Terra corta 80% da redação e fecha sucursais

Segundo o portal Imprensa, somente oito jornalistas devem permanecer no portal e eles terão um perfil multimídia, pois serão responsáveis por abastecer o site com notícias e conteúdos de parceiros; a equipe que permanecer na empresa ficará sediada em São Paulo (SP) e com uma relação maior com a redação do México, que produz conteúdo para toda América Latina

Segundo o portal Imprensa, somente oito jornalistas devem permanecer no portal e eles terão um perfil multimídia, pois serão responsáveis por abastecer o site com notícias e conteúdos de parceiros; a equipe que permanecer na empresa ficará sediada em São Paulo (SP) e com uma relação maior com a redação do México, que produz conteúdo para toda América Latina
Segundo o portal Imprensa, somente oito jornalistas devem permanecer no portal e eles terão um perfil multimídia, pois serão responsáveis por abastecer o site com notícias e conteúdos de parceiros; a equipe que permanecer na empresa ficará sediada em São Paulo (SP) e com uma relação maior com a redação do México, que produz conteúdo para toda América Latina (Foto: Roberta Namour)


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Vanessa Gonçalves, Jéssica Oliveira e Gabriela Ferigato, do Portal Imprensa

Nesta quinta-feira (6/8), o portal Terra deu início a uma importante reestruturação de seu negócio. IMPRENSA apurou que isso resultou na demissão de aproximadamente 60 jornalistas, que representam 80% da equipe de jornalismo. Parte dessas mudanças começaram com a saída do diretor de conteúdo do site, Hélio Gomes, que deixou a empresa na última segunda (3/8).

Somente oito jornalistas devem permanecer no portal e eles terão função estratégica no novo perfil adotado pelo Terra. Esses profissionais terão um perfil multimídia, pois serão responsáveis por abastecer o site com notícias e conteúdos de parceiros. Além dos cortes, o portal anunciou o fechamento das sucursais das redações em Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS). Os escritórios comerciais nessas praças seguem funcionando. A equipe de jornalistas que permanecer na empresa ficará sediada em São Paulo (SP) e com uma relação maior com a redação do México, que produz conteúdo para toda América Latina.

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À IMPRENSA, Paulo Castro, CEO do Terra, explicou as mudanças que, segundo ele, não têm relação com a atual crise econômica enfrentada pelo Brasil. “É uma reorganização dentro do Terra que responde a uma mudança do mercado. Não é uma coisa conjuntural de hoje, mas uma mudança de como o mercado contrata publicidade, de como o mercado remunera a atividade da mídia”.

Castro afirma que essa mudança iniciou-se anos atrás quando a empresa percebeu que o mercado respondia de outra forma. No entanto, o Terra ainda tentou insistir com essa oferta, investindo pesado na cobertura e transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, na compra de direitos esportivos como a Liga Europa exibida pelo portal e de entretenimento como o TV Terra, bem como na produção e apresentação de shows musicais. “Fizemos isso apostando que, ainda que o mercado estivesse indo para esse movimento de remunerar melhor as plataformas como ocorre com Google e Facebook, achamos que haveria espaço para sermos um ator nesse mercado desde que tivéssemos uma porta muito forte de controle de qualidade”.

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No entanto, como não houve essa readequação da forma como o mercado remunera as plataformas digitais, o Terra resolveu revisar essa estratégia de negócios, reduzindo drasticamente o investimento na criação de conteúdo próprio. Em razão disso, optou pelo enxugamento da redação.

Novo modelo

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Embora o Terra esteja apostando em outro modelo de negócio, o CEO garante que o portal não deixará de existir enquanto divulgador de notícias. “Vamos continuar tendo um portal e uma equipe de conteúdo, só que ela terá um papel muito mais de curadoria, de enriquecer a oferta de parceiros, de agências, correspondentes e terceiros e muito menos de ser um protagonista na criação de conteúdo autoral independente”.

Para Paulo Castro, essa ideia de trabalhar o editorial de outra forma é uma evolução do novo Terra, lançado em abril do ano passado. “A aposta desse projeto [responsivo] é quebrar com a ideia de que um conteúdo serve para todos e iniciar uma entrega de forma segmentada, entendendo melhor quem está do outro lado da tela, baseando-se no interesse de cada pessoa”.

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O executivo garante que o Terra apenas reforça o modelo de trabalho com parceiros, adotado há muitos anos e tradicional no meio digital. Atualmente, o portal mantém parcerias com a revistaIstoÉ, o diário Lance! e agências de notícias — EFE e BBC.

Decisão difícil

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Castro revela que, independentemente da atual crise econômica brasileira, as mudanças no Terra foram planejadas com anos de antecedência e não têm ligação direta com a conjuntura atual. “A crise é algo que vivemos hoje e que em algum momento vai passar. O tema é muito mais estrutural, tem muito mais a ver com a mudança do negócio de mídia em si, passando pela forma como as empresas apostam no investimento publicitário”.

Em razão disso, o Terra teria apostado alto na forma como o mercado publicitário estava investindo nas plataformas digitais e buscou alternativas para, com isso, ter um maior aporte financeiro. “Isso não funcionou e a nossa decisão é reduzir esse investimento”.

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“É importante entender o Terra como um todo. É uma empresa com mais de 15 anos no mercado brasileiro e latino-americano e tem negócios de serviços, de conteúdos pagos e de publicidade. Hoje o negócio de publicidade representa menos de 20% no negócio todo e os outros representam mais de 80%. Se pegarmos uma curva histórica dos últimos 15 anos, a publicidade nunca representou mais que 30%. Essa decisão que tomamos agora tem muito mais a ver com esse negócio de publicidade do que com os outros”, garante.

A decisão de demitir os jornalistas foi tomada há meses e, de acordo com o CEO, “não foi fácil”. “As empresas não foram feitas para demitir, mas para empregar as pessoas”, disse.

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“Nesse movimento a gente não pode colocar reparo à performance ou aquilo que cada um individualmente trouxe de bom. Não estamos dizendo: ‘tal pessoa não trabalhou bem’. Trata-se de um processo estrutural. Não estamos insensíveis a isso. Estamos cuidando ao máximo das pessoas, comunicando e falando sobre isso de forma transparente”, relata.

Paulo Castro fez questão de ressaltar que o Terra é uma empresa saudável financeiramente e que não fechará. “Continuamos com a porta um pouco diferente, deixando de lado o protagonismo na produção de conteúdo, mas continua muito forte em tudo o que está relacionado à oferta mobile e de serviços digitais, que sempre foi bastante importante para a empresa. A decisão tem a ver com os resultados financeiros desta área (portal), mas a empresa como um todo está bem financeiramente e enxerga oportunidades bastante interessantes daqui para frente”.

Para concluir, o CEO agradeceu os profissionais que deixam a empresa neste momento. “Quando tomamos uma decisão como esta, que é muito difícil, não é algo pessoal. Trata-se de uma decisão estrutural de uma empresa e que não tem nada a ver com a performance das pessoas”.

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