Tereza Cruvinel diz que PT interditou debate sobre Plano B

"Por ora o debate sobre substitutos está interditado no PT. Seria jogar a toalha antes da hora, fazendo o jogo dos que desejam Lula fora da política. Para ficar fora, ele mesmo teria dito, teria se exilado. Não errando no tempo, o PT acha que pode levar seu candidato ao segundo turno, convertendo os votos lulistas em votos petistas. Segundo o Datafolha, dois em cada três eleitores de Lula admitem votar em nome por ele indicado", diz a jornalista Tereza Cruvinel

"Por ora o debate sobre substitutos está interditado no PT. Seria jogar a toalha antes da hora, fazendo o jogo dos que desejam Lula fora da política. Para ficar fora, ele mesmo teria dito, teria se exilado. Não errando no tempo, o PT acha que pode levar seu candidato ao segundo turno, convertendo os votos lulistas em votos petistas. Segundo o Datafolha, dois em cada três eleitores de Lula admitem votar em nome por ele indicado", diz a jornalista Tereza Cruvinel
"Por ora o debate sobre substitutos está interditado no PT. Seria jogar a toalha antes da hora, fazendo o jogo dos que desejam Lula fora da política. Para ficar fora, ele mesmo teria dito, teria se exilado. Não errando no tempo, o PT acha que pode levar seu candidato ao segundo turno, convertendo os votos lulistas em votos petistas. Segundo o Datafolha, dois em cada três eleitores de Lula admitem votar em nome por ele indicado", diz a jornalista Tereza Cruvinel (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Tereza Cruvinel, no JB – Amanhã faz um mês que o ex-presidente Lula foi preso mas na cena política ele continua presente. A eleição segue tão ou mais incerta do que antes. Há quem veja o PT numa sinuca de bico: se mantém Lula candidato, pode ficar tarde para apresentar e trabalhar o nome por ele ungido. Mas antecipar a desistência, jogando Lula na invisibilidade, seria abdicar do precioso ativo eleitoral que ele representa.

Este é um dilema visto de fora mas, dentro do partido, a disposição é para fazer com Lula, sob seu comando, o jogo do tempo.

Se nestes últimos 30 dias, com todo o isolamento, Lula fez política valendo-se dos advogados, seja para receber notícias políticas, mandar cartas aos apoiadores ou recados aos petistas, agora então ele terá mais controle do processo.

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A partir de hoje, poderá receber duas visitas de não familiares por semana.

Nem todos serão petistas, pois a demanda é grande. Amanhã receberá Leonardo Boff, é possível que receba Ciro Gomes em breve. Mas a brecha será usada principalmente para orientar seu partido.

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Iniciativas como o encontro de Fernando Haddad com Ciro, ou a declaração de Jacques Wagner, admitindo o apoio a Ciro com um petista de vice, foram movimentos individuais e nada mais.

Levaram bordoadas. Valter Pomar, da tendência Articulação de Esquerda, acusou Jacques de não propor um plano B, mas um plano S. S de suicídio.

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A senadora Gleisi Hoffmann acrescentou que Ciro "não passa no PT nem com reza brava".

Jacques, depois de visitar Lula, corrigiu-se, dizendo que vai com ele "até o final da linha".

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E o plano é o já conhecido: mantê-lo como candidato, para preservar o cabedal de votos, e tratá-lo como preso político até agosto, quando o pedido de registro de sua candidatura deve ser impugnado pelo TSE.

Até lá, muitas águas vão rolar, e a decisão será tomada no calor da conjuntura.

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O plano tem custos, como a ausência de um candidato petista nos eventos da pré-campanha.

Na sexta-feira, Gleisi protestou contra a exclusão de Lula da série de entrevistas que UOL, Folha de S. Paulo e SBT farão com os presidenciáveis, lembrando que ele não perdeu os direitos políticos e está em primeiro lugar nas pesquisas.

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Mas preso ele não pode comparecer e outro não pode representá-lo. No curto prazo, pode crescer a migração de votos lulistas para outros candidatos, como indicado pela última pesquisa Datafolha: Lula passou de 34% para 31% na média dos cenários.

Mas o grosso de seus eleitores, quando ele foi excluído da cartela, migrou mesmo foi para brancos, nulos ou nenhum dos candidatos.

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Nas próximas semanas, avaliam os petistas, não deve haver forte movimentação de votos. Em junho começa a Copa do Mundo, desviando o foco das atenções. E logo estaremos em agosto, haverá o pedido de registro da candidatura.

Observados os prazos para recursos, a decisão só virá no início de setembro.

O horário eleitoral já estará no ar, com Lula candidato. Negado o registro, será hora de optar entre lançar o ungido ou esticar a corda judicialmente, com recurso ao STF, um jogo mais arriscado.

Estes cálculos levam a uma concordância entre os petistas e o pré-candidato do DEM, Rodrigo Maia, para quem a disputa será decidida nos últimos 15 dias da campanha.

Assim, por ora o debate sobre substitutos está interditado no PT. Seria jogar a toalha antes da hora, fazendo o jogo dos que desejam Lula fora da política. Para ficar fora, ele mesmo teria dito, teria se exilado.

Não errando no tempo, o PT acha que pode levar seu candidato ao segundo turno, convertendo os votos lulistas em votos petistas. Segundo o Datafolha, dois em cada três eleitores de Lula admitem votar em nome por ele indicado.

Mas disso o PT não quer tratar agora, pelos motivos acima mas também por saber que a fumaça branca virá de Curitiba.

 

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