavam lembrados mais?

E se Mantega era tão perigoso – seja por risco de fuga, seja por destruição de provas – não estava sendo monitorado?

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E se é tão perigoso, porque revogar uma ordem de prisão por motivos piedosos?

Poderia até deixar que ficasse no hospital, discretamente escoltado, fosse o caso de valerem os “sentimentos cristãos” da turma curitibana.

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Na verdade, na Lava jato pouco importam a consistência ou inconsistência das acusações e das provas.

Como em todo espetáculo, o enredo constrói sua própria verossimilhança.

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O único problema é que ele se torne tão absurdo que se revele como encenação.

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